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Quando a criatividade encontra o acaso

sexta-feira, 03/05/2013, 08:20 - Atualizado em 03/05/2013, 08:21 - Autor:


Popularizada na internet por grupos e atores do Sul e Sudeste do Brasil desde o início dos anos 2000, a improvisação é um dos gêneros teatrais mais conhecidos hoje do público. Pensando nesse sucesso e na necessidade de expandir a técnica por todo o país, foi criado em Belo Horizonte, em 2007, o Festival Internacional de Improvisação (Fimpro), que pela primeira vez aporta em Belém, com atividades até domingo no Teatro Gasômetro. A entrada é franca. 


A programação conta com espetáculos, debate, lançamento de livro e encontro artístico. A companhia Impromadrid Teatro, da Espanha, é uma das principais atrações do evento com o espetáculo “Corten 2.0”, criado especialmente para o festival de 2013 e dirigido por Ignacio López, Ignacio Soriano e Jorge Rueda. A montagem mistura dramaturgia, novas tecnologias e música nas redes da improvisação. A música é de Nacho Mastretta. 


A Impromadrid Teatro trabalha há mais de 10 anos com a investigação das técnicas de improvisação teatral e já produziu sete produções originais além do Festim, único festival internacional de improvisação da Espanha. “O Impromadrid é um dos principais representantes da improvisação no mundo. Ele traz uma estética diferenciada, onde o cenário e a música são compostos ao vivo”, analisa Mariana Muniz, curadora do Fimpro. “Corten 2.0” será apresentado no sábado, às 21h. 


RECURSO POÉTICO


No domingo, 5, o Fimpro terá a apresentação do espetáculo “O seguinte é isso...”, da Cia. Experimental de Dança Waldete Brito, de Belém, às 18h. “Tivemos a felicidade de encontrar a companhia da Waldete Brito, que já tem um trabalho bem extenso em improvisação em Belém e contribui para a difusão dessa técnica”, defende Muniz. O espetáculo, de 2007, utiliza a improvisação como recurso poético em que o desafio é elaborar a dança no instante em que ela acontece no palco. A concepção e a direção são de Waldete Brito. 


Em seguida, às 20h, quem se apresenta no teatro Gasômetro é Uma Companhia, de Belo Horizonte, com o espetáculo “Improcedente” que explora o humor a partir da improvisação teatral. Em Belém, a montagem será feita de forma diferente com três artistas da Uma e três da Impromadrid. “A improvisação tem esse barato: permitir que atores que não são do mesmo grupo compartilhem o mesmo palco, mais ou menos como o futebol, quando um jogador é convidado por outro time”, diz Débora Vieira, diretora do espetáculo e também curadora do festival. “Improcedente” trabalha com um mestre de cerimônia que faz perguntas ao público para construir o que será apresentado pelos improvisadores. Diferente do formato da internet, o espetáculo ao vivo permite a construção e desconstrução contínua do que está sendo apresentado, em que o próprio público oferece os estímulos e os encaminhamentos. “É uma estrutura que não tem problema nenhum com o fracasso, a gente trabalha também em cima dele”, revela Débora. 


“Nosso objetivo é contribuir para que grupos do Brasil inteiro, muitos ainda incipientes, continuem com essa prática”, conta Mariana. Após se apresentar em Belém, o festival, que tem o patrocínio da Vivo por meio do projeto Vivo EnCena, ainda vai passar por São Paulo, Belo Horizonte, Vitória, Aracaju e Salvador. A programação em Belém ainda terá o debate Vivo EnCena com o tema “O improviso na contemporaneidade”, amanhã, às 17h, na Escola de Teatro e Dança da UFPA, com entrada franca. 


Também será lançado o livro “Improvisação como espetáculo: processo de criação e metodologias de treinamento do ator-improvisador”, de Mariana Lima Muniz e editado pela UFMG. A obra traça o contexto histórico do ressurgimento da improvisação como espetáculo nos séculos XX e XXI, seus principais conceitos e procedimentos metodológicos no treinamento e no processo de criação de espetáculos de improvisação. 


O encontro artístico de prática de improvisação será realizado hoje, das 18h30 às 21h30, também na ETDUFPA. A proposta é que os artistas possam se conhecer, improvisar, brincar e estabelecer um contato que possa originar futuros projetos. O encontro é gratuito, mas as inscrições prévias para participar já encerraram. Para Mariana Muniz o principal prazer da improvisação é sentir que o público e os artistas estão construindo juntos o espetáculo. “Existe uma cumplicidade entre os dois, onde nem artista nem plateia sabe o que vai acontecer”, conclui. 


NÃO PERCA


Festival Internacional de Improvisação. De hoje a domingo, na ETDUFPA (av. Jerônimo Pimentel com Dom Romualdo de Seixas) e Teatro Gasômetro (av. Magalhães Barata, 830 – Parque da Residência). Entrada franca. As senhas para assistir aos espetáculos serão distribuídas uma hora antes de cada apresentação.


(Diário do Pará)

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