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Círio

Força e fé dos promesseiros da corda do Círio

segunda-feira, 09/10/2017, 07:32 - Atualizado em 09/10/2017, 07:32 - Autor:


Prestes a encarar um dos maiores desafios dos promesseiros de Nossa Senhora de Nazaré, há os que prefiram deitar sob o asfalto e dormir, os que optam por concentrarem-se para o momento que os espera e ainda os que aguardam de pé, rezando para ter força de seguir até o final da jornada. Para quem puxa a corda da berlinda, as manifestações de devoção à padroeira dos paraenses iniciam ainda sob o céu negro da madrugada.


Sentado sobre o pedaço da corda que agarraria até a chegada do Círio, na Basílica Santuário de Nazaré, o mecânico Jhones Amaral, 48 anos, refletia sobre os inúmeros motivos que tinha para agradecer à santa de devoção. “Enquanto eu tiver força, vou seguir na corda de Maria”. 


Logo no início do percurso, após o atrelamento da corda à berlinda, a subida para a avenida Presidente Vargas costuma ser o estágio mais delicado. Jhones coloca em prática uma estratégia própria. “Concentração e fé! Só isso basta pra que a gente consiga cumprir o nosso objetivo”. Além da fé, o casal Raiane Santos, 21, e Diego Ribeiro, 25, renovam o próprio amor na corda do Círio. 


Antes de se conhecerem, nenhum dos dois tinha seguido a procissão na corda. Desde que começaram a namorar, resolveram dar início a ação que já chega a três anos. “O nosso amor cresce a cada ano que cumprimos essa missão. Saímos da corda renovados”, explica a atleta Raiane.


Willianni Stephany e Fernando Almeida iniciaram uma amizade enquanto se preparavam para a procissão (Foto: Marco Santos)


TRASLADAÇÃO


O cansaço que toma o corpo do designer gráfico Fernando Almeida, 22 anos, não é decorrente apenas da espera pela saída da corda do Círio. Ainda na noite anterior, na Trasladação, ele seguiu da Basílica até a Igreja da Sé também cumprindo promessa na corda. Este é o segundo ano que ele ajuda a puxar a corda nas duas procissões.


“Eu vim na corda da Trasladação e já fiquei aqui para esperar a do Círio. Tudo o que passa na minha cabeça durante essa espera é tentar não dormir”. Da espera mantida desde a noite anterior, há tempo suficiente para nascer uma amizade entrelaçada pela corda de Nossa Senhora. A estudante Willianni Stephany, 18 anos, se preparava para cumprir a promessa pela primeira vez na vida. A coragem para seguir com a promessa foi encontrada nas palavras de incentivo de Fernando. 


Repórter na corda: 15 minutos que valem uma vida


Em meio a milhares de pessoas que acompanhavam a procissão do Círio de Nazaré, pude sentir de perto o real significado da fé. Entre a Catedral da Sé e a Basílica de Nazaré, mesmo com pequeno trecho de distância entre as duas igrejas, a locomoção de um ponto ao outro foi a maior representatividade de paz que os paraenses puderam ter em devoção a Nossa Senhora de Nazaré. 


E, assim como os presentes, que renovaram seus votos religiosos, aproveitei o cenário para agradecer a Santinha por todas as bênçãos proporcionadas ao longo deste ano. Dessa forma, para concluir a promessa, o ato de percorrer lado a lado com a corda era o objetivo. No entanto, como se pode imaginar, chegar até esse ponto não foi fácil. Com um tumulto forte, onde muitos desejavam intensamente ao menos tocar nas “tranças” de Nazaré, a dificuldade, contudo, refletia que, assim como as promessas atendidas não foram fáceis, a retribuição também não seria.


Mas, no meio de tanto sacrifício, finalmente consegui segurar na corda. Poucas coisas na vida proporcionam tamanho sentimento de autorrealização quanto à participação no traslado. Algo difícil até de definir. Talvez, por isso, o Círio seja um período tão importante na vida dos populares, por servir justamente como fonte de esperança. E mesmo que aqueles 15 minutos segurando a corda tenham sido poucos, esse tempo será eterno dentro das minhas memórias.


(Cintia Magno e Matheus Miranda/Diário do Pará)

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