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Romeiros chegam a pé de outros municípios até a Basílica Santuário; veja o vídeo

Mesmo sem as tradicionais procissões do Círio de Nazaré, devido à pandemia, romeiros de vários municípios do Pará pegam a estrada em direção à Basílica

sexta-feira, 09/10/2020, 07:26 - Atualizado em 09/10/2020, 07:50 - Autor: Suênia Cardoso e Luiz Guilherme Ramos


| Ricardo Amanajás/Diário do Pará


Mesmo sem as tradicionais procissões do Círio de Nazaré, devido à pandemia, romeiros de vários municípios do Pará pegam a estrada em direção à Basílica Santuário para homenagear Nossa Senhora. No percurso até a igreja, na BR-316 e na avenida Almirante Barroso, já era possível ver, ontem, grupos de católicos em oração ou com a imagem na berlinda.

Na avenida Almirante Barroso, próximo à Tavares Bastos, a servente Valéria de Cássia, 30 anos, e amigo José Junior Pessoa, 22, caminhavam juntos, cada um com o apoio de um cabo de madeira para conseguir chegar até à igreja. Eles saíram na tarde de quarta-feira (07), às 14h, de Castanhal, próximo ao Cristo.

“Somos de Inhangapi e decidimos caminhar em agradecimento às graças alcançadas. Tive problema de depressão no ano passado e pedi intercessão de Nossa Senhora para a cura. Hoje estou aqui para pagar a promessa”, contou Valéria.

Conquistar uma vaga na Faculdade de Medicina foi o motivo que levou José a cumprir o percurso destinado. “Eu tinha o objetivo de cursar Medicina em algum lugar, no Brasil ou fora do país, e consegui a aprovação na Argentina. Ingressei em 2017, e como veio a pandemia e as aulas foram suspensas, aproveitei para ficar em quarentena aqui em Belém e pagar minha promessa, já que ainda estamos sem previsão de retorno às aulas”, explicou.

Durante o percurso, Valéria e José receberam apoio de grupos que se estendem ao longo da rodovia BR-316, oferecendo água e massagem. “Foi essencial para a nossa caminhada, pois desde a hora que saímos, praticamente não paramos e estamos sem dormir”, acrescentou José.

Mais próximo da Travessa Humaitá, cerca de dez romeiros que saíram de Ananindeua às 6h da manhã de ontem, caminhavam orando o terço. O grupo era composto por devotos da Cidade Nova, do Jardim América e do Icuí. A aposentada Francinete Barroso, 65 anos, explicou que faz essa romaria há 24 anos e sempre ia sozinha até a Basílica. “Este ano muitos devotos se interessaram e reunimos pessoas de várias paróquias, cada um com seu propósito. Saímos em dois grupos. Um, às 5 da manhã, e o nosso, que saiu uma hora depois. Estar aqui é uma forma de agradecer por tudo, principalmente este ano em que podemos caminhar, sempre alegres, já que muitos foram vítimas da Covid-19. Eu fui uma das acometidas pela doença, e graças a Deus, estou recuperada”, destacou.

 

Às 6h20, mais um grupo saiu em romaria, do bairro do 40 Horas, em Ananindeua, com uma mini réplica da berlinda em mãos. Este é o segundo ano em que os devotos da Paróquia de Santo Antônio de Pádua participam da procissão. “É uma forma de agradecimento e de oferecermos nossas necessidades à Nossa Senhora”, contou a médica Marister Carvalho, 55 anos.

Serviço

l Atendimento aos romeiros na BR-316

Data: Hoje (9)

Horário: de 5h às 14h

Local: Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência.

Serão ofertados serviços de aferição de pressão arterial e glicemia, além de água e lanche.

Para atender aqueles que chegam à cidade a pé, advindos de outros municípios, o hospital irá reunir pesquisadores, profissionais e residentes da área da saúde em um posto específico de cuidados multiprofissionais.

Aeroporto e Terminal têm movimento fraco

Anos atrás, o movimento de pessoas nos corredores do Terminal Rodoviário e Aeroporto Internacional de Belém seria intenso. Turistas, familiares, grupos de dança fazendo a recepção, música, festa. A pandemia do novo coronavírus transformou um cenário antes festivo, numa calmaria frustrante, que quase em nada lembra o maior evento religioso do país.

No saguão do Aeroporto de Val-de-Cans, o movimento de passageiros no portão de desembarque era tímido. Poucos voos chegam à capital paraense, há menos de dois dias da 228ª edição do Círio de Nazaré. Na maioria dos voos, pessoas retornando para as suas casas e alguns poucos turistas, sobretudo os mais fiéis à padroeira dos paraenses.

É o caso do professor Wellington Alves, 55, que veio do Amapá prestar sua homenagem à santinha. “Depois de tudo o que atravessamos nesses últimos meses, eu considero que vir a Belém, mesmo que não tenha o Círio de Nazaré, é até uma obrigação para mim e para minha família. Eu trabalho o ano inteiro, viajo para outros lugares, mas faço questão de reservar uma semana para vir aqui prestigiar essa festa”, diz.

Wellington veio a Belém e trouxe a família. É um ritual que cumpre há mais de 20 anos e nem a pandemia conseguiu interromper. “A ‘Nazica’ nos dá força. Acho que é algo muito forte e com tantos males por aí, temos mesmo que agradecer. Não tive nenhum problema na minha família e essa é a forma que encontramos de demonstrar nossa fé e devoção à Nossa Senhora de Nazaré”.

Passageiros com o perfil de Wellington, segundo a Infraero, estão em menor quantidade que o ano passado. “Entre os dias 5 e 19 de outubro, devem passar pelo aeroporto paraense cerca de 120 mil passageiros, entre embarques e desembarques. No período, devem ocorrer 947 operações, entre pousos e decolagens. No mesmo evento do ano passado, foram contabilizados 153.392 passageiros e 1.216 operações”, informa a empresa em nota.

Apesar disso, o superintendente do aeroporto, Fábio Rodrigues, explica que o terminal paraense é um dos que experimenta maior ritmo de recuperação. “Esperamos fechar o mês de outubro com um número superior aos 200 mil passageiros embarcados e desembarcados, o que corresponde a 80% da movimentação do mesmo período em 2019”, pontuou.

TERMINAL

Já no Terminal Rodoviário, a Sinart explica que “Devido à não realização da procissão do Círio de Nazaré, este ano, em virtude da pandemia do Coronavírus, o Terminal Rodoviário de Belém deva sofrer uma queda, em média, de 50% após a festividade (domingo, segunda e terça). Os dados são baseados em relação ao número real do ano anterior, época em que o Terminal embarcou cerca de 23.881 passageiros”.

O reflexo do pouco movimento pode ser sentido até nos guichês das empresas, conforme frisa o gerente de uma empresa de transportes, Sérgio Conceição, 55. “Nossa demanda não sofreu alteração alguma. Pelo contrário, acredito que até o presente momento, o número de passageiros que vêm a Belém pela nossa empresa tem diminuído. Essa queda já esperávamos por conta da pandemia. Muita gente ainda tem certo receio em viajar de ônibus”.

DOL
 

| Ricardo Amanajás/Diário do Pará
| Ricardo Amanajás/Diário do Pará

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