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Um oásis para os fãs de quadrinhos

terça-feira, 30/04/2013, 07:28 - Atualizado em 30/04/2013, 07:37 - Autor:


Quem passeia pela Feira do Livro encontra de tudo um pouco. Publicações para todas as idades, gostos e bolsos: obras especializadas em assuntos científicos, romances, pesquisas acadêmicas, best sellers de diversos gêneros, obras infantis e periódicos. Em uma mostra que reúne em torno de 100 mil títulos literários – somados em mais de 150 toneladas de livros - há espaço para variadas expressões que se traduzem em letras. E nesse emaranhado de papéis que toma conta do Hangar, um espaço diferenciado reúne a força da palavra ao desenho. Neste ano, as histórias em quadrinho ganharam um destaque especial, mostrando que trata-se de uma arte que se atualiza na velocidade em que agrega mais fãs pelo mundo.


Uma das novidades da XVII Feira Pan-Amazônica do Livro, que segue até o próximo domingo, é o Fest Comix. O espaço é organizado pela livraria paulista Comix, considerada uma das maiores do país quando o assunto é HQ. Acostumada a invadir feiras literárias pelo Brasil, esta é a primeira vez que aporta em Belém. E na bagagem, mais de 10 mil exemplares dos mais variados gêneros de quadrinho: dos últimos lançamentos, passando pelos encadernados de luxo até chegar aos números especiais de mangá (estilo de narrativa e estética criada pelos japoneses). Tudo numa média de preço que gira em torno de R$ 3 a R$ 160. E basta dar um passeio pelo estande da livraria, que fica situado logo na entrada do Espaço Infantil, para entender que já passava da hora das HQs terem um lugar cativo na maior feira literária do norte do país.


Histórias para todas as idades e gostos


Olhos atentos para as cores vibrantes, para os traços que se desdobram em formas. As prateleiras do Fest Comix chamam atenção de qualquer um. Pelo espaço, circulam pessoas atraídas pelo inusitado – que se traduz no número surpreendente de publicações expostas, todas voltadas para o universo das histórias em quadrinhos - como também aficionados pela arte, que encontram no estande uma nova possibilidade de consumir as HQs. 


“O grande lance é que quem curte quadrinho sempre tem dificuldade de encontrar os números que está procurando. As livrarias têm pouco espaço para eles, normalmente a gente tem que apelar para a internet, pagar um frete. É um prazer poder chegar em um local e tocar nas publicações antes de comprar”, considera o estudante João Alfredo Gomes, de 19 anos, que enquanto olha a área dos encadernados especiais, já acumula embaixo do braço três pequenas publicações. “Estou comprando quadrinhos para conhecer, eu sempre leio bastante esses de zumbi, mas agora vou ler uns de outro estilo, mais policiais mesmo”, explica.


A universitária Luana Cabral também não perdeu a oportunidade de ver de perto seus HQs preferidos. Desde criança, a paraense, que hoje tem 21 anos, é apaixonada pelo universo da cultura oriental. Começou pelos desenhos animados, mas logo descobriu os mangás. Sua coleção de publicações já enche duas gavetas do armário. “Os quadrinhos te fazem viajar para outro universo. Eu estou sempre à procura das novidades e também de edições raras. Agora estou comprando o livro ‘Litro de Lágrima’, que é do estilo drama da vertente japonesa”, conta a paraense. 


Janaína Sarmento, de passagem com os dois filhos pela Feira, também não resistiu e parou no estande para os pequenos se divertirem com as séries infantis. “Meus filhos têm 4 e 6 anos e adoram a Turma da Mônica. Eu acho super importante esse contato com os quadrinhos, foi assim que aprendi a ler. É uma arte que agrega coisas divertidas e que pode ensinar bastante”, diz a mãe cuidadosa, que não tardou em levar alguns números da série de Maurício de Souza para a criançada.


COISA SÉRIA


Há décadas trabalhando com quadrinhos, o paulista Ricardo Jorge, diretor comercial da livraria Comix, percebeu a mudança da relação do leitor com as HQs nos últimos anos. “Sempre houve produção de quadrinhos para todas as idades, mas comercialmente existia mesmo uma propensão a enxergar essa arte como mais infantil – o que não exclui a existência de uma produção marginal. O que a gente vê no público consumidor hoje é que isso mudou. As pessoas já têm mais intimidade com as HQs”, explica o diretor. De acordo com Ricardo, essa relação fica clara no próprio ritmo de produção de quadrinhos. “Hoje, temos uma média de 100 lançamentos de HQs por mês, isso aponta muito bem como o mercado e consumidor tem se comportado”, completa.


PERCURSO


A livraria Comix inaugurou há 26 anos, em uma modesta banca de revistas, na cidade de São Paulo. O projeto sempre teve como objetivo estimular o mercado de HQs. E foi na calçada que a livraria fez a primeira edição do Fest Comix, 20 anos atrás. “A gente queria apresentar a produção e também lançar quadrinhos alternativos, de quadrinistas que eram próximos. Aí começamos a fazer o evento que cresceu de forma vertiginosa”, diz Ricardo. Atualmente, o Fest Comix, que tem edições anuais, recebe em torno de 50 mil visitantes e comercializa 500 mil revistas.


“Esse nosso espaço na Feira do Livro é como se fosse o primeiro Fest Comix em Belém. Adoramos o convite e queremos voltar. Vamos sentir como vai ser a aceitação para na próxima vez, inclusive, pensar numa programação para o espaço, trazer alguns desenhistas e quadrinistas, por exemplo”, antecipa Ricardo.


(Diário do Pará)

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