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Círio

Várias imagens de Nossa Senhora compõem o Círio

sábado, 10/10/2015, 10:20 - Atualizado em 10/10/2015, 10:20 - Autor:


A representação da imagem de Nossa Senhora com o filho no colo remonta ao mundo ocidental cristão e foi iniciada através de pinturas e, em seguida, por imagens. A devoção a Maria faz referência à cidade de Nazaré, em Portugal. “A imagem original que temos aqui é uma cópia da imagem que existe em Portugal. A devoção foi trazida ao Brasil pelos portugueses”, explica o padre Raimundo Possidônio, Pároco de Nossa Senhora de Fátima e vigário-geral da arquidiocese de Belém.


Em Saquarema, no Rio de Janeiro, existe uma devoção mais antiga do que a de Belém. “Lá, Nossa Senhora está sentada numa cadeira, com o menino Jesus em eu colo. São representações diferentes”, descreve o padre. Segundo ele, a imagem de Belém deve ter sido trazida por devotos de Nossa Senhora que se estabeleceram em Vigia, onde a devoção à santa é bem anterior à daqui”.


Chamada de imagem “autêntica” ou “imagem do achado”, a escultura de madeira encontrada pelo caboclo Plácido, em 1700, tem 28 centímetros de altura, cabelos caídos sobre o ombro direito e carrega ao colo o menino Jesus. Aos pés da Virgem, há a cabeça de um anjo. Na Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré, em Belém, a imagem autêntica fica numa redoma de cristal no altar-mor, o Glória, entre anjos, nuvens e um esplendor de raios. De lá, ela só é retirada uma vez por ano, numa cerimônia conhecida como a “Descida da Imagem” ou “Descida do Glória”, que ocorre na véspera do Círio, às 13h. Após a descida do Glória, durante toda a quinzena da Festa, a imagem fica num nicho instalado no presbitério, mais perto dos devotos. 


RESTAUROS


Desde que foi encontrada, a imagem autêntica já foi restaurada três vezes. Ela é coberta por um manto canônico, trabalhado com fios e enfeites de ouro. A imagem original saiu na procissão do Círio até 1968. A partir de 1969, por motivos de segurança, a imagem autêntica que era levada nas procissões do Círio foi substituída por uma cópia. A imagem é chamada de “peregrina” porque sai em todas as procissões e cerimônias oficiais da festa Nazarena. Durante o ano, ela fica na sacristia da Basílica Santuário.


Esta imagem foi encomendada ao escultor italiano Giacomo Mussner, mas não reproduz os mesmos traços da autêntica. “A imagem peregrina é maior, com quase 40cm, e ganhou traços da mulher da Amazônia e o seu filho recebeu características indígenas e caboclas”, explica o padre Possidônio. Em 2002, a imagem passou por seu primeiro restauro, por meio de uma técnica empregada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).


Há, ainda, uma terceira imagem, que fica na capela do Colégio Gentil Bittencourt. “É uma imagem antiga, de gesso e também uma réplica da imagem original. Ela está lá praticamente desde que surgiu o colégio”, conta o padre. Uma quarta réplica fica na praça santuário durante o ano. “A imagem peregrina fica apenas os 15 dias da quadra nazarena exposta na Praça Santuário. Por questões de segurança, é substituída no restante do ano”, diz o religioso. Ele lembra que, por trás das histórias das imagens, existem aspectos não-históricos e a questão das lendas. “Mas isso é normal no fenômeno religioso. Assim surgem as grandes devoções.”


(Luis Flávio/Diário do Pará)

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