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Banda Suzana Flag comemora aniversário com disco

sexta-feira, 10/05/2013, 07:16 - Atualizado em 10/05/2013, 07:16 - Autor:


Na primeira metade dos anos 1970, o ex-beatle Paul McCartney era “acusado” de fazer sempre tolas e sentimentais canções de amor. Como resposta, escreveu ‘Silly Love Songs’, ou ‘as tolas canções de amor’. Pegajosa, a canção se tornou sucesso. Paul deve ter se divertido com a ironia. O escritor Nick Hornby costuma enfatizar o poder das canções pop, de três ou quatro acordes, que injetam sensibilidade direta na veia.


De Beatles a Teenage Fanclub, de Love a Belle and Sebastian, saber escrever canções pop com eficiência é um desafio e um prazer aos ouvintes. São as canções pop que nos redimem, nos salvam, nos amparam e nos traduzem. Se duvida, ouça ‘When I still have thee’, do Teenage Fanclub, e tudo isso ficará claro.


É nesse contexto que o Suzana Flag pode ser inserido na música pop feita em Belém. Raros, talvez até nenhum grupo, tenha conseguido compor canções pop agridoces com tamanha competência e qualidade como o Suzana Flag em Belém. Talvez seja por isso que uma década depois, Fanzine, o disco de estreia da banda de Castanhal, esteja sendo celebrado com uma festa-tributo. Fanzine merece.


O CD foi gravado em 2002 no quintal da casa do guitarrista Joel Melo em precárias condições técnicas. Pouco mais que um punhado de canções sendo registradas. Entre 2004 e 2006, o Suzana Flag foi uma das bandas protagonistas do cenário pop em Belém. O Suzana Flag chegou a ser eleita a banda revelação do ano pelo site especializado em rock ‘London Burning’.


De especial a banda tinha belas canções e letras dolorosas, que falavam de amores perdidos, esperanças tênues e a difícil transição para o mundo adulto. Foi a trilha sonora ideal para a geração ‘Alta Fidelidade’ que lotava as festas da Se Rasgum no Café com Arte, não por acaso comemorando também dez anos.


“Acho frases soltas que juntas não fazem sentido/ em todo caso posso usá-las quando precisar/ trago sempre meus cigarros/ pra cada passo levo uma canção/ pra cada dente uma mentira quando precisar”, diz“Ludo”, a primeira música do disco. 


Entre amores perdidos e esperanças tênues

Há também a canção ‘Recreio’, que diz “eu queria te falar dos meus planos/dos lugares que pensei te mostrar/ mas só escuto o telefone chamando/ e eu estranho não te ver de manhã”. 


Mas a melhor do disco é mesmo “Contraposto”, uma das melhores canções já produzidas por uma banda de rock de Belém em qualquer tempo. Parceria inspirada da dupla Elder Fernandes e Joel Melo, a canção vai desfilando uma série de antíteses que é, em essência, uma das melhores representações para um relacionamento em crise, seja ele qual for. “Você prefere os tons mais toscos/ se o dia te oferece cor/ você só quer um tempo frio, se o tempo pede mais calor/ não ir em frente quando se deve ir mais longe/ não ser tão claro quando te pedem explicação”. 


Na época de Fanzine, a música pop paraense vicejava criatividade. Cravo Carbono, Pio Lobato, La Pupuña, Coletivo Rádio Cipó, Eletrola, Lu Guedes, Delinquentes, Euterpia, Madame Saatan, Iva Rothe, uma lista de bandas e artistas que davam um colorido especial à música local. Essa miscelânea de sons foi o fermento ideal para o surgimento e a consolidação do Se Rasgum Festival.


Suzana Flag se destacava por causa da incrível facilidade de costurar canções pop fáceis de gravar na cabeça e quase impossível de se desgarrar delas. Em Belém, a banda começou a tocar em festinhas e outros espaços pequenos. Foi conquistando um público fiel e apaixonado. Parte dele vai estar no Café com Arte nesta sexta-feira. Se os corações estão dez anos mais velhos, já existe espaço para uma nostalgia saudável. E, como nunca aprendemos sobre as coisas do amor, ainda há lugar para canções como as do Suzana Flag.


(Diário do Pará)

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