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CULINÁRIA

É Círio outra vez e Belém já exala cheiro de maniçoba

Às vésperas do segundo domingo de outubro, muitos devotos ainda correm atrás dos últimos ingredientes nas feiras da Grande Belém para preparar o tradicional almoço do Círio, que este ano vai custar mais caro

terça-feira, 06/10/2020, 07:56 - Atualizado em 06/10/2020, 07:59 - Autor: Suênia Cardoso


O quilo da maniva também aumentou de preço em comparação com o mesmo período de 2019
O quilo da maniva também aumentou de preço em comparação com o mesmo período de 2019 | Ricardo Amanajás

A corrida para a preparação do tradicional almoço do Círio começou, embora ainda em ritmo lento. Ontem de manhã, na Feira da 25, no bairro do Marco, em Belém, o fluxo de consumidores ainda era fraco, já que muitos haviam encomendado os ingredientes dias atrás e deixaram para fazer a retirada somente esta semana.

No box do Gabriel Oliveira, 23, a medida adotada este ano, por conta da pandemia do novo coronavírus, foi intensificar as vendas pelas redes sociais e oferecer a opção delivery ou retirada no local. “Tivemos de fazer promoções dos itens para o almoço do Círio e fomentar as vendas pela internet e entrega em casa. Foi uma forma de atrair clientes neste período pandêmico”, argumentou.

Já o aposentado Eldonor Alencar, proprietário de um dos boxes da feira, revelou uma procura extremamente baixa. “Está muito fraco ainda. Não vemos clientes pelos corredores e as vendas caíram muito. Eu trabalho aqui tirando uma renda extra porque se fosse para sustentar uma família, não daria”, lamentou.

No Mercado do Ver-o-Peso, a movimentação dos consumidores já era mais intensa, com a procura principalmente pela maniva por aqueles que já entraram no clima do almoço do Círio. “Meu coração está a mil porque temos poucos dias para preparar tudo e reunir a família. Tiramos o dia para comprar os ingredientes da maniçoba, pois o pato já foi encomendado”, contou o aposentado Alfredo Carvalho, 61.

Apesar da ansiedade pela preparação do almoço, houve reclamação por causa da alta dos preços de alguns produtos. A autônoma Jaqueline Oliveira, 22, sentiu essa elevação no bolso. “Estão meio salgados esses valores. A gente entende que tudo aumentou de preço, mas mesmo assim, pesa no nosso orçamento. Mas não podemos deixar a data passar em branco e faremos esse esforço para ter o nosso almoço”, comentou.

Os preços, em ambos os locais visitados pelo DIÁRIO, registravam alterações em torno de R$ 5 entre um item ou outro, dentre eles, chouriço, toucinho, bacon e tucupi. Em relação ao pato, os preços variam de acordo com o tipo (congelado ou vivo).

 

BALANÇO

Segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos no Pará (Dieese/PA), o almoço do Círio será mais caro este ano devido às altas quase generalizadas nos preços dos principais produtos, com reajustes que superaram a inflação, podendo alcançar mais de 10%. Dentre os ingredientes que tiveram reajuste expressivo este ano, em comparação com 2019, estão pato, peru, frango, maniva e tucupi.

Os patos vivos encontrados em feiras livres, com peso aproximado de três quilos, são vendidos, em média, a preços que variam entre R$ 80 e R$ 100, com alta em torno de 10% em relação ao Círio passado, de acordo com o Dieese. Já os patos congelados, comercializados nos grandes supermercados de Belém, custam aproximadamente entre R$ 16,35 e R$ 18,29 o quilo. Outro produto também considerado elevado é a maniçoba, motivada pela alta nos preços dos principais ingredientes que a compõem, como maniva e os derivados do porco, fazendo com que o prato seja comercializado em vários locais da capital com preços alcançando até R$ 15.

O frango, que também é uma opção para o almoço do Círio e tem valor mais baixo em relação ao pato, por exemplo, teve reajuste em comparação ao ano passado entre 10% e 20%, podendo ser encontrado a preços que variam entre R$ 7,63 e R$ 7,90 o quilo.

 


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