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III Encontro Contemporâneo de Dança começa hoje

sexta-feira, 24/05/2013, 07:58 - Atualizado em 24/05/2013, 07:58 - Autor:


Na dança, o corpo é o principal meio de expressão, de comunicação com a realidade, de diálogo de sentimentos entre o artista e o público. E com a dança contemporânea essa possibilidade de utilização corporal tornou-se ainda mais visível e essencial e é para discutir esses e outros aspectos que começa hoje e vai até domingo, 26, o III Encontro Contemporâneo de Dança no Instituto de Artes do Pará (IAP) e no Teatro Waldemar Henrique. 


Organizado pela Cia. Experimental de Dança Waldete Brito, o encontro traz uma programação com oficinas, mesas de debate e espetáculos. A abertura será hoje, às 19h, no Teatro Waldemar Henrique, seguida da mesa temática “Companhias independentes de dança: desafios da produção cênica em mais de uma década”, com Jaime Amaral, João Andreazzi, de São Paulo, e Waldete Brito. 


Às 20h, serão apresentados os espetáculos “Enquanto instante”, da Companhia Moderno de Dança, “Eutônus”, da Ribalta Cia. de Dança e “Redemoinho” apresentado pelo Grupo Coreográfico da UFPA. Amanhã, a programação continua às 9h no IAP com a oficina de crítica cultural, ministrada pelo jornalista Ismael Machado, e às 10h30, com a oficina de dança contemporânea, ministrada por João Andreazzi (SP). 


No Waldemar Henrique, a programação de amanhã começa às 18h, com a mesa de debate “Os desafios da produção cultural”, com Tânia Santos. Em seguida, às 20h, haverá apresentações da Companhia de Ballet Jaime Amaral, com “Matintas”, Companhia Mirai de Dança, com “Cinesiofagia urbana”, e Companhia Compassos de Dança, com “E se as cabeças fossem quadradas”. 


No último dia, o encontro inicia às 9h no IAP, com as oficinas de crítica cultural e dança contemporânea. Às 18h, o Teatro Waldemar Henrique recebe a mesa de debate “Dança e políticas públicas”, com Ana Claudia Costa. Às 20h, a Cia. Experimental de Dança Waldete Brito apresenta o espetáculo “(Des)Vestido”, inspirado no poema “O caso do vestido”, de Carlos Drummond de Andrade. O III Encontro Contemporâneo de Dança encerra com “LA.B”, solo de improvisação de João Adreazzi. 


INTERCÂMBIO


Membro da Cia. Corpos Nômades, de São Paulo, o pesquisador, diretor e intérprete-criador João Andreazzi vem a Belém para fazer uma troca de experiências e técnicas. Na oficina que começa a ministrar amanhã no IAP, Andreazzi irá buscar a possibilidade de ampliar a utilização corporal, considerando as composições esqueléticas, musculares e respiratórias de cada participante. 


“Nós vamos utilizar muito o chão como espaço de experiência e também exercitar a parte criativa para a construção cênica e a improvisação”, explica o bailarino em entrevista por telefone ao VOCÊ. A ideia é fazer do corpo um intérprete na criação dramatúrgica da dança contemporânea, um dos motivos pelos quais o encontro é voltado a estudantes de dança, bailarinos, professores, coreógrafos e artistas em geral. Com 24 anos de carreira e desde 1995 trabalhando com o grupo Corpos Nômades, João Andreazzi conta que a companhia, com sede na Rua Augusta, de São Paulo, costuma utilizar algum autor da literatura brasileira para a construção dos espetáculos, além de ter na improvisação a liberdade de expressão corporal. É a própria realidade do lugar onde trabalham que inspira a criação das produções. 


“LA.B”, que será apresentado no último dia do encontro, tem como base técnicas e procedimentos criados para o espetáculo “Na infinita solidão dessa hora e desse lugar”, inspirado no texto de Bernard-Marie Koltès e na própria Rua Augusta, point da juventude paulistana. Para Andreazzi, a dança contemporânea caracteriza-se pela possibilidade de ampliar o entender e o sentir do corpo. “A dança contemporânea pensa mais no ser e no estar do corpo, no próprio existir do corpo. A gente considera o aqui e o agora e tem a capacidade de pensar no verbo e na ação”. Por isso, as coreografias são mais soltas e passíveis de mudança a todo instante, dependendo do local, do público, do contexto em que são apresentadas. 


Para pensar a dança, discutir e trocar experiências


Realizado em 2006 e 2008, o encontro contemporâneo de dança busca promover o intercâmbio entre companhias que possuem trabalhos construídos diariamente nos espaços e ensaios, aperfeiçoando a utilização do corpo na cena e a técnica corporal. Nas duas primeiras edições, o encontro era promovido durante o período de três meses com debates, oficinas, grupos de estudos e processos de construção de projetos cênicos. 


Mesmo com um formato reduzido, o propósito da terceira edição continua a ser o de contribuir para a dança contemporânea da região. “O encontro tem como finalidade reunir algumas das principais companhias de dança de Belém que trabalham com pesquisa em dança contemporânea, além de fortalecer e dar maior visibilidade às poucas companhias independentes que não possuem nenhum apoio para pesquisa, produção e circulação artística, mas que de algum modo têm conseguido sobreviver”, explica Waldete Brito, uma das coordenadoras do evento. 


A presença de João Andreazzi no encontro será importante para trocar experiências e conhecimentos sobre a dança e também sobre como companhias independentes têm se mantido em outros estados, a exemplo da Cia. Corpos Nômades, de São Paulo. “Não é apenas um encontro para a mostra de dança, mas, sobretudo, para discutir os caminhos das políticas públicas para a área da dança”, diz Waldete.


A coordenadora do evento revela que há alguns anos não é lançado no estado e no município um edital voltado especificamente para a dança e por isso as companhias precisam recorrer a editais nacionais para concretizar projetos artísticos. “Aqui em Belém, parece que há sempre um retrocesso no apoio às companhias de dança”, desabafa. Durante o encontro, será disponibilizada uma lista para colher assinaturas, que serão levadas posteriormente aos gestores do Estado e do município. 


PARTICIPE


III Encontro Contemporâneo de Dança. De hoje até o dia 26, no Instituto de Artes do Pará e no Teatro Waldemar Henrique. Ingressos para os espetáculos no teatro por R$ 10, com meia-entrada para estudantes. Mais informações no site http://www.ciaexperimentaldedancawb.blogspot.com.br/ e pelo telefone 3246-4698.


(Diário do Pará)

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