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Refúgio construído no silêncio

domingo, 12/05/2013, 10:49 - Atualizado em 12/05/2013, 10:49 - Autor:


Um pequeno refúgio, de cores próprias, que exige o tempo da contemplação. É neste lugar, sem endereço, sem lugar no mapa, que o fotógrafo Octavio Cardoso nos convida a mergulhar durante a exposição individual ‘Silêncio...’, que será aberta na próxima terça-feira, na Kamara Kó Galeria.Resultados de viagens pelo interior do Pará, as imagens mostram cenários quase fantásticos, tingidos de um vermelho irreal, de um azul profundo, utópico. Serão 15 imagens expostas, 11 em tons azulados e quatro avermelhadas. 


“As imagens advêm do passeio solitário, da paisagem observada que se confunde com a paisagem íntima, construída no silêncio, no encontro consigo mesmo”, observa a curadora Marisa Mokarzel, no texto de apresentação da mostra. “Cardoso registra/cria imagens aliando o imaginário àquilo que vê; atravessa com sensibilidade um território suspenso que nos torna habitantes de espaços vazios, os quais se complementam com narrativas imaginárias que vivemos, que sonhamos”.


Para compô-las da maneira que imaginou, as imagens foram fotografadas em horário de menor intensidade de luz para uma proposital experiência com a utilização invertida do filtro da câmera digital. Para tanto, os horários de saída para fotografar eram sempre antes da alvorada e ao entardecer, com a luminosidade discreta. 


“Para o clima que eu queria criar nas imagens, não era possível fotografar com sol a pino, já que eu distorcia o colorido, mexendo no filtro. Percebi que no claro não funcionava e que no escuro era melhor”, explica o artista.


Esse cuidado com o tempo do dia tem a ver com o tempo de Octavio. Viajar para fotografar é a maneira que ele encontrou para refugiar-se da correria da vida contemporânea. Dessa forma também ele achou um jeito de iniciar a produção de série de fotografias coloridas, já que a maioria das fotos de sua carreira de quase 30 anos foram produzidas em preto e branco. 


MOVIMENTO


“A cor para mim era para fotografia de documentação. Então a cor distorcida dessa série é para deixar as imagens mais subjetivas, misteriosas, para tirar a objetividade do colorido. O azul é mais irreal e a tentativa foi criar esse lugar, meu mundo particular, com as características de solidão, tranquilidade, silêncio”, conta. 


Além das fotografias expostas, a mostra terá ainda dois monitores, um com fotos fixas e outro com fotografias feitas em série, que sugerem certo movimento. “A possibilidade do digital nos permite fazer muitas imagens, então também serão mostradas sequências de fotos”, diz.Para a curadora Marisa Mokarzel, Octavio empresta seu olhar para selecionar paisagens, por meio das fotografias, mantendo as premissas do preto e branco, mesmo com o recente envolvimento com a coloração nas imagens, experiências com câmeras digitais.


Ela analisa ainda que Octavio Cardoso não apenas registra, mas cria imagens a partir do próprio imaginário do local, como ele mesmo sente. “São paisagens de ausências, um nada ou quase nada, para ver, sentir, pensar... em silêncio”, descreve Marisa. (Com assessoria) 


PARTICIPE


Exposição “Silêncio...”, com fotografias de Octavio Cardoso, aberta para visitação a partir desta terça, 14, até o dia 22/06. Sempre de terça a sexta, das 15h às 19h, e aos sábados, das 10h às 14h. Entrada franca. Informações: 3261-4809 / 3261-4240.


(Diário do Pará)

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