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Uma improvável história de amor

segunda-feira, 06/05/2013, 08:22 - Atualizado em 06/05/2013, 08:26 - Autor:


O espetáculo “Ciao! Buonanotte, Finito...” (que em português significa “Oi! Boa noite, fim”) mistura arte circense a dança e improviso para apresentar ao público o romance do palhaço Black e da bailarina Fassbinder. O encontro no palco do teatro Cuíra torna-se inusitado por causa da trajetória dos personagens, que foram construídos em épocas distintas para agora dividirem a cena. Contemplado pelo Prêmio Funarte Petrobras Carequinha de Estímulo ao Circo, a peça estreia nesta sexta-feira, 10, e segue em cartaz nos dias 11, 12, 18 e 19 deste mês.


Uma encenação que reverencia as diferenças, a história de amor de Black e Fassbinder é improvável e inusitada. Desse terreno de incertezas, o palco se torna espaço de muitas possibilidades. “Esse espetáculo tenta hibridizar a dança contemporânea com o circo e o improviso. Por ser bailarino, aprendi técnicas de trapézio e Antônio desenvolveu solos de dança. Estamos um entrando na linguagem do outro e isso reflete também na historia da bailarina Fassbinder com o Black. Na relação deles, cada um leva um pouquinho do outro”.


O punk e a expressionista


Uma das principais diferenças do “Buonanotte” para outros espetáculos está no processo de concepção da obra. Os dois personagens da peça foram criados separadamente, para outros contextos. A bailarina Fassbinder é de autoria do ator e bailarino Danilo Bracchi. Ela é fruto do trabalho feito com o grupo de teatro Unipop, para a peça “O Lixo, a Cidade e a Morte”. Batizada em homenagem ao autor do texto base para o espetáculo, Rainer W. Fassbinder, a bailarina já acompanha Bracchi desde os anos 90, ganhando vida posteriormente em performances de rua e também no trabalho realizado na Cia. de Investigações Cênicas.


O ator Antônio do Rosário, por sua vez, cria o Palhaço Black, em 2002, ao ingressar no grupo Os Palhaços Trovadores. Com uma pinta de roqueiro, o personagem está sempre presente nas ações e espetáculos do grupo de clowns. “Black tem uma pegada punk, já Fassbinder é bem expressionista. Essa união é muito interessante pelas próprias características dos personagens, como também pela forma como os construímos: ambos surgem de suas atuações em solo e se cruzam nessa dramaturgia”, explica Bracchi, que conversou com a equipe do Você para contar os pormenores desta história. 


Com direção de Adriana Cruz, o espetáculo nasceu da vontade dos dois atores de reunirem suas obras. A ideia surgiu em 2010, mas teve de ser adiada por bons motivos. Naquele ano, Bracchi ganhou a Bolsa Funarte de residência Artística em Artes Cênicas e vai para Europa e o Antônio do Rosário ganhou Bolsa Funarte para Formação em Artes Circenses, na Escola Nacional de Circo, no Rio de Janeiro. “Depois de nos especializarmos, voltamos para fazer o espetáculo. Estamos nos preparativos desde janeiro e com uma ótima equipe trabalhando com a gente”, comenta Bracchi. Os ensaios começaram na experimentação de outros espaços, como o Casarão dos Bonecos e o Estúdio Reator.


Das divergências nasce o equilíbrio que marca, inclusive, a estética do espetáculo. “Existe muita cor e ao mesmo tempo muito negro. Não há meio termo entre os dois, mas isso se equilibra. Isso é porque estamos falando de relações opostas e o que podemos levar de bom ou de ruim dessa relação tão diferente”, considera Bracchi. Fazendo coro à sinergia de opostos, a própria condição dos atores. “No palco, ainda tem as energias diferentes dos próprios intérpretes que se refletem nos nossos personagens, somos de diferentes gerações, eu tenho 42 anos e o Antônio, 27. Viemos de construções cênicas diferentes e isso dá um toque a mais ao espetáculo”, completa.


Na equipe cênica, Aníbal Pacha foi convidado para fazer o figurino e Nando Lima, para projetar o cenário. O ator e bailarino Ícaro Gaya assumiu a assistência de direção e coreográfica, Patrícia Gondim criou a luz e os irmãos Armando Mendonça e Thalles Branche, a trilha original. 


ASSISTA


Espetáculo “Ciao! Buonanotte, finito...”. Estreia nesta sexta-feira,10, às 21h. Temporada: 11, 12, 18 e 19 de maio. Local: Teatro Cuíra. Informações: 8134.7719.


(Diário do Pará)

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