Edição do dia

Edição do dia

Leia a edição completa grátis

Previsão do Tempo
29°
cotação atual R$

Notícias / Cultura

Cultura

Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia

quarta-feira, 17/04/2013, 07:49 - Atualizado em 17/04/2013, 08:15 - Autor:


Foi preciso sentar, fechar os olhos e observar para então submergir. Entre a imagem estática e o movimento, a obra “Extremos”, de Leo Bitar, convida o espectador a um amanhecer e anoitecer à beira de um rio, em meio aos sons transmitidos por caixas instaladas na sala e que chegam a confundir os ouvidos mais desatentos. Ao fechar os olhos, é possível distinguir ruídos de carros, barcos e bichos que compõem o cenário idílico em uma experiência artística sinestésica, onde às vezes confunde-se o som e a imagem da obra com o som e a imagem do lado de fora, na Baía do Guajará.


“Extremos” é uma das obras selecionadas pelo 4º Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia, em cartaz na Casa das Onze Janelas até o dia 26 de maio, com entrada gratuita. Na mesma sala, vê-se a série fotográfica “Pipagaia”, de Fábio Cançado (MG), em que meninos e meninas reúnem-se sob um céu limpo para se divertir com um dos brinquedos mais antigos e simples que existe: a pipa - ou papagaio, como também é chamado em algumas regiões. Em um campo aberto, sem interferências urbanas, as crianças parecem livres, levadas pelo vento tais quais as pipas que dançam no ar. 


Em um outro canto, a série “Visagens”, de Betânia B. (PA), revela rostos – alguns desfocados – de ribeirinhos ao anoitecer. Os olhares lançados ao espectador chegam a ser intimidadores e causam certo desconforto, suscitam dúvida.
O Você também acompanhou a visita dos alunos de Ensino Fundamental da escola pública Emanuel José Sanches de Brito, de Ananindeua. Orientados por monitores, as crianças tiveram a oportunidade de experimentar a arte e as possibilidades que ela oferece. “Para quem vem de uma comunidade periférica, esse tipo de experiência é muito rica e proveitosa”, diz Leda Azevedo, coordenadora da escola. 


William Monteiro, de apenas 10 anos, mostrou-se encantado com o que viu. “Eu achei muito bonito. A gente aprende mais coisas sobre a cultura”, conta o menino ainda com brilho nos olhos. Ao todo, foram 27 alunos divididos em grupo para jogos que estimulam o olhar poético, a observação e o entendimento da arte. Cada grupo teria que explicar o que viu, o que sentiu e o que achou de cada obra exposta. “Essa ação educativa busca aproximar as crianças e os jovens. É muito interessante acompanhar o olhar deles”, explica Ademilton Junior, estudante de Artes Visuais e monitor do Prêmio Diário. 


Entre múltiplos olhares


Percorrendo o grande salão que abriga a maior parte das obras do Prêmio Diário, percebemos que as temáticas e dimensões dos trabalhos são os mais variados possíveis. Ana Mokarzel mostra a série “Km – 14” com fotografias feitas do mesmo recorte da paisagem visto de maneiras diferentes, variando conforme a velocidade do olhar. O rio e a floresta ora parecem nítidos, ora tornam-se disformes. Outra obra que chama a atenção é “Praianas”, de Carol de Góes (RJ). As imagens são claras, iluminadas, brancas, em contraste às paisagens de “Pipagaia”. A praia é tratada como um paraíso divino, com banhistas felizes e despreocupados com tudo. 


Por outro lado, a série fotografia “Livrai-nos de todo mal”, do artista paraense Wagner Almeida, um dos premiados da exposição, exibe corpos sem vida, jogados ao chão e portadores de mensagens religiosas tatuadas no corpo. Frases como “Fé em Deus” e imagens como a de Nossa Senhora de Nazaré misturam-se ao sangue ocasionado pela violência. A morte pode então significar o fim ou mesmo um recomeço, dependendo de quem vê. Wagner recebeu o prêmio Homem Cultura Natureza. Os outros premiados da mostra, e que também merecem destaque, são Emídio Contente (PA), que expõe a obra “Cobogó”, e os cariocas Daniela Alves e Rafael Adorjan com o trabalho “Derrelição”.


VISITE


Mostra dos artistas selecionados e premiados pelo 4º Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia. Até 26 de maio, no Espaço Cultural Casa das Onze Janelas (Praça Frei Caetano Brandão – Cidade Velha). Visitações de terça a sexta, das 10h às 18h e aos sábados e domingos, das 10h às 14h. Entrada franca. Acesse: www.diariocontemporaneo.com.br


(Diário do Pará)

Conteúdo Relacionado


0 Comentário(s)

MAISACESSADAS