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Marituba faz passeata contra o aterro no local

quinta-feira, 23/03/2017, 11:34 - Atualizado em 23/03/2017, 11:36 - Autor:


Com máscaras cobrindo o rosto, cartazes e faixas, a população de Marituba protestou - no Dia Internacional da Água – com uma caminhada na BR-316 contra a permanência do aterro Sanitário da Revita no município. Dando prosseguimento aos protestos contra os transtornos causados pelo aterro sanitário, que recebe resíduos da Região Metropolitana de Belém, cerca de 15 mil pessoas foram às ruas, de acordo com a Policia Militar. O ato começou na Praça Matriz, às 8h, porém a caminhada rumo à Barreira da Policia Rodoviária Federal (PRF), em Ananindeua, começou 1h depois. 


A passeata foi pacífica e teve duas paradas: na frente do Fórum e outra à porta do Ministério Público Estado do município. Os manifestantes interditaram a rodovia, nos 2 sentidos, na altura do primeiro retorno após a entrada da Alça Viária, por quase 30 minutos. O trânsito no local ficou lento. Quem seguia de ônibus continuou o percurso andando. Já alguns condutores acenavam, dando apoio ao protesto. Com auxílio de um trio elétrico, a caminhada retornou ao seu ponto de saída depois de chegar à barreira da PRF. A manifestação terminou ao meio-dia. 


SEM TRATAMENTO


Moradores acusam a empresa de não fazer o tratamento adequado do lixo. No dia 1° de março, um grupo interditou, por 3 dias, o acesso à entrada do aterro. Sem respostas do Governo do Estado e das Prefeituras de Belém e Ananindeua, outro bloqueio foi promovido, por mais 3 dias. No entanto, a manifestação cresceu e ganhou apoio de lideranças comunitárias, representações sindicais e sociais, escolas, entidades religiosas, políticos e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/PA). 


Balançando uma pequena bandeira do Brasil, a dona de casa, Maria José Miranda, 73 anos, se uniu à causa e foi protestar. “Não aguento mais. Dia e noite o mau cheiro invade nossas casas. Estamos ficando doentes”, desabafa a idosa, que mora na Alameda da Paz, a 5Km do aterro. “Ficamos longe do lixão e mesmo assim somos penalizados”. 


No meio da multidão, o personagem “Fantasma da Morte” chamava atenção. Por trás da capa preta, máscara e foice com a palavra lixo estava Eladi Ribeiro, 43, que trabalha como segurança. O morador do bairro Novo Horizonte II, afirma que o solo e a água estão contaminados e que passou uma semana doente e acredita que teve a ver com o aterro. “Tive febre, dor de cabeça, vômitos”, lembra Eladi Ribeiro.


Doação de R$ 420 mil da Revita a Jatene revolta os manifestantes


A informação de que o governador do Estado, Simão Jatene (PSDB), recebeu a doação de quase R$ 420 mil da Revita Engenharia, responsável pela gestão do aterro sanitário, durante a campanha eleitoral de 2014, também causou revolta à população. “Depois que Jatene recebeu o dinheiro, essa empresa faz o que bem quer no Pará”, observa Marco Cabral, presidente da Associação dos Moradores da Comunidade Santa Clara.


Para o advogado Rodrigo Leitão, da Comissão de Meio Ambiente da OAB/PA, o local do aterro não é adequado, pois fica ao lado da unidade de conservação “Refúgio de Vida Silvestre Metrópole da Amazônia” e na área de segurança aeroportuária. “Se tudo no tratamento dos resíduos estivesse certo, ainda assim estaria errado pela localização”, critica.


A Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas) prometeu 20 medidas para amenizar os problemas, entre elas atendimento médicos, e meios para a não contaminação do ar e de nascentes próximas ao aterro. Mas até agora nada foi feito.


(Roberta Paraense/Diário do Pará)

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