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Literatura e o apelo da palavra sagrada

segunda-feira, 06/05/2013, 08:35 - Atualizado em 06/05/2013, 08:35 - Autor:


“Em nome de Jesus!”, responde Izabel Gomes, 37 anos, quando questionada sobre a pretensão de levar para casa o livro que folheava em um dos estandes da XVII Feira Pan-Amazônica do Livro. Pelos corredores do espaço dedicado à literatura religiosa, a dona de casa buscava uma leitura condizente com aquilo que acredita ser a verdadeira palavra de Deus. Assim como Izabel, dezenas de outros cristãos se amontoavam entre os curtos corredores da editora à procura de algum título que agradasse. O estande não é o único dedicado à literatura do gênero. Logo à frente do espaço existe outro, onde é possível encontrar o mesmo tipo de obra, no entanto, a partir da visão católica.


É um recorte do fenômeno da literatura religiosa que o Brasil vem experimentando ao longo dos últimos cinco anos, cujo ápice chegou em 2010, com o sucesso estrondoso do livro “Ágape”, do Padre Marcelo Rossi. No final daquele ano já havia ultrapassado a impressionante marca de quatro milhões de livros vendidos. O segmento abocanhou ao lado de títulos estrangeiros cerca de 21% das vendas em todo o Brasil só no segundo trimestre de 2012. O gênero está cada vez mais em evidência e cerca de 76% de livrarias já comercializam livros religiosos, enquanto em 2009 esse percentual era de apenas 46%. Os números são da Associação Nacional de Livrarias que aponta ainda que 15% das livrarias do país são especializadas em livros de temática católica e 4% em literatura evangélica.


Segundo a organização da Feira do Livro, na edição deste ano há pelo menos cinco estandes totalmente dedicados à comercialização de livros com conteúdos religiosos. Excluindo da contagem aqueles que ofertam títulos religiosos espontaneamente. A bíblia ainda é o carro-chefe das editoras e pode ser encontrada na Pan-Amazônica em todos os tipos, tamanhos e capas. Isso mesmo, capas. Algumas publicações das escrituras sagradas podem ser adquiridas com os modelos mais diversos: em cores chamativas – com destaque para o rosa e o lilás -; desenhos de bonecas, ilustrações de momentos bíblicos e até personalizadas; em formato de agenda; de bolsas; e inclusive tecidos, como o jeans.
Mercado


Em busca de material apurado sobre as vendas, a equipe do caderno Você tentou conversar com o gerente de um estande dedicado a livros evangélicos, no local havia pelo menos quatro atendentes, ainda assim o rapaz visivelmente atarefado não pôde responder a algumas perguntas. “Não posso te atender agora, amigo. Preciso vender. Tenho que pagar 20 mil por esse estande”, respondeu. Do outro lado, uma editora católica dispõe livros de autoajuda, pedagógicos e literatura informal com apelo para os valores humanos estão distribuídos ao longo do espaço. De acordo com a irmã paulina Margarida Hoffman, gerente do estande, a missão da editora não é fechar o espaço para a literatura católica e sim formar cidadãos comprometidos com os valores humanos para só então introduzi-los na doutrina cristã. 


“Seguimos um dos pilares da nossa instituição que é ‘Cristãos, uni-vos, vamos transformar a mente e o coração humano’, por isso aqui podemos trabalhar com variados tipos de literatura, a católica está presente sim e está voltada para disseminar o amor, acima de tudo”, explica a gerente. Do local, a vendedora Cléa Nascimento, 28 anos, levou para casa o livro ‘Uma mensagem por dia o ano todo”, de Rosemary de Rosas. “Não sou católica, sou cristã e prefiro acreditar que a religião é uma instituição e que Deus está dentro de nós. Procurava alguma obra que me tocasse e essa daqui falou comigo”, justifica. “O título figura entre os mais vendidos, segundo irmã Margarida. “Outros como ‘Cristo Minha Vida’, da Clarence Enzler, e ‘Por que ir à Igreja?’, do Timothy Radclife, são os três que posso citar como os que mais têm saído”, informa a religiosa.


A comercialização de obras religiosas inegavelmente movimenta o mercado editorial no Brasil. Apenas o mercado de livros cristãos estima ter faturado R$ 479 milhões em 2011, de acordo com a Associação de Editores Cristãos (Asec). Para 2012, a projeção foi chegar a R$ 548 milhões, um crescimento de 14,4%, que ainda não foi confirmado em virtude do atraso no fechamento dos dados do ano passado. Esse ramo do mercado passa por transformações, que incluem a entrada de novas editoras, parcerias com grupos internacionais e a investida de empresas não necessariamente cristãs. 


(Diário do Pará)

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