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Círio

Círio: uma mescla de lendas e devoção

sábado, 10/10/2015, 10:33 - Atualizado em 10/10/2015, 10:39 - Autor:


As referências à origem do Círio remetem à lenda do aparecimento da imagem de Nossa Senhora de Nazaré achada pelo caboclo Plácido José de Souza. Plácido era agricultor e caçador, e possuía um sítio na estrada do Maranhão, atual Bairro de Nazaré.


Os livros relatam que, num certo dia de outubro de 1700, o caboclo Plácido saiu para caçar na região do igarapé Murutucu - onde hoje foi erguida a Basílica. Depois de muito caminhar pela mata, parou para refrescar-se nas águas do igarapé e encontrou a imagem de Nossa Senhora entre as pedras. Católico fervoroso, ele levou a santa para o barraco onde morava e ali, em um altar humilde, passou a venerar a bela imagem.


A casa de Plácido tornou-se lugar de culto a Nossa Senhora. Os milagres da santa aconteciam e muitos devotos iam rezar, pagar promessas e agradecer pelas graças alcançadas. O relato conta que, no dia seguinte àquele em que foi encontrada, a imagem não amanheceu no altar da casa de Plácido. Para sua surpresa, a imagem estava, novamente, entre as pedras. Quando retirada do seu local de origem, a santa teria voltado para o mesmo lugar onde foi achada.

MILAGRES


O governador da época ordenou, então, que se levasse a imagem para o Palácio do Governo, onde ficou sob intensa vigilância. Pela manhã, contudo, o altar estava vazio. Impressionados com o milagre, os devotos concluíram que Nossa Senhora queria ficar às margens do igarapé. E ali construíram uma ermida, ao lado da qual o caboclo Plácido construiu sua nova casa.


Com o passar do tempo, os relatos de milagres foram aumentando, trazendo à cidade gente de vários lugarejos do interior, e a imagem acabou indo parar em Belém. Depois de um longo processo de reconhecimento dos milagres da santa e da devoção local por parte da igreja, em setembro de 1790, foi autorizada a realização de homenagens à santa, conforme o Ritual Litúrgico. Foi quando o governador Francisco Coutinho pensou em fazer uma procissão pela cidade. 


Dias antes da romaria, o governador adoeceu e prometeu que, se ficasse curado, ele mesmo levaria a imagem até a capela do Palácio. Restabelecido, cumpriu sua promessa e, na madrugada de 8 de setembro de 1790, a imagem chegou ao Palácio. Ao amanhecer, a população de Belém celebrava, pela primeira vez na História do Brasil, o Círio de Nossa Senhora de Nazaré.


(Luis Flávio/Diário do Pará)

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