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Mais perto do paraíso

terça-feira, 14/05/2013, 07:43 - Atualizado em 14/05/2013, 07:45 - Autor:


Rios espectrais de um azul profundo. Céus nublados e melancólicos. Matas manchadas de negro. Em “Silêncio...”, exposição que será aberta ao público hoje, o fotógrafo Octavio Cardoso transforma a Amazônia em um ambiente alienígena. “Não tenho nenhuma intenção de documentar a região. Essas fotos dizem mais respeito a mim do que a paisagem que retratam”, afirma o paraense de 50 anos.


As imagens produzidas em Santarém, Conceição do Araguaia e na Ilha do Marajó, interior do Pará, foram subvertidas com a ajuda de filtros digitais. O resultado é uma estranha mistura do natural e artificial, recriando a floresta em composições monocromáticas que oscilam entre o azul e o laranja.


“São refúgios da realidade, locais imaginados longe da loucura que é a vida na cidade, do caos que é Belém. É a minha tentativa de arrumar esse mundo para algo mais harmônico, mais tranquilo. Ao ponto de parecerem lugares irreais, de tão quietos”, define o editor de fotografia do DIÁRIO.


Acostumado com os prazos apertados das agências de publicidade e as pautas para ontem da redação, não é de se admirar que o fotógrafo prefira desacelerar em seus projetos pessoais. “Eu não consigo fotografar no dia a dia. Preciso estar desligado da minha rotina. Preciso estar em sintonia, sem um milhão de coisas na cabeça, sabe?”, revela.


“Silêncio...” é um projeto que também seguiu um tempo particular, sem pressa, para ficar pronto. As 15 fotos que compõem a mostra foram feitas em 2009, como parte da exposição “Lugares Imaginários”, fruto da Bolsa de Pesquisa Experimentação e Criação Artística do Instituto de Artes do Pará (IAP). Uma das imagens foi contemplada com o Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia de 2010, na categoria “Brasil Brasis”. O fotógrafo entendia que o tema deveria ser revisitado. 


No refúgio monocromático, a reflexão sobre o próprio fazer artístico 


“Após ‘Lugares Imaginários’, ficou a impressão de que o projeto deveria ser revistado. Daí o novo título, que remete à minha introspecção em torno do meu próprio trabalho. Eu encaro o ‘Silêncio...’ como parte do ‘Lugares Imaginários’, que por sua vez é uma evolução da minha experimentação do uso do preto e branco do início da minha carreira. Eu tive que adotar o colorido por uma questão de trabalho e passei a utilizá-lo na minha produção autoral. Mas eu o utilizei de forma seletiva, escolhendo cores como temas das fotos. É muito similar ao meu trabalho em preto e branco, a cor entra não para dar realismo, mas pra mudar a realidade”, explica.


PERCURSO 


Graduado em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Pará (UFPA), Octavio Cardoso começou a se envolver com a fotografia ainda nos seus tempos de universitário, nos anos 1980. Foi aluno de Miguel Chikaoka, frequentou cursos de formação na Fotoativa, na capital paraense. Isso abriu portas para que fosse assistente de Luiz Braga em 1987, período em que ingressou na publicidade. O começo no fotojornalismo veio antes, em 1985. Em 1990, associa-se a outros fotógrafos na Kamara Kó Fotografias, onde atuou até o ano de 1994. Na mesma época, desenvolve trabalho paralelo como cinegrafista e diretor de fotografia no projeto “Academia Amazônia” da UFPA. Foi presidente da Associação Fotoativa entre 2000 e 2007. Desenvolve trabalhos de documentação, arquitetura e publicidade em estúdio próprio. 


NÃO PERCA


A exposição “Silêncio...”, com fotografias de Octavio Cardoso, abre hoje para visitação, na Kamara Kó Galeria, situada na travessa Frutuoso Guimarães , 611, Campina. A mostra segue até o dia 22 de junho, sempre de terça a sexta, de 15h às 19h, e aos sábados, das 10h às 14h. Entrada franca. Informações: 3261-4809 / 3261-4240. Acesse o site www.kamarakogaleria.com.


(Diário do Pará)

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