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Feira do Livro recebe o 3º Encontro de Cordelistas

sábado, 04/05/2013, 15:31 - Atualizado em 04/05/2013, 15:33 - Autor:


João de Jesus Paes Loureiro, Juraci Siqueira, João de Castro, Cláudio Cardoso e Hiran Possas. Esses foram os ilustres participantes do 3° Encontro de Cordelistas da Amazônia, na manhã deste sábado (4), na XVII Feira Pan-Amazônica do Livro, que vai até domingo (5), no Hangar Convenções e Feiras da Amazônia.


Durante o evento, que teve como tema “Pelas bordas das culturas: acordes dos cordéis da Amazônia”, os participantes falaram sobre a evolução, ao longo dos séculos, da literatura de cordel, gênero literário popular escrito frequentemente na forma rimada, originado em relatos orais e depois impresso em folheto. “O gênero pode ser definido como uma espécie de olhar inconformado com o passado. O cordel é a forma de poesia que absorve a realidade em que o poeta vive”, disse Paes Loureiro.


O poeta também ressaltou que o cordel é tipo de gênero poético que incorpora e exprime características da cultura em que o poeta vive. “Quando lemos uma poesia de cordel, há uma respiração nova do que o autor absorve e expressa da cultura em que ele vive”, descreveu. Um exemplo é a diferença entre um cordel do Nordeste e um amazônico. “Percebemos a cultura claramente simbolizada de cada uma das regiões”, enfatizou.


Os escritores explicaram ao público presente a origem da literatura de cordel, que remonta ao século XVI, quando o Renascimento popularizou a impressão de relatos orais, e como o gênero se manteve uma forma literária popular no Brasil. “O nome cordel tem origem na forma como tradicionalmente os folhetos eram expostos para venda, pendurados em cordas, cordéis ou barbantes em Portugal”, esclareceu João de Castro.


Declamações – No Nordeste do Brasil, o nome foi herdado, mas a tradição do barbante não se perpetuou: o folheto brasileiro pode ou não estar exposto em fios. Alguns poemas são ilustrados com xilogravuras, também usadas nas capas. As estrofes mais comuns são as de dez, oito ou seis versos. Os autores, ou cordelistas, recitam esses versos de forma melodiosa e cadenciada, acompanhados de viola, assim como também fazem leituras ou declamações muito empolgadas e animadas para conquistar os possíveis compradores.


O tom descontraído do cordel é o que faz com que o gênero poético seja capaz de se manter ao longo de todos esses séculos. “Os poetas hoje não querem criar dentro de uma fórmula estabelecida, querem a sua própria formula. A gente se encanta com o surrealismo da literatura que o cordel tem em seus temas. O cordel é um exemplo de impregnação do humano na poesia de todo o tempo”, afirmou Paes Loureiro.


Simultaneamente ao encontro dos cordelistas, ocorreu também a comemoração pelo Dia do Cordel, no Estande dos Escritores Paraenses, com a venda de cordéis. Para o escritor João de Castro, o encontro teve como principal objetivo resgatar e preservar essa linguagem literária. “Como cordelistas, temos uma proposta didática e pedagógica, haja vista o cordel ter uma linguagem prazerosa de se ler”, finalizou.


(DOL, com informações da Agência Pará)

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