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E a literatura se propaga

terça-feira, 07/05/2013, 07:39 - Atualizado em 07/05/2013, 07:39 - Autor:


Saldo de mais uma Feira do Livro: pernas cansadas de tanto andar e olhos e mentes saciados de tantas opções literárias. Em dez dias de evento, mais de 400 mil pessoas passaram pelo Hangar - Centro de Convenções e Feiras da Amazônia. O número expressivo de visitações rendeu uma movimentação de mais de R$ 15 milhões


Neste ano, ao invés de homenagear um país a Feira do Livro fez reverências ao estado paraense. Apesar de não incluir nenhum escritor local na programação do Encontro Literário, considerada ponto alto da mostra, houve um momento específico para a produção da terra. 


A sala Marajó recebeu palestras, oficinas e encontros literários – tudo voltado para a literatura paraense. Porém, muita gente achou que faltou espaço para a produção local. Apesar da forte atuação do Estande do Escritor Paraense - que organizou noites de autógrafos, contações de história e o III Encontro de Cordelistas da Amazônia-, o próprio responsável pelo espaço, Cláudio Cardoso, ressaltou a importância de abrir ainda mais possibilidades para os autores paraenses. “Conseguimos fechar muita coisa com a Secult, que nos apoiou bastante, mas é importante lembrar que ainda existem muitos escritores que estão fora. Acredito de verdade que é preciso investir em projetos que incluam ainda mais esses artistas”, considera. 


A propagação das obras de autores locais está baseada no aumento em 80% do número de livros de autores paraenses vendidos durante o evento. Foram comercializados, só nos estandes dos escritores paraenses, mais de 4 mil obras. 


Depois de participar do Encontro Literário na Feira do Livro, o escritor paulista Ignácio de Loyola Brandão foi a atração da programação realizada no município de Marabá. Em bate-papo com alunos de escolas da cidade, Ignácio falou de sua obra e pôde conhecer um pouco da história da localidade. “Essa extensão da Feira que vai para o interior é muito importante. Lá, os alunos foram incitados a ler e a produzirem algo a partir da minha obra. Isso é gratificante para mim como escritor e para o novo leitor, que se vê jogado no universo da literatura”, considera o autor. No próximo semestre, serão realizados salões da Feira e outras atividades em Santarém, na região do Baixo Amazonas e em Paragominas, na região do Capim.


Evento será entre 30 de maio e 8 de junho


O evento cresceu e no próximo ano deve tomar proporções ainda maiores. Em 2014, vai assumir a alcunha de Feira Pan- Amazônica da Cultura e a literatura será um dos componentes. Pelo menos se depender dos esforços do titular da Secretaria de Estado de Cultura do Pará (Secult), Paulo Chaves. A informação foi repassada à imprensa durante coletiva na noite do último domingo, poucas horas antes do encerramento da edição desse ano. Na ocasião, foram repassados alguns números referentes à comercialização de livros no local.


Pelos corredores do Hangar, a Associação Brasileira de Difusão do Livro afirma ter passado mais de 402 mil pessoas, com a perspectiva de chegar a 404 mil, já que os portões ainda estavam abertos. “Superou as expectativas e nós contamos com um adversário poderoso, que o ano passado não tínhamos por causa da data, e nós pensávamos que estávamos livres, que é a chuva. Choveu a cântaros a semana inteira. Geralmente nesta época do ano ela já não é mais tão intensa, mas com esse tempo louco que faz nevar na primavera de Nova Iorque. Acho que se jogarmos para esta data no ano que vem não vamos sofrer com ela”, explicou.


Para o próximo ano, dois temas permeiam o pensamento da organização. A Alemanha, que estava cogitada para ser o país homenageado este ano, quando iniciam as comemorações do ano do país no Brasil. Pegando carona na proposta desta edição, a outra ideia seria homenagear o “planeta terra, como nosso lar”, conforme enfatizou Paulo Chaves. Por enquanto, as propostas estão na mesa e serão definidas após intenso debate com outros setores do executivo estadual. De certo mesmo será a data. A Pan-Amazônica deve ocorrer entre os dias 30 de meio e 8 de junho. 


Preços bons, mas com muita garimpada


Paulo Chaves destacou a participação das escolas na feira. Segundo ele, um diferencial da programação. “Eles participavam de várias atividades. Na encenação de trechos das obras de leituras obrigatórias do vestibular, por exemplo, eles lotavam os auditórios. Teve dias que precisávamos fazer quatro sessões para contemplar todos”, disse. Um desafio para Chaves é garantir a participação dos jovens que se aglomeram nas laterais do local para ficar olhando a movimentação na programação, ainda que não adquiram livros. A “tribo”, como ele define, precisa ser alcançada pela literatura, mas não apresentou soluções para isso. “Estimulamos que a equipe da feira a convidá-los para assistir palestras, ouvir autores, mas eles olhavam e achavam aquilo engraçado, um absurdo”, contou.


O ranking dos segmentos literários mais procurados foi liderado pela literatura fantástica, seguida dos livros de romance, técnicos e acadêmicos, literatura infanto-juvenil, leituras para o vestibular e autores paraenses. Paulo Chaves acredita que o sucesso da feira se dá, também, pela gratuidade da entrada, que deve permanecer nas próximas edições se depender dele e do governador Simão Jatene. “Fui o idealizador da feira e já cheguei a defender a ideia de cobrar um bônus na entrada, ou seja, você dá cinco ou dez reais e na hora da compra apresenta como bônus. Isso daria mais conforto para quem quisesse frequentar o local. Mas não aconteceu, o governador achou que seria antipático e acatamos”, lembrou.


De acordo com o vice-presidente da Câmara Brasileira do Livro, Bernardo Gurbanov, que esteve na feira do livro como expositor, as vendas iniciaram fracas em virtude dos problemas enfrentados pela economia no primeiro trimestre de 2013 e a data de início ter sido no final do mês, quando as pessoas ainda não receberam. “Mas depois do dia primeiro tivemos uma alavancada, as vendas subiram e parece que vão superar as expectativas”, afirmou.


Ele afirma que a feira paraense está entre as mais organizadas do Brasil e uma das poucas que não cobram pela entrada. “A feira cumpre o papel de trazer aquela literatura que está fora do circuito de Belém e as apresenta ao público por um preço justo. Tem muita oferta, é só procurar. Livros que variam de um real à coleções de quase quatro mil reais. Para frequentar um ambiente como este no Rio ou São Paulo a pessoa paga pelo menos doze reais, com meia entrada para algumas classes”, destacou Bernardo. A Câmara Brasileira acompanha o evento desde a criação por apresentar um modelo que segue as diretrizes culturais do país, em fazer uma feira literária com intensa produção de conhecimento.


CRÍTICAS


Estandes específicos das mais diversas literaturas, apresentações culturais, mesas de bate-papo. Todos os anos, o público se esbalda em tantas opções. A estudante Juliana Alves, de 16 anos, termina o ensino médio neste ano e aproveitou o evento para se atualizar sobre as leituras recomendas no vestibular. “Acho muito legal poder ouvir sobre os livros que terei de ler para prestar a prova do vestibular. É mais uma forma que temos de nos preparar”, considera a paraense, referindo-se às palestras realizadas dentro da programação de Leituras do Vestibular . “Também me diverti nos bate-papos para adolescentes, em que foram discutidos assuntos muito comuns para gente da minha idade”, completa.


Leonardo Araújo, estudante do curso de letras, também aproveitou a Feira para se atualizar nas leituras de seu curso e outras afins. “Vim três dias para comprar livros acadêmicos e de literatura que me interessam. Fiquei impressionado com a variedade, mas confesso que achei os preços um pouco salgados”, ressalva. De acordo com a Câmara Brasileira do Livro, a Feira Pan-Amazônica apresentou variedades de preços, em valores entre R$ 1 a coleções de R$ 4 mil. Porém, o público ressaltou a dificuldade em encontrar os números mais acessíveis. “Para achar obras mais em conta tinha que ser um trabalho de garimpo. O espaço da Feira já é grande, então ter que procurar assim faz a gente cansar mais ainda”, disse o universitário.


Apesar do burburinho sobre os altos preços ter sido comum nesta edição da Feira do Livro, muitos visitantes aproveitaram os diversos estandes que apresentavam promoções. Dando uma volta pela mostra, era possível encontrar muitas bancas com venda de livros à R$ 15, R$ 10 e até R$3. Ana Flávia Mello, funcionária pública, saiu de um dos estandes com seis publicações. “De fato, é preciso procurar bastante para encontrar algo que te agrade. Mas dá para achar. Cavuquei em um dos estandes e com R$ 60 comprei seis livros, sendo dois deles considerados clássicos da literatura”.


O geógrafo Luiz Antônio Pires, que foi em todas as edições da Feira, acredita que a justificativa para os altos preços está na forte presença do mercado hegemônico de editoras. “Apesar de toda a propaganda do Governo que induz a acreditarmos que a mostra é um espaço democrático, em que pequenas editoras e escritores independentes podem participar, a grande verdade é que a maioria do comércio de livros é mantida pelas grandes empresas. Aí a gente tem preços mais caros e nem tantas opções como acreditamos ter. Aí somos levados a nos contentar com pequenas promoções”, analisa o paraense, de 41 anos.


(Diário do Pará)

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