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Quadrilhas juninas brilham na Praça do Povo

terça-feira, 04/06/2013, 09:25 - Atualizado em 04/06/2013, 09:25 - Autor:


No espaço reservado à concentração dos brincantes de quadrilhas que disputam o título de melhor do estado, a pequena Alice Beatriz Azevedo, 10 anos, retoca a maquiagem. As cores fortes impressas no rosto da garota destoam da figura ingênua e tímida. É a primeira vez que a pequena quadrilheira compete como miss caipira no concurso. Apesar do visível nervosismo, a destreza nos movimentos ensaiados sob os olhos atentos da coordenação do grupo demonstra a força e a garra com que a menina pretendia entrar no salão. “Quero dar o meu melhor”, confessa Alice.


Passa das 19h quando o puxador da quadrilha “Frutos dos Ídolos” ciceroneia Beatriz em frente ao trio de jurados. Logo nos primeiros acordes da canção, ela mostra a que veio e arranca gritos da plateia. 


Assim como a garota, outras 12 misses-mirins se apresentam naquela noite de 2 junho de 2013, durante mais uma etapa do X Concurso Estadual de Quadrilhas promovido pelo governo do Pará, por meio da Fundação Tancredo Neves, na Praça do Povo, no Centur. Na mesma noite, também competiriam outras quatro quadrilhas-mirins e sete adultas.


Ainda sem fôlego, o jovem Geovani Silva, 14 anos, tenta explicar, logo após a apresentação da quadrilha “Explosão do Amor”, os motivos que o levaram até ali. “Somos todos lá do bairro da Matinha [Fátima], a gente já se conhece, somos uma família. Sou da quadrilha há cinco anos e quero levar esse título pra casa”, argumenta, enquanto enxuga o suor do rosto. Em meio a abraços, sorrisos e muitos parabéns, os membros da “Explosão” são recebidos com festa do lado de fora do salão por familiares e admiradores do trabalho da equipe.


DIVERSIDADE


A entrada gratuita permite ao evento uma pluralidade de público. As arquibancadas, dispostas rigorosamente no entorno do salão de apresentações, lotam durante toda a noite, assim como a praça de alimentação e o espaço atrás do palco, onde fica o corpo de jurados. “A estrutura nos permite passear, olhar quadrilhas, comer e socializar com outras pessoas, estou impressionada. É a primeira vez que venho com minha família. Tinha certo receio por ser algo aberto, mas vejo que tem muita segurança. É uma festa linda e bem organizada”, elogia Ana Maria Tavares, 41 anos, enquanto tenta conter o filho de sete anos que grita apontando para o balão colorido de um vendedor ao lado.


As comidas típicas, aliás, são atrações à parte. Nas barracas, é possível encontrar mingau de milho, maniçoba, vatapá, tacacá, bolo de fubá, cocada e outras dezenas de guloseimas que são a cara do período de São João. “Vou confessar que vim só para comer algumas coisas da época. Mas passei por ali e já sacudi o corpo ao som das músicas das quadrilhas, vou já lá para ver se eles estão fazendo direitinho como na minha época”, diz em meio a gargalhadas a dona de casa Odete Figueiredo, 47 anos.


SOCIAL


Há três anos, o professor de geografia Andrey Miller, 35, percebeu na escola onde ministrava aulas para o ensino médio, no município de São Sebastião da Boa Vista, que muitos alunos homossexuais sofriam preconceito e bullying. “Eles começaram a se rebelar contra a direção. Era um caos estabelecido”, lembra. Na tentativa de resgatá-los para a sala de aula, ele iniciou um diálogo para compreender o que eles queriam. “Vi que era algo cultural, então optamos pela dança, até chegar à quadrilha”, completa Andrey.


Esse foi o primeiro ano da quadrilha “Encanto Junino do Marajó” no concurso da fundação. Composta, em sua maioria, por gays e lésbicas, a proposta é levantar a bandeira da diversidade, literalmente. O emblema da escola foi costurado em cima da bandeira do arco-íris, símbolo da comunidade LGBTT. “Hoje é possível fazermos um trabalho de conscientização entre os outros homossexuais que chegam até nós. Mas queremos também fazer nosso melhor e levar o título, definitivamente estamos na disputa”, destaca o brincante Cristiano Machado, 21 anos.


Os recursos que possibilitaram a presença da quadrilha no concurso saiu do bolso de cada um dos brincantes, a maior parte do coordenador. “Estamos hospedados no mesmo barco que nos trouxe. Ele pertence a uma senhora que vendeu a passagem fiado para pagar em 30 dias. Não temos ajuda de ninguém, nem poder público, nem patrocínio. Ajuda só de Deus e da nossa vontade de ganhar”, reitera Andrey.


(Diário do Pará)

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