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Stella Rezende fala do fascínio pela leitura

segunda-feira, 06/05/2013, 08:31 - Atualizado em 06/05/2013, 08:31 - Autor:


Autora de “A guardiã dos segredos de família” e “Maravilhosa e inesquecível ideia de amar”, a escritora Stella Maris Rezende é uma mineira boa de prosa. Capaz de segurar a atenção de um auditório lotado de adolescentes para falar de um assunto nem tão atraente para a geração das novas tecnologias: “A aventura de ler na juventude”. O tema foi o mote para o bate-papo realizado na tarde da última quinta-feira, 2, durante a programação da XVIII Feira Pan Amazônica do Livro. A voz suave e a delicadeza no trato com o público deram o tom ao encontro regado por intervalos musicais encabeçados pelos artistas Renato Torres e Ester Sá. 


Mas pode-se dizer que falar com jovens e sobre jovens seja uma das especialidades de Stella. A autora já ganhou, por exemplo, o Prêmio Jabuti 2012 na categoria melhor livro juvenil (primeiro e segundo lugares) e de livro do ano de ficção, por “A Mocinha do Mercado Central”.


Stella é artista de múltiplas facetas. Escreve, atua, desenha, pinta e canta. “De todas as artes que desenvolvo a escrita é a que me deixa mais plena. Nasci para isso”, contou. Admite, no entanto, ser um ofício difícil, que necessita descobertas sobre si mesma. “Todos temos nossas verdades, nossa autenticidade, mistérios e contradições. É preciso compreender isso para imprimir em palavras o que cada história quer dizer ao mundo”, completou.


E foi lendo um trecho da obra “A Mocinha do Mercado Central” que Stella conquistou o público. O diálogo entre a protagonista, Maria Campos, e a vizinha, Valentina Vitória Mendes Teixeira Couto, ganhou vida ao ser interpretado pela Stella atriz, que entonava cada frase com um “mineirês” marcante que cessou o burburinho, típico de sala de aula, que se espalhava pelo auditório. “Desse jeito faz a gente querer começar a ler. Acho que falta isso mesmo, coisas chamativas pra dar um empurrão”, explica Williams da Silva, aluno de uma escola estadual que levara os alunos para participar do bate-papo. Ao final da leitura, Stella informou que a obra vai ser adaptada para os cinemas.


Além de discorrer sobre a carreira e as obras, a autora debateu com o público a relação do adolescente com a literatura. “É preciso criar uma atmosfera de literatura ao redor, em casa, na escola, com os amigos. O livro ajuda a conhecer a alma humana. A literatura abre a mente, compõe a formação cultural e ética dos cidadãos”, argumentou. E para aqueles que anseiam aventurar-se no universo das letras, como escritor, ela deu algumas dicas. “Quem escreve precisa conhecer sua verdadeira voz. O essencial primeiramente é ler muito. Com o tempo, o leitor vai criando critérios daquilo que mais o satisfaz e acaba descobrindo seu estilo próprio”, disse.


DIÁLOGO


O público participou, questionou, pediu opinião e parabenizou Stella pelo trabalho que desenvolve. Helder Venilson, estudante de uma escola do Guamá, por exemplo, contou que a leitura o faz viajar para outros mundos, imaginar os cenários e personagens. “É uma maneira de conhecer outras culturas, países, vidas. É um exercício de imaginação que mexe com a gente”, comentou. “O caminho é exatamente por aí. É isso que precisamos demonstrar para nossos jovens, para que eles tenham esse interesse”, retrucou Stella.


A escritora disse que demora em média dois anos para escrever um livro e refere-se ao processo de concepção da história como algo fora do controle dela. “Os personagens têm vida própria. Posso iniciar uma história com uma moça meiga e tímida, mas não sei como será o comportamento dela ao longo do enredo. Ela faz as escolhas, o próprio caminho, eu só vou colocando no papel”, explicou.


(Diário do Pará)

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