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Círio

Mesmo faltando uma semana, Belém já respira o clima do Círio

domingo, 01/10/2017, 07:57 - Atualizado em 01/10/2017, 07:57 - Autor:


Faltando uma semana para a maior manifestação religiosa do Brasil, Belém já está totalmente envolvida pela atmosfera do Círio de Nazaré. Considerado o Natal dos paraenses, a festa tem mesmo esse clima que vai, desde o tradicional almoço depois da chegada da Santa à Basílica Santuário, até receber visitantes para essa grande confraternização, passando pela preparação e decoração do trajeto das homenagens a Nossa Senhora de Nazaré.


E, de alguma forma, todos se envolvem. A movimentação já é grande na frente da Basílica Santuário de Nazaré, onde a paraense Josiane Monteiro, 41 anos, que mora no Rio de Janeiro há 25 anos, esteve na última quinta-feira com a filha, Heloisa Monteiro, de 17 anos. As duas foram agradecer a Nossa Senhora pelas bênçãos alcançadas. “A saudade de tudo aqui é sempre muito grande. Desse clima de Círio, de festividade em família e dessa atmosfera de solidariedade e amor ao próximo que Nossa Senhora traz. Isso a gente só consegue sentir de perto”, diz Josiane.


HOMENAGEM


O cantor paraense Arthur Espíndola, de 33 anos, também tem seu ritual para os eventos do Círio. Todo ano, além da agenda artística, ele assume os compromissos pessoais e familiares com o Círio. “Na quinta-feira tenho roda de samba, mas na Trasladação e Círio estarei participando de trechos dos percursos e também atendendo alguns convites para homenagens”, disse o cantor, que gravou uma música nova, chamada “Flor da alegria”, em homenagem a Nossa Senhora de Nazaré. Ele garante que é uma homenagem e um agradecimento. “Foram muitas graças alcançadas, em especial na minha carreira”, afirma.


Loene Bentes comprou fita deste ano para renovar a fé (Foto: Mauro Ângelo)


Preparação também é espiritual


A aposentada Maria Adelaide tirou um tempo durante a semana para visitar o altar de Nossa Senhora de Nazaré, na Basílica Santuário, por acreditar que a maior preparação para o Círio é a espiritual. “Penso que cada um de nós deve aproveitar esse período para refletir sobre solidariedade e amor ao próximo, pois ai reside a grandeza de Maria, mãe de Jesus e nossa mãe maior”, diz a devota. “Nós a veneramos pela sua doação para com a missão de Cristo nessa terra”. Para Maria, o almoço e a confraternização são consequências desse momento.


No entorno da Basílica também é grande a movimentação de pessoas buscando símbolos para homenagens individuais. A estudante Loene Bentes, de 17 anos, adquiriu uma fita da padroeira para simbolizar suas promessas. “Pedi algumas coisas e dei os nós na fita. A cada ano renovo as promessas e elas se realizam”, disse a estudante. A pedagoga Manuela Cuimar, de 34 anos, conta que na escola onde trabalha a preparação também é grande. “Passamos o ano em função dessa preparação, com vários eventos reunindo e envolvendo os estudantes nas homenagens à nossa padroeira”, conta.



Participação reúne várias religiões diferentes


A devoção individual à Nossa Senhora de Nazaré se torna coletiva quando todos os sentimentos estão nas ruas, representados em cada romeiro. Juntos eles formam um rio de gente que, em média, somam dois milhões de pessoas nas maiores romarias da festividade, que são a trasladação, no sábado, e a procissão de domingo, o Círio de Nazaré. 


São momentos em que os romeiros compartilham o sentimento de solidariedade presente na devoção. E muitos lembram aqueles que estão pagando suas promessas e precisam de água, alimentos e atendimentos. Essa solidariedade vem de toda parte, e independem de bandeira religiosa. O sacerdote Prahlada, de 41 anos, 26 deles dedicados ao sacerdócio no Instituto Vrinda, do Movimento Hare Krishna, todo ano coordena uma grande ação de distribuição de lanches naturais. A ação é feita em parceria com a Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna, juntando os dois maiores representantes do movimento no Pará. “Nós arrecadamos os ingredientes e juntos confeccionamos os sanduíches, que são distribuídos aos romeiros ao longo do percurso do Círio. Para nós, o amor está acima de qualquer dogma religioso”, afirma Prahlada.


Já a água, item importantíssimo na hidratação dos romeiros, é a doação anual do grupo coordenado pelo babalorixá Odé Orum Ofá, 38. Na religião afro-brasileira do candomblé, o babalorixá é a figura conhecida popularmente como o pai-de-santo. “Nós temos uma importante divindade feminina, que é Oxum, das águas doces e que para nós representa a doçura, o amor”, explica. “E é pelo amor que fazemos questão de participar do Círio, de ser solidários à veneração dos fiéis para Nossa Senhora de Nazaré”, conta ele, que junto com seu grupo faz a ação na trasladação e no Círio.


(Cleo Soares/Diário do Pará)

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