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‘Os Mocambeiros’ será lançado hoje

quinta-feira, 02/05/2013, 07:51 - Atualizado em 02/05/2013, 07:51 - Autor:


O casamento de Vicente e Marena Salles ia muito além da vida conjugal. A violonista e professora de música carioca cuidou diretamente de todas as partituras presentes nas pesquisas do folclorista e historiador paraense desde a década de 1960.


“Acho que o segredo de nossos 47 anos de casamento foi que sempre soubemos respeitar a carreira um do outro. Eu sempre o deixei no canto dele, sem me envolver com o que ele fazia. E ele fazia o mesmo. Mas quando nossos campos de conhecimento cruzavam caminhos, um ajudava o outro. Ele sabia ler partitura, escrever, mas não com muita facilidade. Preferia deixar o trabalho pra mim, nesses casos”, revela Marena em entrevista por telefone do Rio de Janeiro (RJ).


No entanto, para dar continuidade ao livro “Os Mocambeiros” pela primeira vez ela teve que se envolver diretamente com os assuntos do marido, falecido no último dia 7 de março. A obra trata do mapeamento dos mocambos na região do rio Trombetas, afluente do Amazonas, noroeste paraense. Ainda complementam o trabalho os ensaios inéditos “Quilombos na Amazônia, um enfoque interdisciplinar” e “Memória Bibliográfica dos Quilombos na Amazônia”. “O livro está pronto desde 2006 praticamente. Ele revisou e editou todo o material em vida”, garante a viúva do autor, que vem a Belém participar do lançamento.


PIONEIRO


Vicente é autor do estudo seminal “O Negro do Pará”, de 1971. “Antes dele não se levava em consideração a influência negra na cultura paraense. Ele mostra que o carimbó, o lundu, carregam uma forte carga da cultura negra. A comida da região, o linguajar, todos esses aspectos foram influenciados”, explica Marena.


A violonista conta como o assunto se tornou tão caro ao autor. “Quando ele nasceu, a mãe teve um problema de saúde e teve que recorrer a uma ama de leite negra, que era de um quilombo próximo da cidade natal dele, Igarapé-Açu. Ele cresceu imerso nesse imaginário, embalado com as histórias que ela contava”, revela.


(Diário do Pará)

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