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População sofre em posto de saúde de Belém

quinta-feira, 27/10/2016, 07:52 - Atualizado em 27/10/2016, 07:52 - Autor:


Desde agosto pasado quando, em uma consulta particular, a dona de casa Maria Rita, 59 anos, descobriu que estava com uma mancha no coração, ela vem lutando para conseguir dar continuidade ao tratamento, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), em Belém. Ao saber que sua médica atende também na Unidade da Saúde Familiar da Sacramenta, ela tem tentado conseguir atendimento pela Prefeitura de Belém. Porém,ainda não conseguiu. 

Ela já nem sabe dizer quantas vezes procurou a unidade. Ontem, mais uma vez, viu o sol nascer na avenida Senador Lemos, em frente ao posto. “Cheguei aqui antes das 5h. Vou tentar, mais uma vez, pegar a ficha”, afirma ela, que mora no Conjunto Maguari e teve de sair de casa às 4h, de carona. “Para conseguir, tem de madrugar. E, mesmo assim, não é garantia conseguir a consulta”, lamenta. A dona de casa Elaine Moraes, 57, a primeira da fila, chegou na unidade ainda mais cedo, às 4h”. Ela foi buscar uma ficha de atendimento para sua neta, de 5 anos. “Venho cedo para garantir a consulta. Tendo sorte, pode ser até hoje (ontem) mesmo”, diz.

SEM DENTISTA

Do lado de dentro, um papel escrito à mão informa a quantidade de senhas que são distribuídas nos dias de segunda, quarta e sexta-feira. Ontem, tinham fichas para apenas 4 especialistas. Quem procurava por atendimento dentário, por exemplo, teve de voltar para casa sem a ficha, já que não foi oferecida. Para tentar conseguir uma das 20 vagas para dermatologista, o frentista Isaías Rocha de Melo, 41, também amanheceu na porta da unidade. 

“É para minha mulher. Ela está com manchas estranhas no corpo”, comenta. Segundo Isaías, que mora na passagem Santos Dumont, no mesmo bairro, as dificuldades estão além de ir em busca do atendimento. “Não tem guarda. Não tem banco. Não tem nada”, relata, encostado na sua bicicleta e com receio de que sua esposa não fosse atendida. “Vou pegar a senha às 8, mas a consulta pode ser outro dia”, diz.

"É MADRUGAR E ESPERAR"

As filas na madrugada é uma dura realidade nos postos de atendimento dos serviços oferecidos pela gestão do prefeito Zenaldo Coutinho. Para assegurar uma senha de recadastramento do Programa Bolsa Família para sua prima, que mora no bairro da Cremação, o servente Jair Araújo, anos, chegou às 2h, no Centro de Referência de Assistência Social (Cras do Barreiro), na avenida Pedro Álvares Cabral, administrado pela Prefeitura, para fazer o cadastro dos beneficiários que recebem o auxílio do Governo Federal. “Ela precisa fazer, pois tem um filho. Esse dinheiro ajuda”, explica, deitado sobre um pedaço de papelão. A atualização cadastral do programa é um processo contínuo e obrigatório, que deve ser feito sempre que houver qualquer alteração nos dados das famílias ou no prazo máximo de 2 anos contados da data da última entrevista. Elaine Almeida, 35, está sem emprego. Com 2 filhas, precisa do auxílio para se manter. 

BOLSA FAMÍLIA

“Não tem outra solução, é madrugar e esperar”, lamenta a beneficiária, que chegou ao local às 4h da manhã de ontem. O atendente Jefferson Barros, 22, tem 3 filhos. Sua esposa está desempregada e o auxílio ajuda nas despesas das crianças. Este mês, ela já foi ao Cras do Barreiro por 2 vezes tentar pegar a senha de atendimento, que só é distribuída a partir das 8h. Sem sucesso, ele resolveu chegar o mais cedo possível ontem. “Às 3h já estava aqui. São apenas 40 senhas que dão na segunda e na quarta-feira”.

(Diário do Pará)a

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