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Grupos folclóricos apresentam a lenda do boi-bumbá

sexta-feira, 14/06/2013, 07:27 - Atualizado em 14/06/2013, 07:27 - Autor:


A lenda do boi-bumbá conta a história de Pai Francisco e sua esposa Catirina que, grávida, deseja comer a língua de um boi. Para satisfazê-la, o marido mata o primeiro boi que encontra e depois descobre que o animal era de estimação da esposa de um fazendeiro. Após descobrir o que aconteceu, o fazendeiro procura o Pai Francisco e diz que quer o boi vivo de novo. Então, o casal decide procurar um pajé para ressuscitar o bicho. 


Integrante da cultura popular brasileira, a tradição do boi-bumbá é uma das mais praticadas no Pará onde vários grupos se preparam durante meses para as apresentações. Alguns deles irão se apresentar a partir de hoje no projeto Paixão do Boi, da Secretaria de Cultura do Estado do Pará, na Estação das Docas. A programação começa às 18h com Cordão de Oncinha e Boi Resolvido, de Icoaraci, e o grupo parafolclórico Noaruakes, de Ponta de Pedras. A entrada é franca. 


Um dos grupos a se apresentar dentro da programação é o Cordão do Boi Vaquinha Mimosinha, de Icoaraci, que, assim como outros, é formado por crianças da comunidade. Criado há oito anos por dona Cristina do Socorro, o Vaquinha começou com 10 crianças. Aos poucos, outras crianças passaram a procurar o grupo e hoje ele é formado por 25 meninos e meninas, de 4 a 12 anos. 


“Tem muita criança e pai que procura a gente para participar, mas não podemos aceitar todo mundo porque nós mesmos que bancamos o Vaquinha”, conta dona Cristina. Como as crianças são de famílias carentes da comunidade, a organização do Boi realiza bingos e rifas para conseguir comprar os figurinos, já que o apoio oferecido pela prefeitura não é suficiente para arcar com os custos. “Nós ajudamos do jeito que podemos”, diz a fundadora. 


Mesmo com a rotina de ensaios e apresentações, o Vaquinha, junto com o apoio dos pais, procurar estimular as crianças a estudar e ser bem-sucedidas na escola. “A gente costuma dizer que quem tiver a melhor nota vai ter também a melhor fantasia e aquele que tirar nota baixa não vai poder ir para Belém, daí eles procuram estudar mais, se esforçar”, revela Cristina. O Vaquinha Mimosinha se apresenta no Paixão do Boi no dia 21 de junho. 


Outro grupo que também se apresenta na Estação das Docas, no dia 23, é o Boi “Luar do Marco”, formado por crianças e adolescentes de 7 a 18 anos. Coordenado por Nilson da Silva, o grupo já existe há 13 anos e foi iniciado a partir de um projeto de revitalização da cultura no bairro do Marco. “As crianças foram gostando da brincadeira e a gente foi levando, levando até hoje”, conta Nilson.


Assim como o Vaquinha Mimosinha, o Luar do Marco precisou realizar vendas, promoções e rifas para conseguir bancar os custos das apresentações, mesmo recebendo apoio financeiro da prefeitura. No mês passado, quando já estava tudo pronto, o barracão do grupo sofreu um incêndio e parte do material foi perdido. “Tivemos que adiar o início das apresentações, mas deu tudo certo”, conta o coordenador. 


Tendo os pais como principais apoiadores do projeto, o boi do Marco tem como um dos princípios o bom desempenho das crianças e dos adolescentes na escola. “A gente sempre repassa aos pais que só dança com o boi quem estiver com boas notas na escola. Quem tira notas baixas é afastado por um tempo para se dedicar aos estudos, mas até hoje a gente nunca precisou fazer”, conclui Nilson. 


A programação do Paixão do Boi, que já existe há 15 anos, segue nos dias 15, 16, 18, 19, 20, 21 e 23, sempre a partir das 18h, na Estação das Docas. Além das apresentações de boi-bumbá, grupos parafolclóricos de Belém e do interior também compõem a programação. “Os grupos que se apresentam no projeto são os mais tradicionais do Estado. Alguns existem há 40, 50 anos e a gene os leva para dançar na Estação”, diz Nando Lima, coordenador do projeto. 


(Diário do Pará)

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