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Espetáculo discute o comportamento humano

sexta-feira, 26/04/2013, 08:11 - Atualizado em 26/04/2013, 08:11 - Autor:


Quinto espetáculo do grupo pernambucano Magiluth, ‘Aquilo que meu olhar guardou para você’ é fruto de uma investigação a partir de imagens trocadas com a equipe do Teatro do Concreto, do Distrito Federal, no Programa Rumos Itaú Cultural, abordando o comportamento do homem contemporâneo na urbanidade. Lançando mão de diversos recursos teatrais, destinos individuais, de transformações e desvios são postos em cena sempre com um olhar afetuoso. Composto por cenas fragmentadas, a montagem traz no elenco os atores Erivaldo Oliveira, Giordano Castro, Lucas Torres, Pedro Wagner e Pedro Vilela. 


O projeto inicial previa a construção de microcenas no período de seis meses, tendo como mote inicial imagens de suas respectivas cidades (Recife e Distrito Federal) trocadas entre os coletivos, cujo objetivo era investigar o homem inserido na urbanidade e seus desdobramentos. “Aquilo que meu olhar guardou para você integra a trilogia de ‘seres humanos tentativos’, composto também pelos espetáculos ‘Um Torto’ e ‘O Canto de Gregório’. 


A oportunidade de amadurecer o processo gerou o encontro entre o grupo e o diretor paulista, Luiz Fernando Marques, integrante do Grupo XIX, de peças com forte presença interativa como ‘Hysteria, Hygiene e Arrufos’. Com diversas técnicas de improvisação cênicas, corporais e dramatúrgicas, o Magiluth criou um espetáculo no qual plateia e artistas comungam de uma experiência sobre um olhar de fora para as cidades que muitas vezes ficam soterradas pelo ordinário. “O grupo tenta capturar o humano, o universal dos sentimentos, brincando de certa forma com a ideia que a paisagem muda, mas a ‘dor’ é a mesma. Claro que sem perder de vista os ‘cenários’, os ritmos, as cores e texturas que compõem, e obviamente contaminam, estes ‘dramas’”, conta Luiz Fernando Marques, que divide a direção do espetáculo com o grupo. 


Com uma dramaturgia que adota a postura de “testemunho imparcial”, contando relatos que poderiam ser objeto de vários contos, ‘Aquilo que meu olhar guardou para você’ mostra uma visão mais aprofundada das cidades com foco nas figuras, histórias e fluxos de todo o tecido social. “Nosso objetivo era pensar no próximo de uma maneira bem aberta e curiosa. Os relatos provêm dos próprios atores. São histórias inteiramente criadas e apresentadas por eles”, afirma o diretor. 


Os atores do Magiluth investigaram a relação de personagens com o entorno urbano, processando esses materiais com vários tipos de articulação cênica. “Foi um salto no vazio. A alteridade [a capacidade de nos colocarmos no lugar do outro em uma relação] é sempre um campo vasto”, explica o ator Giordano Castro. 


PESQUISA


Ao invés de trabalhar com antigas ideologias teatrais engessadas muitas vezes em um texto previamente estabelecido e uma encenação rígida, o Magiluth apresenta uma montagem totalmente aberta ao público e a cidade na qual a peça acontece. Primeiro por meio de um processo de observação e pesquisa de elementos específicos da cidade, onde a peça está sendo apresentada, acabando por modificar parte significativa da dramaturgia. Segundo porque a peça dividida em três atos tem um crescente de interatividade. Ao ponto que no terceiro ato a plateia é convidada, literalmente, a subir ao palco e compartilhar as cenas finas, transformando e ressignificando a obra ali apresentada. 


PRESTIGIE


Grupo Magiluth (PE) apresenta Aquilo que meu olhar guardou para você (hoje, amanhã e domingo, às 20h) e ‘1 Torto’ (amanhã e domingo, às 18h). Local: Espaço Experimental de Dança (rua Domingos Marreiros, 1775). Ingressos: R$ 5. Informações: 3246-4698.


(Diário do Pará)

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