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Diretor André Marçal discute a violência doméstica

sábado, 25/05/2013, 09:59 - Atualizado em 25/05/2013, 09:59 - Autor:


Dan é um jovem entregador que vive de forma bem pacata em Belém. Ele trabalha ao lado de dois dos seus melhores amigos, Ringo e Lu, com os quais treina kung fu nas horas livres. Só que um belo dia, faz entrega na casa de Shirley e se depara com uma triste situação. Ela é vítima de um homem e Dan vai fazer de tudo para ajudar, por mais que não tenha nada a ver com a história. É nessa trama que o espectador se envolve em ‘Abra os olhos’, média-metragem de André Marçal que estreia hoje no Cinema Olympia, às 17h45. A entrada é franca.


O filme entrega aquilo a que se propõe: um entretenimento de qualidade que acaba nos fazendo pensar sobre a questão da violência doméstica. A produção foi feita de forma totalmente independente e com alguns apoios importantes, que o levaram a estrear essa semana na cidade. Após uma exibição para imprensa e os convidados, a grande prova de fogo do média é hoje, quando a sua mistura de kung fu, drama com momentos engraçados e crítica social estará na tela do centenário Cine Olympia. É ver com os próprios olhos.


Tocado pela realidade que o cerca, André resolveu transpor alguns dos dramas das vítimas de violência doméstica para a tela grande. O paraense, na segunda empreitada cinematográfica, estrela, roteiriza e dirige “Abra os olhos”.


André Marçal, que também trabalha na área da saúde pública desde 2003, resolveu trazer um pouco da experiência do trabalho para o ofício no cinema. “No meu trabalho como assistente social ouço muitas narrativas e também vejo situações difíceis. A violência doméstica sempre me intrigou e eu queria mergulhar nesse tema e provocar uma reflexão, utilizando uma história que conectasse as pessoas a esse tema”, conta Marçal.


KUNG FU


André procura incluir em suas produções cenas de luta em coreografias elaboradas. “Pratico artes marciais desde criança e o kung fu há 13 anos. É uma filosofia muito forte na minha vida e no caso de ‘Abra os Olhos’, essa referência serve para personificar os sonhos, uma metáfora, os momentos onde o meu personagem, Dan, extravasa e tenta vencer os desafios”, explica o diretor, que é faixa preta em kung fu e também responde pela criação das coreografias nas cenas.


Na história, a luta entra de forma verossímil. Dan e os colegas de trabalho numa loja de eletroeletrônicos, Lu (Luiz Guerreiro) e Ringo (Leo Wukong), se conhecem há tempos e treinam juntos. “O filme não é de artes marciais, mas o tem como entretenimento, aventura, inclusive para tentar quebrar esse estigma de que os filmes do gênero são limitados artisticamente. A minha pretensão é a aproximar o público da realidade através da ficção, mas quebrando um paradigma em relação aos filmes de ação produzidos por aqui, mostrando que é possível fazer bem feito”, conta Marçal.


E para fazer esse filme, ele precisou formar um grupo de trabalho em Belém. Como esteve fora, André Marçal perdeu contato com os profissionais locais e foi achar colaboradores em locais inusitados, como o Pronto-Socorro Municipal. “Nos conhecemos lá, em meio ao expediente e quando ele soube que eu era atriz me chamou para atuar no primeiro curta dele. Ele não conhecia ninguém aqui e eu fui chamando gente para nos ajudar no filme”, lembra Nany Figueiredo, a agente de saúde pública, que volta a atuar em ‘Abra os olhos’ como a vítima Shirley.


Desde que leu o roteiro no ano passado, Nany Figueiredo buscou pesquisar e se preparar para a personagem observando e recolhendo coisas e situações que iam chamando a atenção. “Na semana passada, uma assistente social me relatou a história de uma mulher que suportou a violência tanto tempo que, um dia, ‘explodiu’ e acaba matando o marido que batia nela”.


A ideia do argumento do média metragem só se concretizou quando houve uma alteração na Lei Maria da Penha (11.340/2006). “Foi quando surgiu um adendo à lei autorizando qualquer pessoa a fazer uma denúncia sobre violência doméstica é que achei que essa importante informação precisava ser divulgada para o público geral e que o cinema seria uma boa forma de fazer isso”, esclarece André.


(Diário do Pará)

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