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Espetáculo une técnica acadêmica ao gingado

domingo, 16/06/2013, 10:13 - Atualizado em 16/06/2013, 10:13 - Autor:


Uma princesa encantada, que protege a ilha de Algodoal de quem a depreda. Uma história que remonta à cultura paraense e que foi parar no espetáculo ‘Maiandeua, a Lenda da Princesa’, do Centro de Dança Ana Unger. A peça será apresentada nesta terça-feira, 18, na sede campestre da Assembleia Paraense. No palco, bailarinos unem em movimento a técnica da dança acadêmica com todo o gingado das danças típicas paraenses.


A lenda da Princesa é sempre contada a quem visita a ilha de Algodoal. Lá, dizem que há muitos anos três pescadores foram até a praia na Ilha de Maiandeua em busca de água potável. Enquanto dois deles se dirigiram às dunas, um ficou junto à embarcação e avistou uma linda mulher dizendo ser a princesa encantada filha do rei Sebastião.


A moça diz ao pescador que, se ele a desencantar, poderia casar-se com ela e ver as cidades de Vigia, Belém, Maracanã e Castanhal afundarem, enquanto as ‘cidades dos encantados’ aflorariam à superfície, instaurando-se a partir daí o governo do rei Sebastião sobre o mundo. O pescador, sem dizer nada a ninguém, deveria voltar à praia à meia-noite, quando no mar avistaria três grandes ondas, sendo a terceira a filha do rei Sebastião que apareceria na forma de uma cobra grande. Para que o desejo da princesa fosse atendido, ele teria de cortar o couro da cobra com uma faca. No dia combinado, quando viu a enorme cobra, o rapaz ficou apavorado e fugiu, sendo depois acometido por uma febre alta. Desde então, acredita-se que a princesa se tornou um ser encantado que protege a ilha. 


No palco, esse enredo é traduzido em coreografias que exaltam a natureza da ilha, a cultura e alguns personagens-símbolo, como Mestre Vieira e Chico Braga. Nos movimentos dos bailarinos, balé, jazz, sapateado e dança contemporânea unem-se a elementos de carimbó, lundu, siriá, em uma simbiose perfeita que une dois universos culturais distintos em uma só tradução: arte. 


“No balé clássico, por exemplo, acaba se enfatizando elementos das danças folclóricas europeias, e a gente sempre faz questão de enaltecer a nossa cultura, para que as novas gerações também valorizem a diversidade de nossos ritmos e movimentos da dança amazônica. Fazemos isso há 15 anos com o mesmo cuidado com que ensinamos a técnica clássica, com um planejamento de metodologia para que o jovem tenha a autoestima paraense elevada e orgulho de ser da Amazônia”, destaca Ana Unger, que assina o roteiro e a direção geral do espetáculo. As coreografias são de Aline Dias, Alexsandra Andrade, Ana Karina Rodrigues, Carina Costa, Diane Santos, Fernanda Pinheiro, Lene Caldas, Patrícia Bessa e Tarcila Mendes, com coordenação de Adriana Brito. 


Na trilha, que tem Arraial do Pavulagem, Sebastião Tapajós, Trio Manari, Mestres das Guitarradas e Iva Rothe, destaque para composições inéditas de Chico Braga, que ganharam arranjos de Ziza Padilha, Pedrinho Calado e Kleber Benigno. O maestro Miguel Campos Neto assina o tema de abertura e da princesa, especialmente compostos para o espetáculo. Um vídeo com direção de Ronaldo Rosa serve como cenário. Reúne paisagens da ilha e depoimentos de moradores que falam do imaginário local, das encantarias e da preocupação com a preservação ambiental. Depois, ‘Maiandeua’ será ampliado em um novo projeto da Companhia Ana Unger. Em agosto, fará apresentações para os moradores de Algodoal e receberá alunos do Propaz, integrando e desenvolvendo o potencial artístico desses alunos.


(Diário do Pará)

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