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IAP lança o livro 'Os Mocambeiros'

terça-feira, 30/04/2013, 10:40 - Atualizado em 30/04/2013, 10:40 - Autor:


Marena Salles, viúva do escritor Vicente Salles, estará em Belém para o lançamento de "Os Mocambeiros". O lançamento será nesta quinta-feira, 2 de maio, no Ponto do Autor, da Feira do Livro, por meio do Instituto de Artes do Pará (IAP). O livro já está à venda no estande do IAP. Dono de uma vasta obra sobre o negro e sua história no Pará, Vicente Salles faleceu no dia 7 de março deste ano, mas ainda assim deixou de presente um pequeno legado inédito. Uma dessas obras, “Os Mocambeiros”, será apresentada ao público com o selo do IAP. O lançamento contará com a presença de Marena Salles, viúva do autor. Na resenha de “Os Mocambeiros”, fica clara a relação de dor vivenciada no período da escravidão no estado do Pará.


Para escapar dos horrores da escravidão em fazendas de grandes proprietários rurais do Baixo Amazonas, muitos negros procuraram refúgio em locais distantes, perigosos e impróprios à sobrevivência humana. Embrenharam-se na floresta, léguas acima das cachoeiras do rio Trombetas, o mais longe possível das terras férteis e do alcance dos capitães do mato, “caçadores de negros fujões”.


A paisagem era exuberante, mas inóspita e insalubre, sujeita a febres e a toda sorte de riscos. Esses espaços – os mocambos – conquistados, desde 1812, para a defesa precária da liberdade, voltaram à cena, quase dois séculos depois, quando a região do Trombetas se tornou palco da cobiça internacional pela bauxita, matéria prima do alumínio. Os negros foram convenientemente tratados como mais uma “descoberta” da Amazônia cheia de mistérios e lendas. Vicente Salles, autor de O Negro do Pará, de 1971, também volta ao tema neste inédito "Os Mocambeiros" para reavivar a memória dos mal intencionados, botar o preto no branco e dizer quem são os legítimos senhores dessa terra.


Vicente Salles mergulhou em arquivos e refez caminhos percorridos por estudiosos e exploradores que, durante o regime escravagista, tiveram contato com os quilombos da região do Baixo Amazonas. Trabalhos de Ferreira Pena, Tavares Bastos, Padre Nicolino, Orville Derby, Henrique e Otília Coudreau, Gastão Cruls, Arthur Cezar Ferreira Reis e de muitos outros foram revisitados por Vicente Salles.


Esse levantamento, feito com a lupa de pesquisador atento às minúcias da cultura das comunidades negras, resultou em uma série de artigos publicados esparsamente no jornal A Província do Pará, em Belém. A esse trabalho, revisto e acrescido do ensaio inédito "Quilombos na Amazônia", um enfoque interdisciplinar e da Memória Bibliográfica dos Quilombos na Amazônia, Vicente Salles agrega a sensibilidade de poeta, filósofo, musicólogo e folclorista para resgatar o homem, invisível no tempo e no espaço e para desconstruir a farsa da “descoberta” de negros no Trombetas, montada para preparar a ocupação da terra por especuladores estrangeiros, como o húngaro Kálman Somody, e o começo da exploração da bauxita pela Mineração Rio do Norte, subsidiária da canadense Alcan, considerada a segunda maior produtora de alumínio no Ocidente.


(Agência Pará)

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