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Concurso de quadrilhas garante diversão

terça-feira, 11/06/2013, 07:48 - Atualizado em 11/06/2013, 07:48 - Autor:


Em meio à barulhada que toma conta da Praça do Povo, no Centur, algumas expressões de concentração e outras de inflamado entusiasmo se misturam. Depois de meses de ensaio, é chegado o grande momento: hora de mostrar ao público a sequência de coreografias que reverencia São João. As quadrilhas juninas chegam à décima edição do concurso estadual – que reúne cerca de 170 grupos de diversos municípios do Pará - numa profusão de cores, brilhos e passos animados. Em uma expressão conhecida por unir pessoas de diferentes lugares e idades, impressiona a forte adesão dos jovens. Afinal, o que chama a atenção da garotada?


Antonia Moraes tem somente 15 anos, mas já dedica oito deles à quadrilha. A jovem estudante de Icoaraci inclui os festejos juninos em sua lista de eventos preferidos do ano. “Eu adoro o Natal e a Festa Junina. Passo meses esperando para começar a ensaiar. É um momento em que os amigos se reúnem para brincar junto. Pensamos em cada coreografia, nas roupas e acessórios. É divertido demais!”, garante a paraense, que atualmente dança na Expresso Junino.


Enquanto Antonia conversa com nossa equipe exibindo sorrisos, seu parceiro, Leonardo Júnior, de 17, carrega no semblante certa preocupação. Leozinho, como é conhecido pelo grupo, leva a sério a competição. “Estamos há pelo menos dois meses trabalhando juntos. O legal é que é tudo muito saudável, mas a vontade de todos é ganhar, não é?”, diz o jovem. Para a mãe de Leonardo, é um orgulho ver a dedicação do filho. “Eu gosto que ele se envolva com a quadrilha porque é algo que vejo que faz bem a ele. Exige disciplina e ele tira de letra”, diz Augusta Soares.


Flávia Almeida retoca a maquiagem minutos antes de adentrar o salão. Dançarina da Igara, de Igarapé-Mirim, a jovem de 18 anos mentaliza os passos que terá que cumprir com precisão logo mais. “Eu adoro dança. Quadrilha é legal porque parece também um esporte, então une duas coisas que gosto bastante. É muito emocionante quando você vê todo mundo dançando junto, enche o coração de alegria”, relata a estudante.


ALEGRIA


Suados, ofegantes e correndo atrás de conseguir uma água. Mesmo muito cansados, as crianças e os adolescentes que compõem os grupos de quadrilha que se apresentam no Arraial de Todos os Santos do Centur, continuam animados, trocando comentários e tirando fotos com os familiares. A adrenalina do momento parece não ter fim. 


“Eu danço na quadrilha porque é divertido, eu me sinto alegre por estar aqui”, diz Janile dos Santos, 12 anos, integrante da quadrilha Sedução Junina, da Vila de Joanes, em Salvaterra. A menina quase precisou sair da quadrilha a pedido da mãe. “Ela queria que eu não dançasse esse ano por causa dos estudos, eu não estava me dedicando tanto. Mas aí eu corri atrás, estudei e minha mãe me deixou ficar”, conta. 


Além da dificuldade em conciliar ensaios e estudos, os jovens que participam das quadrilhas ainda precisam encontrar uma maneira de arcar com os custos do figurino e da viagem até Belém. “Muitas famílias não têm como pagar essas coisas, então a nossa coreógrafa organiza bingos e rifas pra conseguir dinheiro”, revela Janile. 


Assim como Janile, outros jovens passaram a participar das quadrilhas por influência dos amigos, como é o caso de Valdeci Assis, de apenas 11 anos e marcador da quadrilha Explosão de Alegria, também de Salvaterra. Já considerado um veterano por atuar como marcador há quatro anos, Valdeci é um dos mais animados durante a apresentação. “Um marcador precisa ter atenção aos passos e tentar dar conta de toda a quadrilha”, explica o garoto, que pretende ainda dançar com um par na quadrilha. 


Experiência que o pequeno Jorge Luan, de 9 anos, já pode contar à família e aos amigos. Estreante em uma quadrilha e, diferente de muitos dos outros colegas, levado pela mãe para participar, o menino já tomou gosto pela tradição. “Foi um pouco difícil de aprender as coreografias, mas para mim foi bastante legal”, conta Luan. 


A Miss da Explosão de Alegria, Izadora Silva, de 13 anos, também estreou agora. “Eu me sinto privilegiada e orgulhosa de poder representar a minha cidade”, diz a menina, que foi escolhida por voto para ser Miss. “É tipo uma competição mesmo, gostei de participar”, conta. Também levada até a quadrilha por convite dos amigos, a menina ainda pretende participar do grupo. “Eu quero continuar a dançar nos próximos anos”, planeja Izadora


Criatividade é a marca registrada na disputa 


Nem a chuva do último domingo (9), afastou o público que foi prestigiar mais uma etapa do X Concurso Estadual de Quadrilhas, promovido pelo governo do Estado. A Praça do Povo, no Centur, estava tão movimentada, que havia uma fila do lado de fora do evento. Magia Junina (Vigia), Caipiras Mirins (Salinópolis), Arrastão Junino (Cidade Velha), Rosa de Pra ta (Barcarena) e Revelação Junina (Quatipuru) foram alguns grupos que se apresentaram em busca do título de melhor quadrilha do Arraial de 2013. 


A criatividade das apresentações já se tornou marca registrada e o principal atrativo do concurso, despertando a curiosidade principalmente das crianças. O casal Whashington e Gisele Moraes, levaram a pequena Yasmin, de um ano e quatro meses, para prestigiar o evento. “Eu trouxe ela ano passado, quando ainda era um bebê, e este ano viemos de novo. E ela tá se divertindo muito, não para!”, aponta a mãe, enquanto a criança corria em direção ao parquinho. 


Assim como Yasmin, disposição não faltou às quadrilhas que se apresentaram naquela noite. A turma dos Caipiras do Sal estava prestes a se apresentar e, em seguida, pegar a estrada rumo a Salinópolis, mas não tiravam o sorriso do rosto. Faltando cinco minutos para entrarem em cena, eram só euforia, nervosismo e bom humor. “Em 2011 ficamos entre as dez quadrilhas colocadas e este ano a gente veio para ganhar!”, afirmou João Peres, organizador do grupo. Foi a quarta vez que a quadrilha, fundada em 2004, participou do concurso, trazendo este ano uma coreografia conduzida ao som de “A puxada”, de Dominguinhos. 


A brincante Alessandra dos Santos, 22, que se apresentaria pela primeira vez em um concurso junino não conseguia conter a emoção. “Essa é a primeira vez na vida que eu participo de uma quadrilha. Mas gostei tanto de tudo isso, que essa vai ser só a primeira de muitas outras vezes. Estou bastante ansiosa, foram dois meses de ensaio e temos tudo para ganhar!”


Atrás dos Caipiras do Sal, a equipe do Baião de Ouro, repassava alguns passos da apresentação, um pou-pourri com todas as coreografias dos últimos 15 anos do grupo. “São passos tradicionais, mas em um formato moderno, bem elaborado”, explica Diogo Cadete, vice-presidente. A performance, em comemoração ao aniversário do grupo, fundado no bairro do Mangueirão em 1998, trouxe elementos inusitados, a exemplo da construção de uma fogueira durante a apresentação. “Todo aniversário é comemorado com um bolo. No nosso caso, é com uma fogueira, que é o principal símbolo do arraial”, brinca. 


Já os Roceiros da Amizade, do bairro da Sacramenta, apostaram em uma performance híbrida, inserindo nos passos tradicionais, elementos de Balé clássico. “Desde que montamos o grupo, em 2011, que fazemos esta mistura. E este ano vamos fazer de tudo para ganhar”, garante a brincante Aline Nascimento, 25.


(Diário do Pará)

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