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Círio

O manto de Nazaré: símbolo de beleza e fé

domingo, 18/09/2016, 08:01 - Atualizado em 18/09/2016, 08:01 - Autor:


Faltando apenas alguns dias para o Círio 2016, que ocorre no dia 9 de outubro, a preparação para a grande festa segue a todo vapor. Cada detalhe é tratado com carinho. Um dos símbolos mais bem trabalhados é o manto que veste a Imagem de Nossa Senhora de Nazaré. A peça começou a ser elaborada no mês de março. Para este ano o casal coordenador da Diretoria do Círio, Roberto e Daniela Souza, convidaram a ilustradora, Aline Folha, para criar o desenho e a estilista Marilza Ramos para a confecção da peça. Aline conta que seu interesse pelo desenho surgiu ainda na infância.

“Era parte considerável do meu brincar. Desenhava e criava historinhas, conversava com meus desenhos, como até hoje faço”, afirma. “É preciso conversar com a linha riscada e nela mergulhar para sentir o tempo e o espaço do desenho”. Ela formou-se em Direito pela Universidade Federal do Pará – UFPA, em 2009, mas nunca atuou na área.

Depois de formada seguiu para o Rio de Janeiro-RJ, onde participou de diversos cursos de moda. “Conheci o universo do desenho de moda e me apaixonei. Não que eu já não fosse, pois lembro que tentava imitar os desenhos de minha avó, que era costureira”, relata. Do Rio seguiu para São Paulo-SP, onde cursou especialização em Moda e Criação, na Faculdade Santa Marcelina, além de outros cursos e oficinas.

Aline retornou a Belém em 2012 e trabalha desde então como ilustradora e professora em uma faculdade particular, além de ministrar oficinas na Fundação Cultural do Pará (Curro Velho). Atualmente é mestranda em Artes pela UFPA, onde pesquisa poéticas com desenho.



Em 2013, a peça teve tons de rosa. (Foto: Thiago Araújo/Arquivo)


COSTURA

A execução da peça, que pela tradição é apresentada em uma solenidade bastante concorrida, ainda na quinta-feira que antecede o segundo domingo de outubro, ficou a cargo de uma das mais renomadas estilistas de Belém. Marilza Ramos, nascida na cidade paraense de Viseu, conta que os pais eram bastante católicos e quando criança ajudava a mãe no trabalho da Igreja, na preparação de bolos e tortas para os leilões que angariavam fundos durante o Círio do município.

Ajudava também no preparo do almoço servido aos padres, bispos e políticos que visitavam o lugar. Ela conta que a mãe costurava muito bem. “Eu aprendi todos os macetes de costura com ela. Enquanto ela estava à máquina, eu sentava ao lado dela, fazendo com os retalhos, os vestidos das minhas bonecas”, lembra. “Quando chegava visita, minha mãe mandava eu mostrar aqueles vestidos”, relata.



Em 2014, o dourado ficou em evidência. (Foto: divulgação)


Já em Belém cursou secretariado no Colégio Santa Rosa e costurava para colegas, levando as peças para aprovar durante o recreio. A exemplo de Maria, a estilista conta que ficou feliz ao receber o convite para a confecção do manto de Nossa Senhora de Nazaré exclamou. “Senti-me honrada, feliz e pronta. Este ano, sei que deve ter tido uma mãozinha dela lá do céu para que lembrassem de mim”, afirma.

A HISTÓRIA

Segundo a lenda do achado da Imagem da Virgem de Nazaré, ela já estava com um manto no momento em que foi encontrada pelo caboclo Plácido. A tradição foi mantida e, ao longo dos anos, ela foi ganhando vários outros.



Em 2015, detalhes de verde marcaram o manto. (Foto: Marco Santos/Diário do Pará)


A confecção dos primeiros mantos é atribuída à irmã Alexandra, da Congregação das Filhas de Sant’Ana, do Colégio Gentil Bittencourt. Foi assim até sua morte, em 1973.

Depois disso, quem assumiu a missão foi a ex-aluna e ajudante, Esther Paes França, que fez 19 mantos. A partir daí, vários católicos e estilistas famosos passaram a confeccionar o manto que envolve a Imagem Peregrina.

(Andreia Teixeira/Basílica Santuário de Nazaré)

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