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Cartas de amor à poesia de Max Martins

segunda-feira, 29/04/2013, 07:49 - Atualizado em 29/04/2013, 07:49 - Autor:


A poesia refinada e profunda de Max Martins marcou a história da literatura brasileira do século XX, colocando a produção textual do Pará em evidencia no cenário nacional. O peso poético e sensível da obra dele arranca suspiros e reflexões dos leitores mais desavisados e é alvo comum de muitas pesquisas acadêmicas. E foi assim, quase sem querer, que Élida Lima, ainda na infância, teve a chance de conhecer o poeta, tudo por causa de um trabalho escolar, para anos mais tarde usar seu legado como fonte de inspiração para o projeto de conclusão do curso de mestrado. Mas a história não para por aí.


O que poderia ter ficado apenas na memória como mais uma atividade de colégio voltaria a tomar de assalto a vida da paraense décadas depois. Hoje, aos 30 anos, Élida deixou um pouco de lado a formação de publicitária para mergulhar mais uma vez no legado de Max Martins – agora bem mais consciente dos efeitos da escrita ligeira do poeta. O resultado é o livro “Cartas ao Max”, em que possibilita ao leitor uma viagem subjetiva ao universo do escritor. Esse mergulho materializado em obra será lançado amanhã (30), na Fox Vídeos. Hoje, a autora fala do livro em um bate-papo na XVII Feira Pan-Amazônica do Livro, no Espaço Porto Max, no estande da editora da UFPA, no Hangar – Centro de Convenções e Feiras da Amazônia. 


O livro de Élida traz 36 poemas de Max Martins e ainda manuscritos do poeta, alguns inéditos. O conteúdo de autoria do escritor dialoga com as reflexões e impressões da paraense por meio das cartas e ensaios assinados por ela. “O livro abre com cartas. Depois incorpora, se apropria de outros estilos. São formas híbridas, experimentações com a escrita, na tentativa de arrancar de si algo”, explica a autora. O livro foi escrito ao longo de dois anos, durante o mestrado no Núcleo de Estudos da Subjetividade na PUC.


MINHA SINA, A POESIA


A primeira vez que teve contato com a obra de Max Martins, Élida tinha apenas 14 anos. A missão de ter que entrevistar o poeta para um trabalho que seria apresentado na feira de literatura da escola, tornou-se um prazer desconcertante quando a menina teve acesso aos seus escritos. “’Jaculatório és, meu verso pênis’. Eu ficava sem entender, quanto erotismo sem vulgaridade, o que era aquilo? Uma certa incompletude que tinham os seus poemas me fazia ficar boquiaberta. É claro que essa articulação eu tenho hoje, na época da infanta, eu ficava apenas com o estupor, sem saber o que achar, sem saber o que dizer”.


Depois de concluir a faculdade em Belém, Élida mudou-se para São Paulo, a fim de trabalhar e fazer cursos de especialização. Lá, mais uma vez, a poesia de Max esbarra na vida dela. Passeando por uma livraria, encontra a obra “Poemas Reunidos” e mais uma vez emerge no universo do escritor. Nesse período, em uma das viagens para Belém, chega à cidade natal logo após a morte do poeta. 


“Tudo isso mexeu muito comigo e me fez sentir vontade de desvendar a vida e obra deste grande poeta. Não sei se fui eu que escolhi o Max ou se foi o Max que me escolheu, dada a absoluta necessidade que eu tinha de escrever para o Max naquele momento. ‘Para o Max’ ... ‘Para ter onde ir’ ... Por não ter convivido com ele em vida, quando eu podia tê-lo feito, por ter passado esse intervalo, de quando o conheci e o amei, até o momento de reencontrá-lo, e o reencontro nessas Cartas”, divaga a escritora em meio à poesia.


O livro é um lançamento da Invisíveis Produções. “Esse livro não foi escrito com um formato acadêmico - embora transite bem nele. Eu queria lançar por uma editora que tivesse a cara do livro, e eu acho que a Invisíveis é isso, ela representa bem o livro”, ressalta Élida. “Cartas ao Max” será vendido na livraria Fox em Belém, e na livraria Vila, em São Paulo. Em breve estará disponível para venda virtual e presencial nas principais livrarias no Brasil.


(Diário do Pará)

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