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Escritor usa autobiografia na Feira do Livro

segunda-feira, 29/04/2013, 07:54 - Atualizado em 29/04/2013, 07:54 - Autor:


Cristovão Tezza pôs a carreira literária a limpo no seu mais recente livro, “O espírito da prosa: uma autobiografia literária”, lançado no ano passado. O catarinense de 60 anos reflete sobre suas influências e esmiúça os bastidores da produção dele, com dezoito livros de ficção e não-ficção publicados desde 1979.Para quem é familiar com o estilo do escritor, sabe que vai além de um mero livro de memórias. 


No premiado “O Filho Eterno” - que recebeu sete prêmios, dentre eles o Jabuti em 2008 -, baseia-se na experiência como pai de uma criança com síndrome de Down para fazer um livro de franqueza impiedosa. “Não foi um livro fácil. Mas penso que invadi apenas a minha própria intimidade emocional e intelectual - que é, mais ou menos, o que todo escritor faz em maior ou menor grau quando escreve uma peça de ficção”, afirma em entrevista por e-mail de Curitiba, cidade onde está radicado. 


Convidado da XVII Feira Pan-Amazônica do Livro, o escritor Cristovão Tezza participa de um encontro aberto ao público hoje (29) em Belém. Ele antecipa alguns dos pontos da conversa de logo mais, revelando um pouco de seu processo criativo e relação com o público. Conheça um pouco mais do escritor.


P: O que planeja para sua participação na Feira Pan Amazônica do Livro?


R: Pretendo conversar sobre meu último livro, “O espírito da prosa”, que é minha autobiografia literária. Acho que pode ser um bom ponto de partida para discutir a literatura brasileira da minha geração e do movimento contemporâneo. E é claro que no debate sempre surgem questões novas ou imprevistas para conversar.


P: Feira literária costuma ser lugar em que aspirantes a escritores e curiosos vêm ávidos para aprender ao lado de seus ídolos. Se algum leitor lhe perguntar sobre uma fórmula ou dica para ser tornar um escritor, o que dirá?


R: É sempre uma questão difícil - não é simples dar conselhos a alguém, porque na verdade todo escritor acaba por fazer um caminho único. Quando penso nisso, tudo que me ocorre é mais ou menos óbvio: ler muito, antes de qualquer coisa. Todo escritor tem de ser um bom leitor. Depois, ser capaz de autocrítica, de avaliar mais friamente o próprio trabalho, ser capaz de enfrentar a solidão do texto. Não sair correndo atrás da primeira borboleta que passa voando. Não mentir, fazendo ficção - o bom leitor parece que imediatamente percebe quando um texto é falso. E, isso é importante, escutar conselhos, mas nunca levá-los muito a sério. Todo escritor é um desconfiado por natureza.


P: Em seu novo livro, “O espírito da prosa” (2012), você discorre sobre o ato de escrever, mas sem recorrer a fórmulas ou manuais. Como forjou o seu estilo?


R: De fato, eu não quis fazer um livro acadêmico. Queria escrever sobre literatura com a perspectiva mais pessoal, considerando a minha formação de escritor. E o estilo é algo que a gente cria ao longo da vida - não é propriamente algo pensado. A primeira ideia era centrar a discussão sobre o romance, esse gênero que andou décadas meio apagado e que hoje está voltando com toda a força. Mas, ao começar o livro, senti que tinha de considerar o ideário da minha formação, tudo que me fez como escritor.


P: O próprio título do livro já diz a que veio, definindo-o como uma ‘autobiografia literária’. O que te levou a passar a limpo essas memórias? 


R: Ao discutir literatura, eu queria escapar da pura teoria, da pura técnica - atrás de toda opinião há uma vida formadora, que deve ser considerada. Mergulhar na literatura foi assim um modo de mergulhar em tudo aquilo que, olhando para trás, percebi que acabou me fazendo escritor. No fim, escrevi mesmo uma “autobiografia literária”.


P: O quanto de sua vida pessoal está impregnado no seu trabalho? Existe alguma questão ética em usar a sua intimidade e a de pessoas próximas para basear sua obra? 


R: Em um livro, especificamente, “O filho eterno”, enfrentei pesadas questões biográficas. Mas tomei o cuidado de limitá-las a mim mesmo: fiz uma investigação ficcional, e bastante impiedosa, na história da relação de um pai com o seu filho especial. Ao optar pela terceira pessoa, e pela estrutura do romance, livrei-me de mim mesmo, por assim dizer. Senti a questão ética não como ocultação, mas como uma obrigação de não mentir, de não fugir do tema central.


(Diário do Pará)

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