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Contação de histórias fascina em qualquer idade

terça-feira, 11/06/2013, 07:41 - Atualizado em 11/06/2013, 07:41 - Autor:


Durante quase uma hora, não dá para saber ao certo quem mais se diverte. Se são os pais ou os filhos. Eles riem, cantam, incorporam personagens, respondem às perguntas e interagem com os bonecos da contação de história “O casamento na roça”, readaptada pela atriz Ester Sá no auditório do Centro Cultural Sesc Boulevard no último sábado (8).


No palco, a atriz, três bonecos, um pano e um pandeiro dão vida ao tradicional conto de São João de uma maneira divertida e animada que deixa aquele desejo de quero mais no público. Lá dentro, crianças e, principalmente, os adultos parecem ter deixado de lado todas as preocupações e urgências do dia a dia. “Hoje é tudo tão corrido, com tanta coisa para fazer e se preocupar, que as pessoas até esquecem o quanto é bom brincar”, analisa a atriz. 


Para ela, o mais importante de momentos como esse é ver os pais envolvidos com os filhos. “Eu não gosto de pai e mãe que deixa a criança brincando sozinha e sai para fazer outras coisas. É importante que o pai participe do universo da criança e eu ganho o meu dia quando vejo isso acontecer aqui”, desabafa Ester. Quando a atriz se ofereceu para apresentar a história do casamento na roça, não fazia ideia da proporção que iria tomar depois de pronto. “Eu vendi como uma contação, mas acabou se transformando em um espetáculo.” 


Arte imprescindível na educação infantil


A fragilidade por estar sozinha no palco transforma-se em força em ocasiões como essa. “O espectador torna-se o teu cúmplice, ele passa a ser parte integrante do espetáculo”, explica Ester. Por ocorrer todos os sábados, o Sesc Boulevard já possui um público cativo que participa sempre da contação de histórias, como é o caso de Larisse Torres, mãe de João Marcelo, de apenas 3 anos, um dos que mais interagiram durante a peça. “Nesse mundo tomado pelas tecnologias em que as crianças só querem saber de computador e videogame, é importante mostrar que contar e ouvir histórias também é uma forma de brincar”, opina Larisse. 


Outra que sempre vai à contação é Geovanna Souza, de 9 anos. “Ainda não conhecia a história do casamento na roça, achei muito bacana”, conta. Para Aline Souza, mãe da menina, o teatro com bonecos realizado por Ester Sá é um meio válido e divertido de conhecer as manifestações culturais do país. “É bom para a criança saber e participar da cultura. A escola não estimula tanto essa parte cultural, não costuma levar as crianças para esses locais. Então, eu costumo trazer a Geovanna aqui para que ela tenha essa vivência, essa cultura e, de alguma forma, isso vai ser passado para as outras crianças que convivem com ela”, justifica Aline. 


Além de contribuir para o fortalecimento da relação familiar, a contação de história atua de outras formas no crescimento e desenvolvimento da infância. É o que explica a atriz, pedagoga e arte-educadora Zezé Caxiado, que coordena o Núcleo de Artes do colégio Ideal Jr. “A arte provoca nas crianças o prazer e o entretenimento. Quando aplicada com responsabilidade, promove o engrandecimento da pessoa. Nas oficinas que ministro, temos muitos exemplos da transformação que ocorre nos tímidos e nos solitários, por exemplo”, conta Zezé. A arte que possibilita para a criança o aprendizado e a absorção dos valores ensinados pelos contos infantis. “Ler arte para uma criança é entusiasmá-la e botar o desejo pela compreensão das letras das imagens. E, quando encenamos, proporcionamos ainda um mergulho nesse mundo imaginário”, diz a arte-educadora. 


No entanto, mesmo que muitas vezes seja feita de forma simples, narrar uma história exige do contador entender a responsabilidade da ação. “Contar, encenar, dançar ou pintar uma história é imprescindível na educação infantil. Tem que viver, se emocionar com o que lê ou com o que conta para os pequenos”, avalia Zezé. 


A atriz Adriana Cruz, da companhia de teatro de bonecos In Bust, também trabalha com contação de histórias e possui técnicas específicas de preparação para esses momentos. “A gente não conta a história como quem abre um livro, há uma preparação antes. Às vezes, a gente até escreve as histórias que serão contadas”, diz a atriz, que lançou na última Feira Pan-Amazônica do Livro o conto “Viagens do Zé Mururé”. “A profissão de contador é uma maneira de estimular a leitura. A contação de história é universal, não tem idade. É um momento de congregar, de juntar pessoas pela narrativa”, analisa Adriana. 


Para Adriana, contar uma história é algo diferente de fazer um espetáculo teatral. “Na contação, a força está na palavra muito mais que no gesto e na imagem. Eu me coloco a serviço dessa narrativa como atriz”, diz. A frase final do repente composto e cantado por Ester no último sábado resume o que significa contar histórias para crianças e também para os adultos. “Acendeste a fogueirinha dentro do tu teu coração para nunca se esquecer do quanto brincar é bão”. 


AGENDE-SE


Pensando no papel que a contação de histórias ocupa na vida de crianças e adultos, o Centro Cultural Sesc Boulevard promove de 13 a 15 deste mês a oficina “Contar histórias elementais para a vida”, com o professor e educador Alci Santos. Nos dias 13 e 14 a oficina será das 14h às 17h e no dia das 8h às 11h. Logo em seguida haverá o momento de culminância da oficina com uma roda onde os participantes serão os contadores. 


Além do Sesc Boulevard, que promove a contação de histórias todos os sábados, às 11h, outros locais de Belém também possuem uma programação periódica de contação. Aos sábados, às 18h, o espaço infantil da Saraiva MegaStore, no Boulevard Shooping, realiza contação de histórias em parceria com o Colégio Ideal Jr. Aos domingos, às 10h, o Mangal das Garças e a Estação das Docas promovem momentos de contação de histórias. Todas as programações têm entrada franca.


(Diário do Pará)

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