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Símbolo da Fé: corda do Círio já está em Belém

sexta-feira, 20/09/2019, 07:34 - Atualizado em 20/09/2019, 07:43 - Autor: Tiago Furtado e Michelle Daniel/Diário do Pará


Serão 400 metros na Trasladação e mais 400 metros na grande procissão de domingo
Serão 400 metros na Trasladação e mais 400 metros na grande procissão de domingo | Ricardo Amanajás/Diário do Pará

A corda do Círio 2019 já está em Belém. Após passar alguns dias de viagem na estrada, um dos principais símbolos da festividade chegou na manhã de ontem no Centro Social de Nazaré. Produzida em Santa Catarina, a corda chegou dividida em duas partes. Serão 400 metros para a Trasladação e outros 400 metros para a grande procissão, no segundo domingo de outubro.

Cada parte da corda já veio adaptada para as estações que ficarão atreladas à berlinda que conduz a imagem de Nossa Senhora durante as romarias. Segundo o coordenador da festa, Cláudio Acatauassú, a chegada da corda é um momento de grande expectativa que marca definitivamente a chegada do clima de Círio, aumentando as esperanças dos fiéis em estar perto deste símbolo de fé durante as romarias. “Esse é um momento em que todos, principalmente os promesseiros, esperam o ano inteiro. A oportunidade para tocar na corda durante a Trasladação e no domingo do Círio”, afirmou.

RECOMENDAÇÕES

Com a grande importância da corda junto às romarias no mês de outubro, é considerável o número de promesseiros que querem levar um pedaço dela de recordação. Cláudio Acatauassú afirma que a Diretoria da Festa não se opõe ao corte da corda, desde que ela seja feita no momento certo e de forma segura, para que não coloque em risco a integridade física dos participantes e prejudique o andamento das romarias. “A gente entende que o promesseiro faz promessa para pedir ou agradecer. A gente entende também que a promessa deve ser feita em sua totalidade e ela só termina após a romaria. Não tem problema tirar um pedaço (da corda) e levar, mas se for cortado com brevidade, isso pode levar ao atraso e até mesmo encerramento antecipado das romarias”, alertou.

O diretor de Procissões, Antônio Souza, declarou que, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos no Pará (Dieese/Pa), até sete mil pessoas chegam a puxar a corda no momento do corte, o que causa grandes chances de acidentes. “Estar na corda é uma grande promessa e pedimos que as pessoas não tenham a atitude irresponsável de cortar antecipadamente e até mesmo de vendê-la. A corda não é guardada e todos têm condições de pegar um pedacinho”, disse.

A corda passou a fazer parte do Círio em 1885, após uma enchente na Baía do Guajará alagar a orla do Ver-o-Peso até às Mercês. Isso fez com que a berlinda atolasse, deixando os animais que na época conduziam a berlinda sem condições de puxá-la. Um comerciante local emprestou uma corda para que os próprios fiéis puxassem a berlinda. Desde então, uma corda é utilizada e hoje é considerada a ligação entre Nossa Senhora de Nazaré e os fiéis que participam das procissões.

(Tiago Furtado/Diário do Pará)

Campanha ‘Não Corte a Corda’ é lançada

A Guarda de Nazaré lançou, na noite de ontem, a campanha ‘Não Corte a Corda’, um dos principais símbolos do Círio que costuma gerar tumulto todos os anos. De acordo com Guilherme Azevedo, coordenador da Guarda, a campanha realizada anualmente tem como objetivo conscientizar os fiéis para que não façam o corte antecipado.

“Há um momento certo em que a gente desatrela a corda das estações. É nesse momento que a corda é liberada. Por isso, pedimos para que ninguém corte. A corda é o objeto onde as pessoas depositam a fé, promessa e gratidão”, disse. Alguns grupos que praticam o corte já foram identificados. “Eles se infiltram e no meio de tanta gente não conseguimos enxergá-los”, completou.

Em 2018, por exemplo, Azevedo afirma que os guardas recolheram 47 objetos cortantes ao longo do percurso.

Na trasladação, a corda é mantida por quase todo o trajeto, mas no Círio é mais complicado por ter um número maior de pessoas e a velocidade do percurso acaba sendo mais lenta. “As pessoas ficam impacientes e começam a procurar o momento para cortar logo. Quem de fato vai na corda para cumprir a promessa, não corta”, afirmou o coordenador. Ainda segundo Azevedo, no dia da trasladação, o momento ideal do corte é próximo ao Ver-o-Peso. Já no domingo é próximo ao colégio Nazaré.

O mototaxista Reginaldo Gonçalves, 47, terá pela quarta vez este ano a missão de preservar a corda. “Cada promesseiro tem a sua devoção e precisamos respeitar isso para que toda a fé dele seja alcançada. E o nosso papel é conscientizar as pessoas para que não façam o corte antes do tempo. É por Nossa Senhora”, frisou.

ROMARIA FLUVIAL

A Romaria Fluvial do Círio de Nazaré 2019 deve atrair milhares de pessoas em mais de 400 embarcações no segundo sábado de outubro. São romeiros e turistas de todo canto do Brasil e até do mundo. Esse público, segundo estudo do Dieese/PA e da Secretaria de Estado de Turismo (Setur), é diferenciado em vários aspectos.

De acordo com a avaliação sobre o perfil dos romeiros e turistas que participaram da Romaria Fluvial do ano passado, quase 70% vieram de várias cidades do Pará, mas os fiéis paulistanos, maranhenses, cearenses e cariocas, representaram quase 20% do público. Mais da metade dos participantes são mulheres (56,6%); estão na faixa etária a partir de 30 anos, o que representa 68,5%; uma parte está casada (43,6%) e a outra solteira (38,9%).

Quanto à questão econômica, a maioria das pessoas está empregada (85,2%), com nível superior (54,9%) e em profissões como professor, funcionário público, estudante, autônomo, do lar, engenheiro, vendedor, advogado, enfermeiro, comerciante, médico, odontólogo e empresário.

Também é maioria quem foi ano passado pela primeira vez, mas a diferença entre aqueles que costumam ir outras vezes é menos de 5%. Pessoas de outras religiões como evangélicos, espíritas, anglicanos, umbandistas e até quem não professa nenhuma crença, fazem parte do público. Para participar, a maioria pagou de R$ 150 a R$ 300.

A segurança da navegação foi avaliada como boa (40,5%), mas precisa melhorar, assim como a limpeza nas embarcações, pontualidade, preços e serviços oferecidos.

(Michelle Daniel/Diário do Pará)

 

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