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Cultura popular é tema de debate na XVII Feira

sábado, 04/05/2013, 13:43 - Atualizado em 04/05/2013, 14:05 - Autor:


A XVII Feira Pan-Amazônica do Livro, que acontece até domingo (4) no Hangar, em Belém, abriu espaço para a textualização da música, tema debatido durante uma coletiva na Sala Marajó, na sexta-feira (3). Entre os convidados estavam o Mestre Damasceno, um dos maiores conhecedores da cultura popular do arquipélago do Marajó, o Grupo Parafolclórico Tambá Tajá, que há 25 anos divulga o carimbó paraense, e o professor de audivisual, Guto Nunes, diretor do documentário “O Esplendor da Resistência Marajoara”, que conta a história do carimbó e dos grandes mestres da cultura popular.


O debate, mediado pelo jornalista Elielton Amador, traçou um painel dessa manifestação que é genuinamente paraense a partir da visão de pessoas que convivem e trabalham com grupos folclóricos de dança, música e expressões regionais. Um dos convidados ilustres, Mestre Damasceno contou algumas de suas experiências à frente de grupos juninos na região do Marajó. Ele perdeu a visão após um acidente quando ainda atuava como operário da construção civil. Já trabalhou como pescador e agricultor e hoje recebe uma aposentadoria especial do Governo do Estado assegurada por meio da Lei do Mestre, aprovada pela Assembleia Legislativa do Pará, destinada a pessoas e grupos que possuem conhecimentos e técnicas imprescindíveis para a preservação da cultura tradicional ou popular do estado.


Ele conta que já compôs mais de 400 músicas. “Eu componho desde muito novo, mas ainda não fazia as brincadeiras juninas. Comecei a cantar minhas musicas quando participei de festivais com compositores mais famosos da minha cidade. Foi aí que selecionei alguns garotos para montar um grupo folclórico e foi também onde comecei a cantar minhas canções. Ganhamos muitos festivais de música na região e acabamos nos empolgando com esse trabalho. Hoje tenho inúmeros prêmios conquistados por meio da música”, conta o mestre.


Ele explica que sua inspiração para compor vem da cultura marajoara. Para ele, o importante é criar músicas novas e com identidade própria. “Quando eu vejo uma coisa que pode render uma música boa eu escrevo. O mais difícil é fazer a melodia, porque você não pode fazer igual a melodia de outro cantor. Eu crio, canto e depois escuto para ver se não está parecida com a música de outro artista. O importante é criar o que é nosso” ressalta.


Na ocasião, o professor de Guto Nunes exibiu parte do documentário “O resplendor da resistência marajoara”, dirigido por ele. Ele conta que o filme foi criado a partir da resistência da cultura marajoara, que ao longo dos anos vem se alternando entre períodos de grande efervecência e outros de ocaso. “Eu cresci no meio cultural do Pará, ainda quando criança ia muito ao Marajó. Hoje quando levo o meu filho para lá percebo que a cultura ainda se manifesta do mesmo jeito de quando eu era criança. É claro com direito a algumas mudanças que acontecem naturalmente no decorrer do tempo”.


Sobre o processo de criação do documentário - cuja estreia está programada para o dia 22 de junho,o no Sesc Boulevard - ele explica que foram 10 dias de filmagens intensas que tiveram como principal personagem o mestre Damasceno. “Além de personagem, ele foi sujeito de pesquisa, elemento fundamental para que eu pudesser entender esse meio cultural do Marajó. O resplendor da resistência marajoara faz uma referência exatamente à retomada dessas manifestações que, por mais que já não se façam tão presentes junto às gerações mais novas, sempre se renova e se mantem viva na figura e na arte dos mestres”, ressalta o diretor.


O público que compareceu à Sala Marajó também participou do debate. A auxiliar de serviços gerais Antônia Silva conta que sempre procura participar de eventos que destacam a arte e música regionais. “Eu adoro ser paraense e adoro ainda mais me divertir com músicas feitas aqui, por pessoas daqui. O Mestre Damasceno é um exemplo dessas pessoas que trabalham que a cultura paraense se mantenha viva”, ressalta.


(DOL, com informações da Agência Pará)

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