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Círio

Não existe distância para quem tem devoção por Maria

quinta-feira, 05/10/2017, 07:10 - Atualizado em 05/10/2017, 07:20 - Autor:


Vestido com um par de meias e chinelas, o professor e escritor Antônio Edson de Oliveira, 53 anos, deu os primeiros passos, na manhã da última quarta-feira, em direção ao cumprimento de mais ano de promessa a Nossa Senhora de Nazaré. Antes mesmo de o sol tomar o céu, por volta das 6h, o romeiro saiu do município de Castanhal para seguir caminhando rumo à Casa de Plácido, no bairro de Nazaré, em Belém. Assim como ele, centenas de outros romeiros davam início a essa que é mais uma das tradições que integram o Círio de Nazaré. 


No acostamento da rodovia movimentada, os passos de Antônio Edson seguiam lentos, como se acompanhassem a tranquilidade com que ele cumpria a missão repetida já há 8 anos. Sozinho, o professor seguia apenas com o estritamente necessário para agradecer à santa de devoção: um chapéu de palha na cabeça e uma pequena mochila nas costas. A expectativa era de que chegasse até o destino final apenas às 23h do dia seguinte. “Geralmente, faço uma parada em Santa Izabel e outra em Marituba. É um grande percurso, mas cumpri-lo é muito gratificante”. 


AGRADECIMENTO


A motivação para aguentar a caminhada de mais de 70 km vem dos que aguardam, em casa, o cumprimento da promessa. Antônio lembra que, há 8 anos, estava passando por um momento difícil no casamento quando se deparou com os romeiros que, na época do Círio, seguiam de vários municípios paraenses em direção a Belém. Naquele momento, ele prometeu à Virgem de Nazaré que cumpriria o mesmo trajeto caso conseguisse manter a família unida – realização que tem a oportunidade de agradecer até hoje. “Vale muito a pena, porque a força vem da fé que eu tenho. Eu caminho para agradecer.” Para a aposentada Alzenira Veras, 62, a caminhada em direção à celebração da fé é um pouco mais longa. Acompanhada de outras 3 pessoas da família, ela iniciou o percurso ainda no município de Capanema, distante 153 km de Belém. Passados 3 dias de caminhada, o grupo chegou até a região de Castanhal cansado, mas tomado por uma animação que se destacava. “Agradecer a Deus é o que importa! Eu quero só agradecer.”



 Antônio Edson cumpre promessa há 8 anos (Fotos: Marco Santos)


Solidariedade de desconhecidos dá força para os caminhantes


Sobrinha da aposentada Alzenira Veras, a dona de casa Kátia Veras, 49 anos, não escondeu que, por vezes, o cansaço extremo causado pela caminhada a levou às lágrimas. Independente das dores sentidas no corpo, porém, ela não pensava em desistir do propósito traçado ainda em Rondônia, onde mora. A viagem para Capanema foi realizada com o objetivo primeiro de cumprir a promessa feita à Nossa Senhora. “É ela quem nos conduz”.


Também integrante do grupo, o assistente administrativo Henrique Medeiros, 45 anos, vivenciava a experiência pela primeira vez. Caso não haja nenhum imprevisto, a estimativa do grupo era de chegar até a Casa de Plácido apenas amanhã de manhã. Apesar do longo caminho pela frente, Henrique só encontrou uma palavra para descrever o sentimento causado pela estreia na caminhada: “Alegria!”.


Alexandre Brito (à esq.) faz o percurso com amigos (Foto: Marco Santos)


OUTRO GRUPO


Também acompanhado por um grupo de amigos, o comerciante Alexandre Brito, 43 anos, também não escondia a felicidade pelo percurso percorrido. Com saída do município de Santa Izabel, onde mora, ele chegou até a entrada de Mosqueiro com o sol já alto no céu. Apesar do suor que insistia em escorrer pelo rosto, ele não parecia se incomodar com nenhum obstáculo que pudesse encontrar no percurso de 42 km. “Isso tudo é em nome da fé. Eu venho agradecer às bênçãos que já alcancei ao longo da minha vida”.


Alexandre lembra que este é o terceiro ano que faz o percurso durante o dia – antes cumpria sempre à noite. Apesar do desgaste maior provocado pelo sol, ele conta que a mudança foi necessária em decorrência da segurança. Para dar suporte aos romeiros, carros seguiam ao longo da rodovia acompanhando os que caminhavam. Em vários pontos do percurso, barracas eram montadas para oferecer assento e um copo de água.


Tanto quanto o cumprimento da própria promessa, a solidariedade de desconhecidos é o que lhe marca toda vez que chega ao fim do percurso. “Cada ano é uma experiência ímpar. A maneira como você é recebido é uma coisa incrível”, apontou. “São coisas que não se consegue explicar, só agradecer a Deus e Nossa Senhora”.


ACOLHIMENTO


A Casa de Plácido foi planejada para ser a primeira acolhida dos peregrinos que vinham de outros municípios e até estados para o Círio de Nazaré. Ainda hoje o local serve de referência para os peregrinos que recebem alimento e atendimento em diversas áreas.


(Cintia Magno/Diário do Pará)

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