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Tony Bellotto: entre o acorde e a palavra

terça-feira, 30/04/2013, 07:46 - Atualizado em 30/04/2013, 07:46 - Autor:


Na noite de domingo, no auditório Dalcídio Jurandir, mais uma vez o paulista Tony Bellotto subia a um palco em sua vida. Depois de mais de 30 anos comandando a guitarra na banda Titãs é bem verdade que sua apresentação em Belém pode até ser considerada “morna”. Sentado em um banco, com voz compassada, nem parece ser o músico que extravasa emoções com a guitarra em punho. Também, pudera. O Tony que participou da mostra literária por aqui é aquele que escreve. Autor de oito obras, incluindo o lançamento “Machu Picchu”, ele conversou com fãs no Encontro Literário.


Muito simpático e atento às perguntas do público, Tony parecia se sentir em casa em sua estreia na Feira Pan-Amazônica do Livro. Em um papo mediado pela jornalista Renata Ferreira, ele falou dos processos criativos e sobre a importância da música e da literatura em sua vida. Na plateia, muita gente interessada em saber o que o motiva a escrever e qual a relação entre a carreira de guitarrista e a de escritor – além, é claro, de uma penca de fãs do Titãs afoitos para ver de perto o ídolo.


O COMEÇO


Numa conversa muito distraída, Tony revelou a todos como iniciou o interesse pelas artes. “Eu queria tanto ser rock star, como ser também escritor. Eram duas coisas que faziam parte da minha vida na adolescência. A música me puxou primeiro, mas, aos 30, resolvi começar a escrever”, conta ao público.


Outro ponto bastante tocado no bate-papo foi sobre seu último livro. Tony, que é autor da famosa trilogia policial do investigador Bellini, lançou no final do ano passado o livro “Machu Picchu”. A obra fala um pouco das relações contemporâneas, tendo como ponto de partida um casamento marcado por traições. “Essa teia de fatos deflagrados a partir da relação de um casal se desenrola em São Paulo. O título faz alusão à Machu Picchu em contrapartida à metrópole contemporânea que é a cidade paulista. Tem outro motivo também, mas só vai saber quem ler o livro”, brinca o autor.


Em meio aos anônimos da plateia, duas figuras ilustres: o escritor Ignácio de Loyola Brandão e o cartunista Ziraldo. Encucado com a narrativa de “Machu Picchu” ser contada em primeira pessoa por uma personagem feminina, Ignácio perguntou sobre como se deu esse processo de criação. “Certa vez li em algum lugar que a literatura é um truque. É exatamente isso, a gente brinca, se coloca em outras posições. Foi assim que eu me deixei levar para escrever – mas, claro, com ajuda da minha editora particular, a Malu”, diz Tony, referindo-se a esposa, a atriz Malu Mader.


Após comentar que deixou de mão o personagem Bellini por um tempo, no final da conversa, Tony ainda pôde contar com um conselho de Ignácio Loyola, considerado pelo autor paulista um dos mais influentes escritores do Brasil a partir da década de 70. 


“Bellini, que é teu personagem mais famoso, pode voltar a aparecer sempre que quiser. Isso não fica a cargo de ti, é algo muito maior. Deixe que ele ganhe corpo sempre que quiser”, disse Ignácio. Como que pressentindo as palavras do amigo, Tony logo arrebatou com a novidade: Bellini, que foi inspirado em um personagem do escritor John Fante, retornar em uma nova obra, prevista para ser lançada em 2014. 


(Diário do Pará)

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