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Círio

Guarda Municipal ateu faz questão de proteger a Virgem de Nazaré

terça-feira, 03/10/2017, 12:24 - Atualizado em 03/10/2017, 12:35 - Autor:


Há quatro anos Rafael Dorn, 30, integra o grupamento de guardas municipais que faz a escolta da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Nazaré, a padroeira da Amazônia. Ele faz questão de estar na escala. Nada surpreendente, se fosse o pedido de um católico. Mas Rafael é ateu. O que move o integrante da Guarda Municipal de Belém (GMB) para este serviço é a vontade de cuidar das pessoas. Neste caso, das pessoas que conduzem a Imagem aos locais de peregrinação e das que participam das homenagens à Santa.


O guarda prova que não é preciso ser devoto de Nossa Senhora para se sentir envolvido com a fé dos promesseiros.  “Quando chega essa época eu já me ofereço para fazer parte do grupo. É um trabalho de muitas horas, não exige preparo físico, mas psicológico. Quando estou na escolta não vejo católicos, vejo pessoas. Acho bonito o esforço que elas fazem para estar próximas da Imagem, me sensibilizo com senhoras e pessoas deficientes que tentam se aproximar da Santa, nem que seja para um minuto de oração. Isso me comove, e na maioria das vezes peço permissão para o diretor da peregrinação para conduzir estas pessoas até a berlinda”, conta Rafael.


Rafael integra o grupo de 16 guardas municipais designados para atuar no grupamento de escolta, os chamados batedores, durante as visitas peregrinas de Nossa Senhora de Nazaré. Eles trabalham em regime de escala de 12 horas por 12 horas, e são distribuídos em grupos de quatro para atuarem no patrulhamento das visitas diárias.


O trabalho de “guardador” da Imagem Peregrina, tratada com honras de chefe de Estado, começa bem cedo, em alguns casos às 5 horas, e seguem percorrendo pontos da cidade até às 22 horas. “No momento das visitas é quando a gente tem um tempinho para se sentar e descansar. Mas a rotina é corrida, precisamos estar atentos a tudo. Tem dias que a gente nem almoça, mas vale a pena”, diz o guarda Manfrine Tadeu, de 45 anos.


Manfrine exalta sua religião com orgulho: “Católico, apostólico, romano e praticante”. E assim como o Rafael, ele se emociona e se sensibiliza quando vê os fieis buscando um espaço, por menor que seja, para ver a Rainha da Amazônia. “Saber que faço parte de um grupo que tem como missão proteger Nossa Senhora, me honra demais. Família, amigos, conhecidos, tanta gente daria alguma coisa para ter o privilégio que tenho de garantir a segurança durante o trajeto da Imagem...”.


O grupo de batedores é comandado pelo inspetor Leynilson Mederiros, 47 anos. Medeiros afirma que a adrenalina deste momento não se compara a nenhuma outra. “São três meses dedicados a acompanhar a imagem pelos locais que recebem a visita. Até agora já chegamos a 300 visitas, e elas não se encerram junto com o Círio, não. Vamos até novembro”, informa.


“Às vezes a imagem chega a visitar de dez a doze locais por dia. A equipe não tem nem tempo pra almoçar, mas é uma adrenalina que vale o preço do esforço. Faço parte do grupo de escolta deste que a Guarda Municipal teve esta incumbência, em 2007. Desde aquela época, mesmo revezando alguns guardas, o empenho só aumenta. É uma responsabilidade muito grande, que, apesar da fé e devoção, não deixa de ser um serviço de utilidade pública que estamos prestando”, afirma o inspetor.


A partir desta sexta-feira, 6, os guardas municipais que atuam na escolta da Imagem Peregrina iniciarão o trabalho de escolta mais intenso, com o Traslado até Marituba. No sábado, ela segue a peregrinação até Icoaraci, para a Romaria Fluvial, em seguida ocorre a Motorromaria, até que chega o domingo, para a maior procissão católica do Brasil, o Círio de Nazaré.


(Com informações da Agência Belém)

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