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MUDANÇA

Cancelamento do Arraial de Nazaré por causa da pandemia muda rotina do bairro de Nazaré

Moradores do entorno e visitantes lamentam que a área, onde haveria brinquedos e comércios, não tenha o mesmo clima dos outros anos

terça-feira, 06/10/2020, 08:34 - Atualizado em 06/10/2020, 21:09 - Autor: Suênia Cardoso


Onde estão as luzes, cores e o barulho que encantavam aqui?
Onde estão as luzes, cores e o barulho que encantavam aqui? | Irene Almeida

As luzes do Arraial de Nazaré são o que mais fazem falta no outubro da fonoaudióloga Ane Nobre, 40 anos. Moradora do bairro de Nazaré há um ano e três meses, ela lembra com saudade o ano passado, quando chegava em sua casa e podia apreciar o espetáculo de cores. “Tive somente uma experiência com o Círio nesta casa, pois mudamos há pouco tempo. Chegávamos da rua e nos sentávamos na sacada para olhar o movimento. Era tudo muito lindo”.

Não apenas as cores e a luzes não estão ali hoje, como também as vozes e a animação do Arraial. Embora Ane ressalte que, para muitos vizinhos, o barulho incomodasse, este ano, tudo faz falta. “Tudo é diferente para todo mundo. Alguns vizinhos reclamavam do barulho, pois são pessoas mais idosas, e que moram em andares do edifício mais próximo dos brinquedos, como a montanha russa, por exemplo”.

Mas, nem sempre, a ideia de ir morar próximo à Basílica, foi algo bem visto por ela. Casada há vinte anos, Ane conta que já mudou de casa várias vezes com a família e que, na época da mudança para o atual apartamento, não queria ir. Porém, um momento simbólico e de fé, a fez mudar de ideia completamente.

Ane sente falta da movimentação do arraial da janela de casa, que permanece apenas com estacionamento no local
Ane sente falta da movimentação do arraial da janela de casa, que permanece apenas com estacionamento no local Irene Almeida
 

“Gostava muito de onde morava antigamente, e no período das obras desse apartamento, tiramos um dia para vir em um horário totalmente fora da nossa rotina. Eram quase 18h e eu não estava muito contente para a mudança. Mas, quando cheguei aqui os sinos começaram a tocar e, em seguida, o hino da igreja. Naquele dia mudei de ideia e queria vir embora e acordar aqui com esse ‘barulho’. Eu precisava vir naquela tarde e, agora, não largo mais a minha vizinha”, diz ela, se referindo à Nossa Senhora.

A atmosfera, neste período, é incomum para todos os paraenses, acredita Ane. Mas, ainda assim, ela ressalta a importância de se manter viva a fé em um período tão difícil. “O Círio é algo mágico. Cada um pode ter seu momento com a Mãezinha e viver essa data especial”.

SILÊNCIO

Com a suspensão do Arraial, no local, permanece funcionando o estacionamento, silencioso e sem muita movimentação. Quem passa pelas manhãs nestes dias, sente o impacto em ver um espaço amplo, sem as cores do Círio. Natural de Macapá, Bernadete Cardoso, 56 anos, diz que, sempre que possível, vem participar da Festa, e este ano enxerga que será atípico sem a parte festiva. “Será o Círio da fé mesmo, e os fiéis vão participar de uma forma distante, longe do outro e da alegria que é esta Festa. Costumava vir para o Arraial e participar de outras celebrações, mas agora, fica somente o vazio”, lamenta ao lado da filha, a universitária Thais Cardoso, 21 anos.

 

Quem também sente os impactos desta ausência é a vendedora de artigos religiosos Madalena Cordeiro, 45 anos. Ela conta que, em anos anteriores, já sentia o clima diferente, a movimentação era intensa e Belém já tinha o cheiro do Círio. “Trabalho aqui há 38 anos e está sendo bem difícil este ano. Não sabemos como será o domingo. Só pedimos ajuda a Nossa Senhora, pois, antes, esse Arraial era um estímulo para as nossas vendas. Hoje, não percebemos nada disso. Sentimos falta do clima da Festa”.

 



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