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O canto de Maria de Fátima

quinta-feira, 16/05/2013, 10:15 - Atualizado em 16/05/2013, 10:15 - Autor:


Entre a música popular brasileira e o canto que exalta a Deus, Fafá de Belém fez sua história. Com mais de 40 anos de carreira, a cantora paraense conseguiu alcançar o posto sonhado por tantos artistas promissores: cravar uma trajetória de conquistas, aclamada pelo público e pela crítica. Uma imagem construída não só pela seriedade com que faz seu trabalho, mas também pela personalidade forte e cativante – marcada, principalmente, pelo bom humor que se traduz em uma das gargalhadas mais conhecidas do Brasil.


E foi nesse clima descontraído que Fafá falou ao telefone com a reportagem do Você sobre seu novo projeto. Atolada em uma invejável agenda de shows e entrevistas, a cantora está em São Paulo, trabalhando na divulgação do EP “Amor e Fé”, lançado pela gravadora Universal. Ela lança mão da voz inconfundível para louvar Nossa Senhora de Nazaré e outras santas que, de acordo com a própria cantora, as acompanham desde a infância. “Minha família sempre foi muito religiosa, tanto que meu nome é uma homenagem a Nossa Senhora de Fátima. Então, essas imagens fazem parte da minha vida. Para mim, nada mais justo do que homenageá-las”.


Tudo começou em 1997, quando Fafá cantou ao papa João Paulo II a canção “Ave Maria”, de Franz Schubert. De lá para cá, ficou guardada a vontade de lançar um disco que reverenciasse as santas. Com a chegada do papa Francisco, ela decidiu finalmente tirar da gaveta o projeto e lançar o EP com outras canções. “Ele é um papa com olhar para a nossa América Latina e para os pobres. Isso me instigou a querer de novo mostrar minha esperança na Igreja Católica e no que ela pode fazer”, diz Fafá.


São quatro canções: “Ave Maria”, “Nossa Senhora”, “Gracias a la Vida” e “Eu Sou de Lá”. “Eu sempre quis gravar uma versão de “Ave Maria”, de Franz Schubert, em bossa-nova e chamei o compositor Dudu Falcão para isso”, revela a cantora. Ela também dedica o EP ao papel da Igreja de dar abrigo aos perseguidos pela ditadura militar na América Latina. “Violeta Parra, compositora de ‘Gracias a la Vida’, foi duramente perseguida no Chile”, completa. Roberto Carlos concedeu a canção “Nossa Senhora”, e “Eu Sou de Lá” foi um presente do padre Fábio de Melo.


A seguir, acompanhe a entrevista exclusiva que Fafá nos concedeu. No papo, ela fala sobre amor, fé e música. Confira:
EP com quatro faixas deve ser lançado em Belém no dia 9 de agosto, aniversário de Fafá
P: “Amor e Fé”. O que lhe motivou neste novo trabalho?
R: Bom, como sempre, este é mais um momento feliz da minha carreira. Cada vez que você finaliza um trabalho é assim. A ideia surgiu depois que cantei “Ave Maria” para o papa João Paulo II, lá na Espanha, a convite do Vaticano. Aquilo me acendeu uma luz de que era hora de fazer um trabalho mais específico. Só que com agenda de shows e outros compromissos, fui adiando o projeto. E foi a nomeação do papa Francisco que me trouxe de volta para esta ideia. Sempre acompanhei a trajetória dele, admiro principalmente o trabalho que ele tem com os pobres. Isso me fez ter vontade de novamente mostrar meu amor pela Igreja.

P: Então dá para dizer que o disco tem uma inspiração “político-religiosa”?
R: Com certeza. O novo papa ser da América Latina e ter um trabalho voltado para os pobres deu uma reviravolta na minha cabeça. Quis reverenciar essa luta da Igreja e pensei bastante também na história de luta que temos em nosso continente, que já sofreu com diversas opressões, como as ditaduras. Esse contexto político local foi fundamental para que eu tomasse a decisão de voltar a este projeto agora.

P: Como trata-se de um EP com quatro músicas, imagino que o processo de produção tenha sido mais rápido do que de um disco...
R: Realmente, foi bem rápido. Eu não sou muito de estúdio, gosto mesmo é do palco – isso sempre me atrapalha(risos). Era para o EP sair em julho, para a Jornada Mundial da Juventude, que vai ser no Brasil, mas aí decidimos antecipar o lançamento para o Dia das Mães. Foi somente uma semana em estúdio, numa correia maluca (risos). Foram disponibilizadas 40 mil cópias na pré-venda, sendo que toda renda adquirida de execução pública e venda da canção “Eu sou de Lá” vai para a Arquidiocese de Belém. E ainda corremos com a produção do clipe de “Nossa Senhora” que será lançado em breve, no Brasil e em Portugal. Ah, e a capa é do Guilherme Liturgo e sem photoshop, certo?! (risos).

P: Você é uma cantora de MPB, mas sempre se mostrou também muito ativa dentro da música religiosa. De onde vem essa vontade de cantar para Deus?
R: Isso vem de berço mesmo, literalmente. Aos sete anos, meu pai contraiu tifo e prometeu a Nossa Senhora de Fátima que batizaria sua primeira filha em sua homenagem. E aqui estou eu(risos). Mamãe também era devota de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Enfim, a Igreja sempre esteve dentro da minha vida, da minha casa. Então, mesmo tendo diversas referências sonoras para minha trajetória, sempre tive um espaço especial em meu coração para a minha crença. Aí ainda temos a Nossa Senhora de Nazaré, não é? Ela me conduz desde sempre. Tanto que todos os anos faço questão de manter meu espaço no Círio de Nazaré. Então mesmo tendo uma carreira que se esvai para vários lados, eu sempre dedico um pouco do meu dom à minha religião.

P: Como o seu lado religioso lhe ajudou na carreira como cantora pop?
R: Nossa, em muita coisa! Eu era muito jovem, tinha apenas 18 anos quando comecei a cantar, e foi essa relação com a fé que me ajudou a ser centrada e não me deslumbrar com as coisas que vinham fáceis para os artistas. A força da minha personalidade, de eu bater o pé pelo que quero e sempre tentar ser justa, tem a ver com minha formação em casa, que inevitavelmente passou pela minha formação religiosa também.

P: Lançamento do novo EP, shows... Como está a sua agenda? E Belém, quando recebe o novo trabalho?
R: O EP foi lançado em São Paulo no dia 12 agora, no encerramento das festividades comemorativas ao dia das mães, organizado pela prefeitura de São Paulo. Minha ideia é lançar o EP em Belém em agosto, se conseguir ser dia 9, dia do meu aniversário, melhor ainda! Também estou me preparando para lançar três discos da minha carreira em Portugal, Fico por lá até dia 11 de junho e depois vou para Angola, ser madrinha de uma ação relacionada às crianças que trabalham em minas. Em outubro, estou de volta à terrinha, como sempre. O Círio é o que nunca pode ser removido do meu calendário (risos).


PARA OUVIR


O EP “Amor e Fé” está disponível na página do iTunes da cantora. Confira: http://goo.gl/rm6gq.
Faixas:
1. Nossa Senhora
2. Ave Maria
3. Gracias A La Vida
4. Eu Sou De Lá


(Diário do Pará)

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