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DEVOÇÃO

Cerimônia da Descida do Glória foi marcada por forte emoção

Cerimônia da Descida do Glória, quando a imagem encontrada pelo caboclo Plácido é trazida para mais perto dos devotos de Nossa Senhora, foi restrita, mas mesmo assim marcada por forte emoção

segunda-feira, 12/10/2020, 09:09 - Atualizado em 12/10/2020, 09:09 - Autor: Alexandra Cavalcanti e Wesley Costa


O arcebispo de Belém Dom Alberto Taveira, com a imagem original
O arcebispo de Belém Dom Alberto Taveira, com a imagem original | Fernando Araújo

A Basílica Santuário esteve praticamente vazia durante a celebração de um dos momentos mais simbólicos do Círio: a descida da imagem original de Nossa Senhora de Nazaré do Glória. Por conta das medidas restritivas impostas pela pandemia do novo coronavírus, a igreja permaneceu de portas fechadas. Apenas membros do clero e auxiliares, da Diretoria da Festa e a imprensa puderam acompanhar a cerimônia, que teve início um pouco antes do meio-dia de sábado (10).

A cerimônia da descida da imagem original do Altar-Mor da Basílica foi precedida por uma pregação feita pelo Padre João Paulo Dantas. Logo depois, teve início o ritual seguindo todos protocolos necessários para manusear a imagem histórica de 28 centímetros encontrada pelo caboclo Plácido, por volta do ano de 1.700. Inicialmente foi retirada a estrutura que fica na parte de trás da imagem onde está a coroa, seguida do manto e pôr fim a imagem original, conduzida pelo diretor da Festa, Sandoval Pereira. Ela então foi colocada redoma de cristal anti projétil, onde poderá ser vista por 15 dias.

A ausência de devotos dentro da igreja deixou a cerimônia mais silenciosa, mas não menos emocionante. “Eu quero agradecer a Deus pela resposta do povo, que compreendeu esse momento que estamos passando agora e ficou em sua casa acompanhando essa programação do Círio de Nazaré”, ressaltou o arcebispo de Belém D. Alberto Taveira, que foi o responsável por colocar a imagem original dentro da redoma de vidro.

Toda a cerimônia foi transmitida pelos canais oficiais: TV Círio (YouTube), TV Nazaré, TV Cultura e redes sociais da Basílica e Arquidiocese de Belém. A descida da imagem original do Glória só ocorre duas vezes ao ano, no sábado antes do Círio e em maio, quando é comemorado o aniversário da elevação da Basílica à condição de Santuário.

DEVOTOS

Desde o início da manhã de sábado (10), devotos de Nossa Senhora de Nazaré se posicionaram em frente à Basílica Santuário na expectativa de poder acompanhar, ainda que do lado de fora da igreja a Cerimônia da Descida do Glória.

Esse foi o caso da devota Regina Silva. Todos os anos ela vem do município de Abaetetuba, onde reside, para acompanhar as celebrações do Círio, em especial a Cerimônia da Descida do Glória. Muito emocionada, ela contou que fez questão de estar presente, mesmo sem ter a possibilidade de ver a imagem de perto, para pedir que no ano que vem, tudo seja diferente. “Sinto um pouco de angústia por tudo estar acontecendo dessa forma, mas sei que em 2021 voltaremos a ter nossas celebrações do Círio como sempre tivemos. Mas quer dizer que apesar de ser diferente, a fé e a emoção são as mesmas”, disse.

A empresária Vânia Vieira e os sobrinhos Bruno Vieira e Elesvão Cardoso também escolheram o momento que marca da descida original do Glória para pagar uma promessa de família, distribuindo terços, em frente à igreja. “Esse é um instante especial, em que sentimos a presença do Espírito Santo que nos faz acreditar que o impossível pode ser possível”, disse ela, que mesmo sem poder ver de perto a imagem original de Nossa Senhora estava emocionado e sentindo-se abençoada.

História

Em 1969, o Vigário de Nazaré, Padre Miguel Giambelli, decidiu descer a Imagem do Glória para ficar no Presbitério, mais próxima do povo, substituindo a Imagem do Colégio Gentil Bittencourt. As primeiras descidas ocorriam às 23h, após a chegada do Pároco na Basílica, depois da Trasladação. Antes, a Imagem Original de Nossa Senhora de Nazaré descia do Glória discretamente, com a Igreja fechada. Mas, desde 1992, a Basílica Santuário abre as portas para os fiéis acompanharem este momento especial, é o instante que eles podem ficar mais perto da Imagem encontrada por Plácido.

Igrejas garantem um momento de reflexão e proximidade junto a Nossa Senhora

Igrejas da Trindade, na Campina, e de Nossa Senhora da Conceição Aparecida (abaixo), na Pedreira, ficaram de portas abertas para receber os devotos FOTOS: RICARDO AMANAJÁS

Sem as grandes procissões do Círio de Nazaré, as paróquias pertencentes à Arquidiocese de Belém seguiram suas programações abrindo as portas, no último sábado (10), para receber os fiéis que, de alguma forma, quisessem ter um momento a mais de oração ou de reflexão sobre a festa nazarena, que acontece de forma diferente este ano. Algumas delas foram abertas ainda pela parte da tarde. O silêncio e a tranquilidade puderam ser aproveitados pelo público devoto, que apareceu de forma tímida.

Na Paróquia da Santíssima Trindade, no bairro da Campina, músicas marianas tradicionalmente entoadas durante as procissões do Círio, ecoavam pelo interior da igreja antes do início da celebração eucarística.

Parte da corda que seria utilizada na procissão do Círio foi colocada próximo ao altar, juntamente com uma imagem de Nossa Senhora de Nazaré, para que os devotos pudessem sentir um pouco mais do clima do Círio.

PREPARAÇÃO

Já na Paróquia de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, no bairro da Pedreira, a tarde também foi de preparação para a programação da festividade em honra à padroeira do Brasil, homenageada nacionalmente no dia 12 de outubro. Por lá, a igreja passava pelos últimos ajuste de decoração antes da santa missa ao final do dia.

Localizada no bairro do Marco, a Paróquia da Santa Cruz também se preparou para receber o público. Cercada por flores e com parte da corda do Círio exposta, uma imagem da Virgem de Nazaré foi colocada próximo ao altar, que estava pronto para a celebração daquela noite.

Outras paróquias da capital também celebraram missas durante a noite de sábado e receberam, em partes iguais, pedaços da corda. O símbolo dividido foi enviado às 95 paróquias da arquidiocese como forma de fazer o Círio chegar aos diversos bairros da capital atendidos pela igreja de Belém, aproximando todos da devoção mariana.

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