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TORTURA

Jairinho tapou a boca de Henry para abafar gritos, diz babá

A jovem relatou outros episódios de violência praticados pelo vereador contra o menino. Na última segunda-feira (3) a polícia indiciou o casal por homicídio doloso duplamente qualificado por emprego de tortura e pela impossibilidade de defesa da vítima.

terça-feira, 04/05/2021, 16:27 - Atualizado em 04/05/2021, 16:34 - Autor: FOLHAPRESS


Dr. Jairinho (à esquerda) é acusado de matar o enteado Henry Borel, de apenas 4 anos
Dr. Jairinho (à esquerda) é acusado de matar o enteado Henry Borel, de apenas 4 anos | Reprodução

As investigações da morte do menino Henry apresentam novidades a cada novo depoimento das testemunhas do crime. A babá relatou outras vezes em que henry havia sido agredido pelo namorado da mãe, Monique. 

Na última segunda-feira (3) a polícia indiciou o casal por homicídio doloso duplamente qualificado -por emprego de tortura e pela impossibilidade de defesa da vítima-, com pena prevista de 12 a 30 anos de reclusão.

Aos dois também foi imputado o crime de tortura por episódios que ocorreram em outros dias. Jairinho é suspeito de cometer duas agressões, em 2 de fevereiro e em 12 de fevereiro, o que pode lhe render de 2 a 8 anos de reclusão.

Monique foi enquadrada apenas no segundo caso, por omissão: "Aquele que se omite em face dessas condutas, quando tinha o dever de evitá-las ou apurá-las", segundo a Lei de Tortura, com reclusão de um a quatro anos. As penas de ambos podem ser aumentadas por a vítima ser criança.

O primeiro caso foi descoberto pelo segundo depoimento da babá e também por mensagens que a funcionária enviou ao seu noivo. Monique não estava em casa e só foi avisada depois, por isso não foi indiciada pelo episódio.

A babá conta que Jairinho se trancou no quarto com Henry e que, mais tarde, ele se queixou e não quis brincar com outras crianças na brinquedoteca do prédio. Na conversa extraída, diz que parecia que o padrasto estava tapando a boca do menino e que ele gritava "eu prometo", diz o delegado.

Já no segundo caso, relatado em tempo real em mensagens da funcionária para Monique, ela fala ao noivo que Henry chegou a rasgar sua blusa, se segurando em desespero para não ir para o quarto com o vereador.

A polícia ressalta que a mãe soube do ocorrido às 16h20, inclusive pelo filho em uma chamada de vídeo, mas só voltou para casa às 19h. No dia seguinte, levou o filho mancando a um hospital em Bangu, na zona oeste do Rio, dizendo que ele havia caído da cama.

Um terceiro episódio no fim de fevereiro também foi relatado pela babá, mas a polícia diz que não conseguiu elementos suficientes para embasar o indiciamento.

Questionada sobre por que Monique não foi ouvida novamente no inquérito após mudar sua versão em duas cartas escritas na prisão, o delegado voltou a dizer que ela já teve a oportunidade de falar e terá novamente, em juízo, e que não há qualquer indício de que ela estava sendo coagida.

"O que houve foi uma mentira do começo ao fim", afirmou. "Está muito bem apontado que nessas cartas existem muitos fatos que não são verdadeiros, que são mentirosos. Eu não tenho qualquer elemento que demonstre que essa mãe estava coagida, nenhum." A polícia destaca que, sabendo das agressões, ela tinha o dever de afastar o filho do agressor.

"Acabei de dar outro exemplo apontando que a posição dela estava muito longe de mulher subjugada em relação a uma rotina de violência. O que nós demonstramos com muita clareza foi que ela estava ciente de tudo que aconteceu com o filho e mesmo depois da morte, manteve uma versão mentirosa até o último momento", disse, citando a briga em que ela pediu que o namorado continuasse pagando as contas.

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