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Vinicius de Moraes, pelas lentes do filho Pedro

domingo, 05/05/2013, 12:59 - Atualizado em 05/05/2013, 12:59 - Autor:


Quando tinha 12 anos, Pedro de Moraes ganhou o primeiro incentivo à carreira de fotógrafo do pai, que lhe presentou com uma câmera Rolleiflex. Empolgado com o brinquedo novo, o adolescente passou a registrar tudo que acontecia em casa, as reuniões de família, as visitas dos amigos. 


Fosse você ou eu, as imagens teriam um grande valor emocional, mas provavelmente permaneceriam guardadas em algum álbum empoeirado no armário. No caso de Pedro, filho de Vinícius de Moraes (1913-1980), cada foto de família tem potencial para se tornar um importante registro da história da música brasileira.


Esse foi o caso da exposição “Os amigos do meu pai”, que integra a XVII Feira Pan-Amazônica do Livro. As 30 imagens que compõem a mostra foram garimpadas justamente dos arquivos pessoais dos Moraes, revelando encontros de Vinícius de Moraes com personalidades como Tom Jobim, Manoel bandeira, Pablo Neruda, João Cabral de Melo Neto, Chico Buarque e Baden Powell. “A exposição foi criada exclusivamente para o centenário de meu pai. Eu tenho um arquivo de mais de 17 mil fotos, boa parte delas relacionada à música. E desse universo, outro bom pedaço dedicado ao meu pai. Tinha muito material que eu fiz sob encomenda, como capa de discos, por exemplo. Mas a maioria era coisa de bastidores, fotos feitas na intimidade de casa, nos encontros de amigos deles. Um almoço no final de semana, um ensaio. Era um material riquíssimo e inédito, que eu vi no centenário uma oportunidade para que viesse a tona”, conta o carioca de 71 anos em entrevista por telefone do Rio de Janeiro.


Mostra lembra centenário do poeta


Pedro de Moraes conviveu com o pai na infância em Los Angeles (EUA), e só voltou a ter contato com ele aos 20. Ele recorda que a fotografia foi o pretexto pra se aproximar dele. “Quando meu pai voltou das viagens que fazia como diplomata, eu passei a andar muito com ele, acompanhando-o na boemia carioca. Não desgrudava, como se quisesse compensar os anos que passamos longe, enquanto ele viajava”.


Autodidata, Pedro de Moraes iniciou sua carreira frequentando o estúdio fotográfico dos primos, os irmãos José e Humberto Franceschi. Aos 16, veio o primeiro trabalho como profissional, fazendo um ensaio com o músico Cartola. “Depois trabalhei no “Correio da Manhã”, fiz foto industrial, capa de disco”.


Acompanhando Vinícius, teve a chance de fotografar todo o começo da bossa nova, firmando-se como um dos retratistas da turma do pai, produzindo capas como “Edu & Bethânia” (1967) e “Gente da Antiga”, de Pixinguinha, Clementina de Jesus e João da Baiana, de 1968.


“Ele me estimulava bastante. Eu queria ser músico. Um dia, tomando um pileque juntos, resolvi cantar pra ele. Comecei a arranhar um Frank Sinatra. Ele disse: ‘Filhinho, me poupe dessa desafinação’. Acho que esse banho de água fria foi de caso pensado. Vinícius me levava aos ensaios, consciente de que aquilo precisava ser registrado”, afirma. 


NÃO PERCA 


A exposição “Amigos do meu pai”, do fotógrafo Pedro de Moraes, segue até hoje, das 10h às 22h, no 1º piso do Hangar Centro de Convenções e Feiras da Amazônia. Entrada franca.


(Diário do Pará)

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