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Círio

Histórias resumem como mês de outubro é especial

domingo, 27/09/2015, 10:28 - Atualizado em 27/09/2015, 10:43 - Autor:


À medida que se percorre as escadarias que dão acesso à Basílica Santuário de Nazaré, os joelhos se curvam e a mão direita se eleva lentamente até a cabeça. Os olhos então se voltam para o esplendor que brilha absoluto no altar. A partir dali, tem reinício um momento de encontro espiritual. Sem que seja necessário qualquer convite especial para adentrar à casa da mãe, a simples iminência de mais uma procissão no segundo domingo de outubro já é suficiente para aproximar os fiéis católicos dos caminhos que levam a Deus. E a agenda é cheia.


Iniciando ainda por volta de 5h15 da manhã, as celebrações que integram a programação do Círio de Nazaré na Basílica se prolongam até por volta das 20h, quando é iniciada a última missa do dia. Irrestrita às cerimônias, porém, à medida que outubro se aproxima em Belém, a presença dos devotos é intensificada até mesmo nos intervalos das celebrações. É quando a igreja silencia que os mais variados pedidos são levados à interseção de Nossa Senhora. 


Pároco da Basílica de Nazaré de 1972 até o fim de 1978, o padre Giovanni Incampo lembra que, independente da grande movimentação turística e financeira proporcionada pela procissão, o Círio de Nazaré é, em sua essência, uma grande manifestação de evangelização. Missão cumprida e evidenciada antes mesmo da romaria ir às ruas. “O papel de Maria é de uma mãe e ela atua na sua função de nos aproximar de Jesus que é a nossa salvação. Em outubro, a Basílica fica sempre ocupada num sinal de que Maria consegue cumprir essa missão”. 


Instituídas em caráter experimental no ano que o padre recém-chegado da Itália assumiu a Paróquia da Basílica, as peregrinações com a imagem da Santa hoje são reproduzidas nas casas de centenas de famílias e incentivadas pelas demais paróquias de Belém. “A partir da segunda metade de agosto inicia a preparação religiosa para o Círio. Toda a cidade se evangeliza para esperar outubro. As pessoas procuram muito mais a confissão para se aproximar do céu”, destaca o padre Giovanni.


DEVOÇÃO


Sem condições físicas de acompanhar a procissão que chega a reunir cerca de duas milhões de pessoas nas ruas de Belém, a pensionista Ruth Sintra, 82 anos, leva até à própria casa os caminhos apontados pela Virgem de Nazaré. Reunindo filhos, netos e bisnetos, as orações são iniciadas ainda no final de setembro, na presença de uma imagem que representa a figura da mãe de Deus. “Ela nos proporciona muita fé e o Círio é um momento que renovamos a nossa fé”. 


Lembrada todos os dias do ano, a Virgem de Nazaré também se faz mais presente na rotina da aposentada Marlene Viana, 70 anos, à medida que o Círio se aproxima. Independente de qualquer dificuldade, a senhora faz questão de presenciar a energia inexplicável que lhe toma sempre que vê a berlinda passar. “Eu busco conforto nela (Nossa Senhora de Nazaré). Ela tem o poder de nos aproximar de Deus”.


Assim como Marlene, o padre Giovanni Incampo acredita que é em meio à multidão de desconhecidos, reunida durante o Círio de Nazaré, que os católicos paraenses dão as mais puras demonstrações dos ensinamentos de Cristo. No momento em que todos aguardam a passagem da imagem peregrina, as diferenças são esquecidas e o respeito mútuo é cultivado. “No Círio, os paraenses dão o testemunho de comunhão entre eles e vivenciam essa que é a essência do cristianismo”, conclui o padre.


(Cintia Magno/Diário do Pará)

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