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Círio

Conheça os objetos de cera usados para agradecer pelas graças alcançadas

quarta-feira, 19/09/2018, 07:47 - Atualizado em 19/09/2018, 09:57 - Autor:


O aposentado Sebastião Favacho, 74 anos, foi em loja de uma fábrica de ceras no bairro da Cidade Velha, em Belém, procurando por uma imagem que representasse um soldado naval e em poucos minutos encontrou. Ele é só uma das muitas pessoas que buscam essas lojas, nesta época do ano, para encontrar objetos que representem alguma graça alcançada por intercessão de Nossa Senhora de Nazaré.


“Meu neto queria muito entrar nas forças armadas, mas era uma prova muito difícil e concorrida. Ele não é católico, mas eu sim. Me apeguei com Nossa Senhora e pedi que, se ele fosse aprovado, iria encomendar um soldado de cera para levar no Círio. Estou feliz de poder pagar essa promessa”, declara o devoto.




Produção dos objetos de cera na fábrica São João (Foto: Ricardo Amanajás/Diário do Pará)


Na Cidade Velha, a Casa Círio funciona há 110 anos e foi fundada por portugueses. Há 35 anos está na família de Pedro Manoel. A poucos quarteirões dali funciona a fábrica São João, aberta há 72 anos e administrada pela família de Ana Brahuna.


Os comerciantes contam que, além das encomendas mais conhecidas como as que remetem a membros do corpo e bens materiais como casas e carros, há outros que chamam atenção como celulares, gatos, cachorros, galhos de árvores, plantações, algemas, pirarucu de 2,5m e até homens de cera de 1,70m.


Os fabricantes se esforçam para atender a todos ou pelo menos para adaptar os pedidos, como detalha a comerciante. “Muitos pedidos a gente não consegue atender pela alta complexidade, mas tentamos sempre adaptar porque entendemos o quanto esses objetos são sagrados para os clientes. Nós trabalhamos com a fé das pessoas. Então é preciso muita compreensão e discrição com os pedidos. Nunca perguntamos as histórias, alguns contam, outras ficamos só imaginando mesmo”, afirma.


Segundo o fabricante de ceras Pedro Manoel, os clientes geralmente são pessoas humildes, vindas do interior, mas nenhum deles se importa muito com o preço, mas sim em conseguir pagar suas promessas. “Não que seja caro, mas a última coisa que elas perguntam é o preço”, explica Manoel.




Objetos de cera (Foto: Ricardo Amanajás/Diário do Pará)


DEVOÇÃO


Para os comerciantes, o trabalho de fabricação de ceras é muito mais do que um negócio. É também uma forma de devoção. “À medida que os anos passam, só tenho a comprovação de que as graças existem, elas realmente são atendidas e são concretizadas aqui. Não é a toa que a gente fabrica aproximadamente 100 mil peças, na época do Círio. Com certeza, milhares de pessoas foram agraciadas. Eu mesmo já tive uma graça alcançada e fui agradecer com meu objeto”, diz Manoel.


Já Ana Brahuna faz questão de acompanhar uma das romarias do Círio. “Todos os anos eu acompanho a Trasladação com um terço, pedindo por outras pessoas em situações difíceis, mas um dos mistérios eu faço apenas para agradecer. Já tive câncer e hoje estou bem. Então, é só para agradecer mesmo”.




Objetos de cera (Foto: Ricardo Amanajás/Diário do Pará)


Os empresários relatam que o movimento nas fábricas de cera é marcado por períodos sazonais, principalmente aos ligados pelas celebrações da Igreja Católica. “Após a Semana Santa já começo a produção para o Círio. Em setembro já estamos com as atividades voltadas para novembro, quando temos o Dia de Finados e depois disso já começamos a produção para o advento”, detalha Manoel.


O movimento maior nas lojas começa no início do segundo semestre, com os círios dos interior, como o de Vigia, o que eles consideram um aquecimento para o Círio da capital. “O movimento ainda não é de Círio, as pessoas sempre deixam para última hora, mas até o final de setembro e, principalmente, na primeira semana de outubro, a procura sempre cresce bastante”, aponta Ana.



(Josiele Soeiro/Diário do Pará)

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