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PRODUÇÃO

Círio garante uma renda extra na venda de produtos artesanais

Vendas de produtos artesanais relativos ao Círio de Nazaré estão aquecidas. Profissionais que chegaram a acreditar que este ano o mercado ficaria mais restrito dizem que ampliaram a produção para atender os clientes

domingo, 04/10/2020, 07:45 - Atualizado em 04/10/2020, 08:05 - Autor: Alexandra Cavalcanti


Conceição Mainieri Batista
Conceição Mainieri Batista | Irene Almeida


O Círio de Nazaré costuma movimentar e muito o comércio de Belém. De olho nesse filão, artistas e artesãos desenvolvem peças inspiradas em símbolos que fazem parte dessa festa religiosa. A quadra nazarena chega a alavancar até 50% das vendas e, este ano, mesmo com a pandemia e o cancelamento das procissões, promete não ser diferente.

Pelo menos é o que tem sentido a artesã Conceição Mainieri Batista. Na contramão do cenário da pandemia, que acabou ocasionando o fechamento de vários estabelecimentos comerciais e, consequentemente, o desemprego para muitos, ela conseguiu não só manter as vendas de suas peças sacras em sua loja virtual (www.mainieriartes.com.br), como também ampliar e até superar a comercialização delas nesse período que antecede o Círio.

“Pensei que a pandemia e o cancelamento das procissões iriam abalar a minha produção e vendas, mas isso não aconteceu. Muito pelo contrário. Consegui alavancar as vendas em pelo menos 50%”, afirma.

Mas, para ter esse resultado ela, além de pedir as bênçãos de “nazinha“, como se refere a Nossa Senhora de Nazaré, de quem é devota, resolveu movimentar as redes sociais de sua loja virtual. “Como a maioria das pessoas está mais em casa e vamos ter um Círio diferente este ano resolvi fazer lives mostrando as minhas produções, postar mais fotos e dedicar mais tempo a internet para isso. O resultado acabou sendo melhor do que o esperado”, conta.

Clima do Círio já envolve o público no Parque Belém Porto Futuro

Ao longo do ano, a artesã se dedica a arte de pintar imagens sacras utilizando técnicas diversas como a decoupagem, pincel seco, pátina e outras, um trabalho delicado feito totalmente a mão, peça a peça. Durante o Círio de Nazaré, toda a inspiração para o trabalho se volta para a produção das imagens da Virgem de Nazaré e escapulários. “O fato de ter sido criada em uma família religiosa e ter estudado a vida toda em colégios católicos ajuda bastante. Mas não é só isso. O clima da cidade muda também nessa época e isso tem um reflexo direto nas minhas produções”, explica.

O investimento em cursos para aprimorar o talento que ela descobriu há oito anos após passar por um acidente e precisar ficar imobilizada também ajuda. “Sempre que viajo procuro ateliês em busca de cursos e novas técnicas, assim como procuro visitar igrejas para ver de perto mais imagens que sirvam de inspiração, assim como aqui em Belém, onde temos igrejas lindas”, diz.

O valor de suas peças varia entre R$ 55 e R$ 400 e entre as mais pedidas está a imagem de Nossa Senhora de Nazaré pintada em estilo barroco. “Estou com muitas encomendas, graças a Deus”, destaca. Boa parte delas segue para fora do Estado, onde muitos paraenses saudosos procuram uma forma de ter o Círio mais perto. “A fé não tem distância. Acredito que por isso recebo encomendas de várias partes do país, de capitais como Rio de Janeiro, São Paulo, São Luís, Macapá, Salvador e de municípios paraenses como Paragominas e Santarém”, detalha.

Fique atento! Programação do Círio começa terça e tem alterações

NOVIDADES

A designer gráfico e ilustradora Júlia Leão há cerca de dez anos começou a produzir peças direcionadas para o Círio. A partir daí nasceram camisetas, canecas, quadros, postais, adesivos, caixas e topos de bolo estampadas com traços criados exclusivamente por ela, inspirados em Nossa Senhora de Nazaré.

Ao longo dos anos, pelo menos dois desenhos eram criados para serem estampados em seus produtos, que têm preço entre R$ 2 e R$ 200. Este ano, por conta da pandemia, a artista acabou ficando em dúvida se deveria ou não seguir o trabalho dos últimos anos com a mesma intensidade. “Acabei decidindo fazer. Comecei em plena pandemia, entre junho e julho, e me surpreendi com a procura”, conta.

Júlia Leão
Júlia Leão Irene Almeida
 

Um de seus desenhos mostra Nossa Senhora de Nazaré envolvendo Belém com seu manto. “A inspiração veio mesmo dessa ideia da necessidade de proteção da cidade por conta da pandemia”, lembra. E mesmo em um momento difícil como este vivido por conta da pandemia, ela decidiu, como nos anos anteriores, investir em novidades para os seus produtos. Uma delas foi o uso da técnica tie dye (trabalho artístico em tecidos que envolve descoloração e tingimento).

Ano passado ela conseguiu comercializar 500 camisetas. Por precaução, este ano, a produção foi planejada inicialmente em 400. “Mas as pessoas gostaram tanto que já estamos chegando em 600. Além disso, a venda on-line acabou facilitando muito porque enquanto em 2019 as peças foram vendidas em três semanas, este ano em apenas quatro dias consegui vender uma grande parte da produção”.

A artista também investe em detalhes como as embalagens de seus produtos, que podem ser compradas diretamente em sua loja virtual (www.julialeao.com.br). “Sempre faço uma embalagem exclusiva para os produtos. Este ano estou usando, além do desenho de uma flor, que já é uma marca em meus trabalhos, o nome do comprador feito em lettering por mim”, diz ela, que também faz pintura de desenhos em paredes.

Segundo Júlia, não há do que reclamar até agora de suas vendas para o Círio, mas uma perda ela lamenta. “Me sinto muito feliz quando acompanho a procissão do Círio e vejo famílias inteiras vestidas com as camisetas desenhadas por mim. Este ano, infelizmente, não terei essa alegria”, afirma.

Conceição Mainieri Batista
Conceição Mainieri Batista | Irene Almeida
Júlia Leão
Conceição Mainieri Batista | Irene Almeida

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