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Literatura juvenil muda a vida de crianças

sábado, 20/04/2013, 11:54 - Atualizado em 20/04/2013, 12:07 - Autor:


“Você devia ler mais.” Conselho de uma criança de nove anos para uma repórter que não conhecia a literatura infantil em que Letícia Torres está submersa. A Bruxinha de Winnie, A Fadinha Pérola, O Diário de um banana e As aventuras do meu filho são alguns dos clássicos citados por três crianças amantes da leitura. Além de Letícia, Ana Beatriz Cardillo, de 8 anos, e Murilo Nascimento, também de 9 anos.


“Um país se faz com homens e com livros”, é a conhecida frase de Monteiro Lobato, o homem pelo qual fizeram do dia 18, o Dia Nacional do Livro Infantil, um dos maiores autores de obras infanto-juvenis. Os três pequenos em questão são um belo motivo para celebrar a data, porque estão visivelmente contaminados pela paixão aos livros. “Eu tenho muitos livros. Gosto de ir comprar, sempre peço para minha mãe me levar à Feira do Livro, às vezes troco os que tenho com a minha prima”, diz Ana Beatriz, que confessa ler obras sem ilustração também. “Afinal livro é pra ler”, completa Letícia. 


É um hábito que vem de berço


Murilo lembra do primeiro livro que leu, depois de sua mãe ter lido para ele quando mais novo. “Eu gosto mais dos livros de aventura e ação. Lá na casa do meu primo tem uma estante com muitos livros. Eu chego lá e pergunto se ele tem algum que eu queira e, quando ele diz que não, deixa eu procurar outros”, conta. Letícia também aprendeu a gostar de leituras após ouvir histórias dos familiares. “Minha mãe, minha vó e minha ‘dinda’ liam pra mim. Leio hoje livros com figura, com letra e coisas que interessam. Comecei quando era pequena, tinha uma coleção”, revela.


Entre o 4° e 5° ano do ensino fundamental, eles demonstram aquela empolgação e ansiedade a cada página virada. Mas o prazer pela leitura não é tão fácil de despertar, atualmente. A professora Josyane Madeira, que deu aula, entre tantos outros, a esses apaixonados, reconhece a dificuldade dessa geração. “Penso que a maior dificuldade é a parceria entre escola e família. Se fazemos esse trabalho de incentivo no colégio, não adianta que na casa deles seja só tablet, TV, computador e vídeo game”, avalia.


Ainda assim, a professora garante que vê iniciativas importantes nos ambientes escolares para não se deixar perder esse hábito. “Trabalho nessa área há nove anos e, mesmo com as dificuldades atuais, vejo bons resultados e um esforço pedagógico em continuarmos essa missão. Não queremos perder o manuseio do livro, o acesso à palavra”, afirma. O resultado é garantido. “Na escrita desse aluno e na oralidade, também é visível que a leitura faz bem”, diz.

Receita é simples e infalível


“Põe a criança em uma biblioteca e deixa ela escolher o que quiser. Se ele não gostar, deixe ele trocar”, defende a professora de literatura, Giselle Ribeiro. De acordo com ela, denominar literatura infantil é limitar um público. “Sou meio radical com essas coisas, mas essa denominação desfavorece a capacidade da literatura. Se já não se impõe limites para as crianças em outras questões, por que determinar a literatura que ela for ler?”, questiona.


Aliteratura, segundo ela, é parte fundamental da formação das pessoas. “Ela é uma ferramenta na construção do caráter. Ela dá a criança autonomia de pensamento. Imagina uma criança que não ouviu histórias. Sem acesso a ela, estamos perdendo a capacidade de imaginar e o mundo vai se tornando mais analfabeto”, alerta.



INDICAÇÃO


Para provar que literatura não tem idade ou classificação, Giselle faz uma sugestão. Dorminhoco, de Cleo Busatto. “Eu leio esse livro e acho ótimo. A linguagem é boa para as crianças também. Cleo é escritora, pesquisadora e contadora de histórias. Eu recomendo”, diz.


(Diário do Pará)

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