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Longa acerta ao exaltar o poder da emoção

quinta-feira, 16/05/2013, 10:31 - Atualizado em 16/05/2013, 10:31 - Autor:


Produzir a cinebiografia de um mito é tarefa complexa e controversa. De um lado há a quase certeza do retorno de mídia e - possivelmente - de público. Teoricamente seria mais fácil conseguir verba de patrocínio e espaço nos principais veículos de comunicação. O outro lado da moeda é que, por se tratar de um mito, é mais provável que não se consiga aplacar a sede dos fãs. Geralmente o fã se sente como proprietário do ídolo. Como alguém que conhece, entende e tem uma visão que só a si próprio pertence a respeito do objeto de seu culto-paixão.


É nesse sentido que o filme ‘Somos tão jovens’ tem sido alvo de críticas nas redes sociais. Ao contar a história da juventude de Renato Russo, no período que forjou a identidade do vocalista mais carismático da maior banda de rock do Brasil, o diretor Antônio Carlos da Fontoura correu o risco de ser, como de praxe ocorre, bombardeado. Críticas como a de ter feito um filme raso, com um Renato Russo caricato etc, foram algumas das críticas que recebeu.


Tem razão de ser? Não. O fato é que no Brasil sempre se pensa em cinema como se cada filme tivesse que ser a obra-prima definitiva. E não é o caso aqui. ‘Somos tão jovens’ é um retrato do que foi a gênese da Legião Urbana. Quem conhece a história da banda sabe que foi aquilo. Pelo menos foram as versões que se tornaram quase lendárias e que o próprio Renato Russo sempre tratou de glorificar, como o bom conhecedor das regras do jogo pop que era.


As cineobiografias de astros de rock não fogem muito do diapasão do que foi mostrado no filme de Fontoura. Quem quiser pode comparar com os filmes ‘O Garoto de Liverpool’ e ‘Backbeat’, que narram a história respectivamente de John Lennon e dos Beatles antes da fama. ‘Somos tão jovens’ não fica nada a dever a esses filmes. Assim como não perde em comparação com ‘Ray’, de Ray Charles ou ‘Johnny and June’, sobre Johnny Cash. E dá de dez a zero no ‘Runaways’, o filme que conta a história da banda que gerou Joan Jett e Lita Ford.
‘Somos tão Jovens’ acerta no alvo por ser, além de um filme sobre a banda que todos conhecemos e alguns amam odiar, um retrato digno de um período de transição de jovens da adolescência para a idade adulta. Estão ali, mesmo que em pequenas pinceladas, as angústias de um rapaz indefinido sexualmente, profissionalmente, socialmente, sentimentalmente e politicamente. Tudo o que viríamos a conhecer – e ter - de Renato Russo e Legião Urbana já se mostra naquele universo de pequenas discussões, de amargas decisões, de conflitos ideológicos que até podem parecer tolos e pueris, mas que, quem não esqueceu a própria adolescência, sabe o quanto são importantes naquele período.


Além disso, é um filme onde os dois atores principais, Thiago Mendonça, como Renato Russo, e Laila Zaid, como Aninha, a melhor amiga, surpreendem pela força emotiva que despejam em cada cena. Laila é uma luz no filme. E Mendonça surpreende com uma interpretação convincente de Renato Russo.


Os dois protagonizam talvez a mais emocionante cena de todo o filme, quando Renato canta ‘Ainda é cedo’ totalmente dedicado a ela. Um daqueles pequenos momentos em que o fã mais generoso consigo mesmo deixa que escorram lágrimas de genuína emoção. Fontoura fez um filme seguindo talvez o que de melhor a Legião Urbana tinha. O poder da emoção. Discussões sobre o roteiro do filme, sobre a não profundidade do personagem, sobre as qualidades técnicas da produção são típicas daquilo que certamente são a antítese do que a Legião Urbana sempre representou. Legião sempre foi mais emoção que técnica. Mais paixão que academicismos e mais sentimento que racionalidade. ‘Somos tão jovens’ faz ter vontade de novamente colocar um disco da Legião no aparelho de som e pela milésima vez tentar, mesmo que sem sucesso, imitar a dança de Renato Russo. No final, é isso que importa.


(Diário do Pará)

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