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Cineclube exibe hoje ‘O Vídeo de Benny’

segunda-feira, 03/06/2013, 07:36 - Atualizado em 03/06/2013, 07:36 - Autor:


"O Vídeo de Benny", dirigido pelo cineasta austríaco Michael Haneke em 1992, é o longa em cartaz hoje no Cineclube Alexandrino Moreira. A exibição começa às 19h e, logo depois, haverá debate com membros da Associação de Críticos de Cinema do Pará (ACCPA).


No longa, ele lança um desafio para a plateia: ou a sociedade se prepara para receber de forma crítica e estética o turbilhão de imagens ininterruptas recebidas diariamente pelas nossas retinas, ou ficaremos eternamente reféns de um falso deslumbramento diante das novas tecnologias, em novos suportes e aplicativos que tentam oferecer uma satisfação ilusória, indiferente à violência nossa de cada dia, à violência ao redor.


Em “O Vídeo de Benny”, a “naturalidade” compartilhada pelos membros de uma família aparentemente acima da qualquer suspeita, traz o germe de uma violência que passa de geração em geração. O ovo da serpente está no interior da própria casa, e, a princípio, não se sabe ao certo como reagir diante do inevitável, afinal de contas, Benny, (assim como Kevin, do filme de Lynne Ramsay) é menor de idade, numa discussão que tem tomado de assalto (literalmente) os meios de comunicação, os meios juristas e a internet.


A manipulação doméstica da imagem foi também um dos temas explorados por Michael Haneke em Caché (2005), em que o estatuto da imagem em movimento ou estática (câmera fixa), agora, com a suposta democratização e acesso das novas tecnologias, está (de forma onisciente), a serviço dos todos os fetiches, todas as perversões e registros ao vivo da capacidade humana de construção e destruição das próprias imagens geradas, as quais testemunham a ascensão, queda e continuidade de sociedades ultraviolentas, em fotogramas também já vistos no cinema de Stanley Kubrick em “Laranja Mecânica”, em adaptação da obra homônima de Anthony Burgess; “Bully”, de Larry Clark, adaptação cinematográfica para o livro de Jim Schutze; “Cidade de Deus”, de Fernando Meirelles e Kátia Lund, para o livro homônimo de Paulo Lins, entre outros títulos.


Longe de ser pessimista, o cinema de Michael Haneke traz para a tela o tema da violência inerente ao ser humano com um estilo austero, rigoroso e bem distante da violência glamourizada, publicitária e autorreferente. Recorrendo ao tradicional uso do flash back para resolver a trama por meio de outro plano de uma mesma sequência, “O Vídeo de Benny”, por fim, amplifica (pela técnica da repetição) os detalhes sórdidos de um diálogo inacreditável entre os personagens criados por Haneke, ratificando o talento do diretor para soluções surpreendentes. 


(Diário do Pará)

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