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Livro reúne textos raros de Benedito Nunes

terça-feira, 30/04/2013, 07:51 - Atualizado em 30/04/2013, 07:54 - Autor:


Grande Sertão: Veredas”, clássico de Guimarães Rosa (1908-1967) que conta a história do ex-jagunço Riobaldo, foi lançado em 1956. No mesmo ano, Benedito Nunes (1929-2011) escreve a primeira crítica sobre o livro que se tem registro, publicada no Jornal do Brasil. Começava aí a admiração do filósofo paraense pelo escritor mineiro que culmina este ano com “A Rosa o que é de Rosa – Literatura e Filosofia em Guimarães Rosa”, da editora DIFEL.


A obra póstuma é uma compilação de treze artigos sobre a literatura de Guimarães Rosa. Dentre eles estão os ensaios mais conhecidos a respeito do tema, publicados em “O dorso do tigre” (1969). Mas constam raridades como o texto que dá nome ao lançamento, escrito em resposta a uma avaliação negativa do crítico português João Gaspar Simões.


“Bené defendia que Guimarães Rosa ia além da questão regionalista. Ele via naquela linguagem arcaica, popular, um reflexo do experimentalismo do autor. Uma forma de interpretação muito similar a que adotou para os autores paraenses. Ele conseguia passar essa questão de estilo para ver as questões filosóficas mais profundas dentro da obra”, afirma o organizador do livro, o filósofo Victor Pinheiro, 27 anos.


Uma relação que não se resumia aos livros, conta Pinheiro. Benedito Nunes e Guimarães Rosa chegaram a se encontrar em mais de uma ocasião, tudo registrado em um artigo que integra o novo livro. 


‘A voz do autor’


“Benedito tinha uma compreensão filosófica da literatura de Guimarães. Ele não encarava apenas como crítica literária. Ele enxergava através dos personagens a voz do autor lidando com assuntos profundos como morte, identidade, religião”, diz.


Desde 2003, Pinheiro desenvolve um trabalho de pesquisa sobre a obra de Benedito Nunes. O estudo já rendeu outros dois livros: “Ensaios Filosóficos” (2010) e “Do Marajó ao Arquivo – Breve Panorama da Cultura No Pará” (2012).


Guimarães Rosa era um assunto caro a Benedito Nunes, ao lado de escritores como Clarice Lispector, João Cabral de Melo Neto e Oswald De Andrade, por exemplo. Mas ao contrário dos modernistas que ganharam obras exclusivas como “O Mundo de Clarice Lispector”, “Drama da Linguagem - Uma leitura de Clarice Lispector”, “João Cabral de Melo Neto” e “Oswald Canibal”, as suas reflexões a respeito de Guimarães estavam dispersas em prefácios, posfácios, estudos, ensaios, entrevistas, resenhas e resumos.


Agora, graças ao projeto, esta é a primeira obra dedicada ao autor. Na esteira de lançamentos para este ano, ainda esta previsto um livro inédito sobre a obra de Fernando Pessoa.


(Diário do Pará)

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