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Brilho eterno de um reinado

quarta-feira, 08/05/2013, 07:42 - Atualizado em 08/05/2013, 16:30 - Autor:


Quase seis décadas de reverência à beleza paraense. Amanhã, o Miss Pará chega a sua 58ª edição revelando mais uma vez as peculiaridades da mulher e da cultura local. Em tantos anos de atividade, o evento conseguiu alcançar a excelência, tudo por causa de uma trajetória assinalada por grandes histórias e muito glamour. O Caderno Você conversou com duas misses que em tempos distintos foram agraciadas com o desafio de representar o Estado na edição nacional do concurso. Eternas meninas que vivenciaram as dificuldades e benefícios de carregar no corpo a faixa – e na cabeça, a coroa - que consagra a mais bela de nossas terras.


Era 1955 quando Gilda Medeiros descobriu que o corpo esguio, magro e de medidas proporcionais, mas pouco avantajadas, a levaria a fazer sucesso no país inteiro. Exatamente por ter essas características, a paraense, filha de pai português, sentia-se diferente das demais amigas. “Eu tinha inveja das morenas, que tinham curvas mais acentuadas. Eu não me achava bonita, me achava sem graça. Porém, quando surgiu a primeira edição do Miss Pará rápido fui convidada por diversos clubes para representá-los no concurso. Foi ali que vi que minha beleza tinha um propósito”, brinca a vencedora do estreante evento, que na época tinha apenas 19 anos e subiu na passarela representando o Bancrévea.


Apesar de muitos detalhes daquela noite terem se perdido no tempo, Gilda lembra-se bem do alvoroço em torno do concurso. As meninas da cidade estavam extasiadas com a possibilidade de se tornarem miss e o clima de competição tomou conta do salão do Hilton Hotel, onde ocorreu a primeira edição do concurso. “Era uma época de muito luxo e a alta sociedade estava bastante envolvida no evento. Então era tudo muito glamoroso: cenário, os vestidos e adereços das candidatas – tudo estava impecável. E como não poderia faltar, a noite também foi marcada por intrigas (risos). Algumas meninas reclamaram porque eu ganhei. Enfim, coisas de Miss Pará”, recorda Gilda. 


Depois de levar a coroa na primeira edição paraense do concurso, Gilda passou um ano viajando pelo país. No evento nacional, ficou em segundo lugar – o que lhe trouxe muitas oportunidades. “Como fiquei em segundo lugar no Miss Brasil e a primeira colocada era tímida, não muito afeita a aparecer, eu acabei fazendo as viagens pelas capitais, aprendi muita coisa”. Depois do concurso, Gilda resolveu apostar na carreira de atriz, fazendo trabalhos para cinema e teatro. “Não continuei numa vida de modelo, mas o Miss Pará me abriu portas. Comecei a trabalhar com artes cênicas e comunicação, coisas que até hoje fazem parte da minha vida”, completa.


Que portas se abrem depois de uma projeção como ser eleita miss é inegável. Em 1990, o mesmo aconteceu com a paraense Cecília Monteiro. Com uma idade até considerada “avançada” para o título, aos 24 anos ela ingressou no universo dos concursos de beleza. No mesmo ano, já abocanhou o título de Miss Pará. “Tive dificuldades por ser considerada até meio velha para o evento, mas, sem falsa modéstia, tinha um corpo bem bonito nessa idade (risos). Isso foi incrível, de repente me vi sendo um modelo de beleza para uma geração de meninas”, diz Cecília, que exatamente devido a idade, acabou se afastando dos eventos de beleza logo depois.


Hoje, aos 47 anos, Cecília é corretora de imóveis, mas ainda guarda na memória as experiências vividas por causa do concurso. “Não há menina que não se encante com o mundo das misses. Eu cheguei a morar um ano em São Paulo por causa do concurso, com outras quatro representantes de outros estados. Lá, vivi muitas coisas, mas também percebi o preconceito contra as nortistas”, diz a miss que ficou entre as doze finalistas do concurso nacional. “No Miss Pará, protagonizei uma história marcante e engraçada, ao sair sem roupa do camarim no dia do evento! (risos)”, conta.


Tanto para Gilda, como para Cecília, consideradas figuras femininas marcantes na história do concurso, o grande prazer de participar do Miss Pará é poder se superar, acabar com tabus e mostrar a força da beleza paraense. “Estive em segundo lugar na edição nacional e ajudei a projetar nossa beleza para todo o Brasil. Isso é fantástico e me enche de orgulho”, diz Gilda. “É uma ótima oportunidade para fazer contatos, abrir caminhos. Independente de seguir carreira depois, as pessoas começam a te reconhecer e isso rende importantes frutos para a vida”, considera Cecília.


O CONCURSO


Miss Pará 2013 será a 58ª edição do concurso que escolhe a melhor candidata paraense para representar seu estado e sua cultura no Miss Brasil. O evento contará com a presença de vinte e cinco candidatas de diversos municípios do estado competindo pela coroa. A noite final da competição será televisionada pela nona vez pela TV RBA. Layse Souto, Miss Pará 2012, coroará sua sucessora ao título no final do evento. 


Miss Pará 2013. Amanhã, 9 de maio. Transmissão pela TV RBA. Local: Assembleia Paraense, a partir das 21 horas.


(Diário do Pará)

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